Alexandre Lenzi (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 9:
"Dirigir a história de
um personagem com competência já é uma tarefa difícil. Agora imagine fazer isso com
dez atores diferentes em um único filme. O resultado é o excelente "Magnólia",
onde o diretor Paul Thomas Anderson retrata a vida dos personagens que moram num mesmo
bairro de Los Angeles, cortado pela rua que dá nome ao filme. As diversas histórias são
estreladas por atores do primeiro time de Hollywood. Tudo se passa em menos de 24 horas
nesse filme onde todos são coadjuvantes de um grande roteiro que concorreu ao Oscar deste
ano.
Big Earl Partridge (Jason Robards) é um produtor de TV que sofre
com um câncer já em fase terminal. Ao lado dele aparecem sua jovem esposa Linda
(Julianne Moore, pela segunda vez dirigida P. T. Anderson: a atriz também participou de
"Boogie Nights") e o enfermeiro particular Phill (Phillip Seymour). A
proximidade da morte assusta Big Earl, que agora quer se reencontrar com o filho que não
vê há mais de 10 anos. Mas o jovem rebelde Frank Mackey (Tom Cruise) está mais
preocupado em comandar palestras que defendem a reconquista do orgulho machista. Tom
Cruise chegou a concorreu ao Oscar de ator coadjuvante e faturar um Globo de Ouro por sua
atuação em "Magnólia".
Outra vítima de um câncer fatal é o apresentador Jimmy Gator
(Philip Baker Hall). Sua esposa (Melinda Dillon) parece disposta a ficar ao seu lado até
o dia em que descobre um segredo que marcou para sempre a filha do casal: Claudia Wilson
(Melora Walters, ainda desconhecida mas já demostrando um talento surpreendente), hoje
drogada e que vê no policial Jim Kurring (John C. Reilly) a chance para uma vida nova. O
programa que Jimmy apresenta é um popular jogo onde crianças desafiam adultos numa
competição para ver quem sabe mais. Um dos participantes é Stanley Spector (Jeremy
Blackman), que está no jogo mais pela pressão do pai do que por vontade própria. Se
ceder a vontade do pai, o jovem gênio poderá ter o mesmo futuro do frustrado Donnie
Smith (William H. Macy), umas das revelações do programa no ar há mais de 30 anos.
Cineasta californiano que apesar dos apenas 29 anos já tem no
currículo filmes como "Boogie Nights - Prazer Sem Limites", Paul Thomas
Anderson assumiu a produção e escreveu o roteiro de "Magnólia". O resultado
foi este filme que recebeu o Urso de Ouro no último Festival de Berlim. Anderson também
ousa ao filmar os principais planos em close nos rostos dos atores, o que reforça os
sentimentos estampados na face de cada personagem. Com o elenco que conseguiu, realmente
não tinha porque o diretor não aceitar esta técnica hoje já um tanto esquecida.
Anderson conquista a atenção do público logo no início do filme, excede um pouco na
dose de tempo (188 minutos), mas garante um final que volta a prender a atenção de
todos. A forte "chuva" parece despertar aqueles que já estavam saindo do ritmo
do filme. Depois dessa cena, os personagens estão determinados a fazer seus acertos de
contas e pararem de engolir "os sapos da vida"."