Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

"Não conhecia nada sobre a obra de Krzysztof Kielowski. Conhecia apenas o nome, que sempre me foi muito falado mas nunca dava a atenção necessária. Mas isso mudou... estou profundamente perplexo com tamanha competência deste diretor. Há muito tempo que um filme não me tocava tão profundamente, um diretor que tem uma sensibilidade peculiar e intensa, uma maneira diferente de se contar uma história. O filme é feito de cacos, que vão se juntando e formam uma junção perfeita. Só consegui perceber o tamanho da obra com a chegada do final. Demorei para notar o quanto o filme era completo e sincero, um filme cheio de sentimentos reais.

Depois de ver este "A Liberdade é Azul" abriu em mim uma vontade muito grande de ver mais filmes deste diretor. Somente agora fui ficar sabendo que este filme é uma trilogia sobre a França, que é complementada por "A Igualdade é Branca" e "A Fraternidade é Vermelha". "A Liberdade é Azul" vai fundo em suas idéias, vai aos poucos e com lentidão mostrando um retrato de uma vida comum, alterada por uma tragédia.

Krzysztof Kielowski conta com extrema melancolia a história de Julie (Juliette Binoche), uma mulher que tinha uma vida comum. Tinha um marido músico e uma filha pequena. Então o pior veio a acontecer. Um acidente de carro traz muita dor para ela quando o marido e a filha morrem, sendo ela é a única sobrevivente. Depois de até tentar um suicídio ela resolve tentar um recomeço em Paris. Em meio a tudo isso, ela se depara com uma dura realidade. Sua mãe está muito mal da cabeça, ela fica amiga de uma mulher que vende o corpo e, pior, ela descobre que o marido tinha uma amante. O que lhe resta agora é tentar finalizar as músicas do marido falecido, e isso parece dar um novo impulso em sua vida.

Uma atmosfera sombria e melancólica, uma França triste e apagada, uma realidade dura e cruel... Krzysztof Kielowski fez um trabalho magnífico e plausível. Sua produção é fabulosa, a fotografia de Slavomir Idziak é muito bela, é intensa e gélida. Não foi muito ajudada pela limitada direção de arte, mas foi compensada pelas belas composições de Zbigniew Preisner. Uma trilha sonora bem acabada e que pode facilmente figurar entre as melhores que o cinema já rendeu. Juntando toda esta feliz produção com o talento de Kielowski, o resultado não poderia ser mais satisfatório.

"A Liberdade é Azul" é um filme maravilhoso e fortificante. Outro grande ponto positivo do BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> filme é a soberba atuação da francesa Juliette Binoche (que também está nas outras duas partes), vivendo uma personagem difícil e corajosa. O filme foi bem lembrado nas premiações e foi cada prêmio muito merecido, principalmente pela criatividade e a ousadia. O único problema de ver "A Liberdade é Azul", é que você fica muito empolgado para ver os outros filmes na hora, então é bom alugar os três de uma vez. Caso contrário você irá ficar igual eu estou agora, morrendo de ansiedade para ir à locadora mais próxima e alugar tudo e, principalmente, conhecer mais a obra de Krzysztof Kielowski. Resumindo: a solidão é o maior inimigo do ser humano."