Ary Luiz Dalazen Jr. (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 7:

"Na época de seu lançamento, em meados de 1989, "Karatê Kid 3" foi um completo fracasso de crítica e público, e o início da decadência do ator Ralph Macchio que, depois deste filme, desapareceria por completo das telas e ficaria relegado a papeis medíocres em filmes feitos para televisão, de qualidade duvidosa. Depois de "abandonar os tatames", Macchio ainda teve um bom momento nos cinemas em 1992 ao lado da bela Marisa Tomei, em "Meu Primo Vinnie", mas a partir daí os bons papéis foram ficando cada vez mais raros.

Se analisado de forma franca e realista, a terceira parte da série é realmente a mais inferior de todas. Talvez tenha sido pelo seu péssimo desempenho comercial que os produtores tenham decidido colocar Macchio, que não estava rendendo mais nada mesmo, de fora na quarta parte (na qual uma jovem Hillary Swank assumiu o papel de protagonista). "Karatê Kid 3", contudo, não é tão ruim quanto os críticos fizeram acreditar. Na verdade é muito superior a grande parte dos lançamentos cinematográficos de hoje em dia. O filme é bem "família", não traz cenas chocantes de sanguinolência (a não ser, é claro, uma violência básica atinente à própria natureza dos combates de karatê, como um nariz sangrando, um olho roxo, etc), o enredo é leve e agradável, exaltando a importância e o verdadeiro significado das artes marciais. O problema da produção é exatamente o fato de sua estória ser muito formulaica: você pode perceber que rumo as coisas vão tomar com 10 minutos de antecedência.

A estória é mais ou menos assim: Daniel (Macchio) e o seu treinador Myagi (Pat Morita) voltam de Okinawa e planejam abrir uma pequena loja de Bonzais. John Kreese, o implacável mestre dos Cobra Kai que foi humilhado por Daniel e seu mentor nos filmes anteriores, quer vingança e para isso conta com a ajuda de seu amigo Terry Silver, um empresário milionário que arquiteta um plano para forçar Daniel a entrar mais uma vez dentro do ringue e colocar o seu titulo em jogo no Campeonato de Karatê. Silver se aproxima de Daniel como amigo e oferece treinamento, incutindo no jovem rapaz uma série de idéias de violência e rebeldia totalmente contrárias aos ensinamentos passados por Myagi. "Karatê Kid 3" tem seus melhores momentos com a trilha sonora belíssima de Bill Conti (que sublinha as cenas de treinamento e luta) e as tomadas aéreas de tirar o fôlego do diretor John G. Avildsen, que graças a uma fotografia magistral dá ao filme a sua seqüência mais eletrizante e visualmente impecável, na qual o jovem herói e a sua namorada descem com cordas por entre a garganta de uma gigantesca montanha. O filme pode ser revisto em cópias remasterizadas, uma vez que a Columbia Pictures o relançou em DVD,. A qualidade da imagem e resolução deste DVD é cristalina e perfeita. Para se ter idéia, em uma das cenas do filme, quando Daniel fere o seu pé sob o treinamento cruel e intensivo de Silver e depois de chegar em casa tira a meia e examina o machucado, a câmara focaliza bem a sola do seu pé, é possível ver com precisão impressionante a vermelhidão, o machucado, bem no peito e em alguns dedos. Em matéria de entretenimento, "Karatê Kid 3" é um filme "família" que você deve ter na sua coleção. Não é nenhuma obra-prima, mas diverte, é leve e passageiro."