Título original: (Judgment em Nuremberg)
Lançamento: 1961 (EUA)
Direção: Stanley Kramer
Atores: Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich.
Duração: 187 min
Gênero: Drama
Status: Arquivado
Tinham se passado três anos desde que os mais importantes líderes nazistas tinham sido julgados em Nuremberg. Dan Haywwod (Spencer Tracy), um juiz aposentado americano, tem uma árdua tarefa, pois preside o julgamento de quatro juízes que usaram seus cargos para permitir e legalizar as atrocidades nazistas contra o povo judeu durante a 2ª Guerra Mundial. À medida em que surgem no tribunal as provas de esterilização e assassinato a pressão política é enorme, pois a Guerra Fria está chegando e ninguém quer mais julgamentos como os da Alemanha. Além disto os governos aliados querem esquecer o passado, mas a coisa certa que deve se fazer é a questão que este tribunal tentará responder.
Críticas: Julgamento em Nuremberg
Edil Batista Jr. em 04/01/2001Nota: 5
Trata-se de um dos filmes sobre tribunais mais interessantes já realizados. A figura de Ernest Janning (Burt Lancaster) é identificada com a figura de Hans Kelsen, cuja obra jurídica seria mais tarde considerada como justificadora do Estado Nazista. Só a atuação de MAxillian Schell, no papel do advogado Hans Rolfe já vale o filme. Um filme denso, lento e perturbador. Como diletantismo vale a pena ver Judy Garland, que encontou platéias como Dorothy, em "O Mágico de OZ", já madura, não sendo mais uma sombra do que fora.
Carmem Sassia em 02/01/2001Nota: 4.5
SOU ESTUDANTE DE DIREITO E A PROFESSORA DE TEORIA GERAL DO DIREITO NOS MOSTROU ESTE FILME, QUE À PRINCÍPIO EU E MEUS COLEGAS PENSAMOS QUE FÔSSE COM O PERDÃO DA PALAVRA "UM SACO", E O FILME TERMINOU POR NOS SURPREENDER; TANTO PELA HISTÓRIA, QUE MESMO TENDO ACONTECIDO HÁ TANTOS ANOS NÓS ALÉM DE SOFRERMOS COM OS REFLEXOS DE CERTAS ATITUDES TOMADAS POR HITLER PODEMOS PERCEBER QUE MUITA COISA CONTINUA IGUAL, OU PELO MENOS MUITO PARECIDO.A MANEIRA COMO FOI CONDUZIDO O JULGAMENTO E A FORMA COM QUE P JUÍZ SE EMPENHOU EM BUSCAR INFORMAÇÕES SOBRE OS ACUSADOS CHAMOU NOSSA ATENÇÃO MESMO.ACHO QUE ESTE FILME É MUITO BOM, ACHO QUE TODOS DEVERIAM TER A CHANCE DE ASSISTIR, MAS ACIMA DE TUDO ELE É MUITO INTERESSANTE PARA NÓS ESTUDANTES DE DIREITO, PARA PODERMOS TER NOÇÃO DOS DOIS LADOS DE UM JULGAMENTO, ALÉM DISSO ACHO QUE TANTO A ACUSAÇÃO QUANTO A DEFESA NOS ENSINARAM MUITAS COISAS.É UM FILME QUE NOS ENSINA MUITO, E NOS MOSTRA A REALIDADE DE UM PASSADO QUE MUITOS NÃO CONHECEM OU "NÃO QUEREM CONHECER.".
Mário Gomes Jr. e Marcelo Zambones em 03/01/2001Nota: 5
Entre o Lógico e o Justo "Julgamento em Nuremberg" (61) é uma obra ímpar, com um elenco soberbo, um roteiro tocante e um tema de profunda seriedade, expondo corajosamente o grande dilema entre a aplicação da justiça sobre os juízes nazistas responsáveis pela condenação de milhões de pessoas inocentes na 2ª Guerra Mundial; em oposição a crescente pressão política dos capitalistas, temerosos pelo avanço comunista sobre a derrotada Alemanha nos primórdios da subjetiva "Guerra Fria". O filme conta a história fictícia do julgamento em 1948 dos líderes nazistas pelos crimes na 2ª Guerra de uma maneira fria, cruel e muito elucidante dos trágicos eventos ocorridos na Alemanha e os supostos responsáveis. Mas, também de uma maneira paternalista, com aquela visão americana dos fatos, em que tenta se passar à idéia de que os Estados Unidos são os verdadeiros heróis e juízes de toda a humanidade. Afinal, mesmo não sendo o país ideal para realizar um filme com tal conteúdo, é um filme que somente os Estados Unidos poderiam realizar com tal qualidade e investimento. O juiz Dan Haywood (Spencer Tracy, 1900-1967), morador do pequeno estado do Maine, interior dos Estados Unidos, é designado para chefiar o Julgamento devido à recusa de vários grandes juízes. Em toda a sua estada em Nuremberg, Haywood procura esclarecer fatos e dúvidas e ouve muitas histórias do período negro da história mundial. Desde as reminiscências do casal de criados alemães, até as amarguras da nobre e elegante Madame Bertholt (Marlene Dietrich, 1901-1992), que procura sempre mostrar que a Alemanha não é só crueldade e terrorismo. Ao longo de 178 minutos, o juiz Haywood vive o dilema de julgar um dos maiores casos da história sem se deixar levar por emoções ou opiniões próprias. A história ganha veracidade e força com cenas maravilhosas de tribunal. Em uma delas é exibido um filme avassalador que relembra os momentos de sofrimento e barbárie que sofreram os judeus nos campos de concentração, especificamente em Dachau e Belsen Buchenwald. São imagens fortíssimas de pessoas vivendo em condições sub-humanas aguardando serem assassinadas em grandes fornos ou em chuveiros que emitiam gases letais. Foram 2/3 dos judeus da Europa exterminados pelos alemães, de todos os países, principalmente, Holanda, França, Eslováquia, Grécia, Alemanha, Hungria e Polônia. Outra forma desumana encontrada pelo governo alemão de punir os "não aptos" foi a esterilização sexual. Pessoas comuns ficavam impossibilitadas de reproduzirem e os traumas eram irreparáveis. O grande dilema que persistia naquele momento singular da história mundial, pode ser percebido nos constantes questionamentos e comentários dos personagens ao longo do filme, como por exemplo: "... o mais importante é sobreviver, não é? Dá melhor forma possível, mas sobreviver.", dita pelo Brigadeiro Gal. Matt Merrin (Alan Baxter, 1908-1976); "... Qual foi o motivo dessa guerra (fria)?"; "No nosso país o medo da guerra é revivido... e devemos cuidar mais uma vez das nossas defesas. Fala-se em Guerra Fria, enquanto pessoas morrem em guerras reais. E os ecos da perseguição e atrocidades... não serão silenciados? ... É o dilema dos nossos tempos.", ditas pelo Coronel Edward Lawson (Richard Widmark, 1914); "Temos que saber perdoar, pois é impossível sobreviver com ódio no coração", dita por Madame Bertholt (Marlene Dietrich); "... chegou àquilo (o extermínio de milhões de judeus nos campos de concentração) da primeira vez que você condenou à morte um homem inocente.", dita pelo Juiz Dan Haywood (Spencer Tracy) ao Juiz nazista Ernst Janning (Burt Lancaster, 1913-1994) no diálogo final. Mas a intenção do diretor e produtor Stanley Kramer (1913-2001), ao elaborar "Julgamento em Nuremberg", não estava só em relatar as atrocidades ocorridas durante o Governo Nacional Socialista da Alemanha na Segunda-Grande-Guerra e muito menos puni-lo nas pessoas dos seus juízes. Não que o Nazismo não merecesse tal punição, mas o que Kramer realmente queria era alertar a humanidade para uma iminente guerra, que poderia resultar em mais uma devastadora tragédia mundial. Em 1961, quando o filme foi elaborado, a suposta "Guerra Fria" estava cada vez mais quente, provocando uma velocíssima corrida armamentista entre os EUA e a URSS. Diante desse quadro Stanley Kramer tenta proteger o mundo, valendo-se da sua ferramenta de trabalho: o cinema. O grande suporte desse filme obrigatório, é sem dúvida, o seu elenco formidável. Das 11 indicações ao Oscar que o filme recebeu, 4 foram só na categoria de atuação. Maximilian Schell (1930), como o advogado de defesa Hans Rolfe, levou a estatueta de melhor ator; o veterano Spencer Tracy foi indicado a melhor ator e dois dos maiores nomes de Hollywood que nunca ganharam o prêmio foram preteridos pela dupla de coadjuvantes George Chakiris - Rita Moreno, de "Amor, Sublime Amor" (61). Os dois são simplesmente, Montgomery Clift (1920-1966) e Judy Garland (1922-1969). Clift está estupendo como o alemão Rudolf Petersen e atua por cerca de 17 minutos, mas com uma intensidade poucas vezes vistas. Um grande erro da Academia. Judy Garland atua menos de 15 minutos, mas como o papel chave de Irene Hoffman que é convencida a testemunhar contra o juiz Ernst Janning (Burt Lancaster), que passa boa parte do filme calado, mas quando faz alguma intervenção é sempre marcante. Destaque para a memorável cena final em que Lancaster contracena com Tracy, um duelo de titãs. Ainda brilham, Richard Widmark numa atuação muito inspirada e uma charmosa Marlene Dietrich, que encanta quando traduz um trecho da canção "Lili Marlene". O filme ainda concorreu a melhor filme, diretor (Kramer), fotografia (Ernest Laszlo), figurino (Jean Louis), edição (Frederic Knudtson), direção de arte (George Milo e Rudolph Sternad) e ganhou na categoria de roteiro adaptado para Abby Mann que escreveu de sua própria peça. No discurso final do advogado de defesa, ele atribui também culpa pelo Holocausto promovido pelo governo alemão a Rússia, ao Vaticano, a Winston Churchill e aos industriais americanos, todos que de alguma forma contribuíram ou não impediram que a situação se agravasse. O que merece ser refletido, afinal o mundo conheceu um louco chamado Adolf Hitler, mas que foi auxiliado por alguns outros e, o mais grave, por outros que esperavam lucrar com a situação sem pensar nas atrocidades que seriam cometidas. Portanto, o filme de Stanley Kramer é um recado para a humanidade evitar novos conflitos mundiais, ainda mais iminentes na atual situação econômica, política e social que o planeta atravessa, onde centenas de milhões de pessoas vivem sem nada, enquanto uma minoria detém toda a riqueza do planeta. E, naquela época, os recursos naturais não estavam tão escassos quanto nos dias atuais, o que ainda pode ser mais um agravante para o novo milênio que se inicia. Vale pensar. O Diretor Nascido no Brooklyn, em Nova York, em 29 de setembro de 1913, Stanley Earl Kramer, pode ser considerado um diretor de extrema versatilidade e coragem, sendo responsável por uma diversificada gama de filmes, que vão desde a típica comédia tipo pastelão americana até obras de extrema carga dramática, com abordagem de temas de profunda seriedade como o nazismo e o racismo. Apesar de nunca ter visto uma obra sua premiada com o Oscar, nem nunca ter recebido a estatueta pelos seus trabalhos de direção, Kramer foi um nome sempre presente nas cerimônias, concorrendo três vezes como diretor e tendo quatro dos seus dezesseis filmes indicados. A sua primeira indicação ao Oscar foi em 1959 pelo seu terceiro filme elaborado, "Acorrentados/The Defiant Ones" (58), que concorreu para as categorias de melhor filme, diretor, dois atores principais Tony Curtis e Sidney Poitier, ator coadjuvante Theodore Bikel e atriz coadjuvante Cara Williams, mas só recebendo as estatuetas de melhor roteiro original e fotografia. A década de sessenta foi o grande período de Stanley Kramer, quando executou os melhores dos seus filmes, a começar por "Julgamento em Nuremberg/Judgement at Nuremberg" (61), que além de obter as indicações e conquistas já mencionadas, proporcionou ao próprio Kramer receber o prêmio Irving Thalberg, em reconhecimento a sua considerável contribuição para a produção das artes cinematográficas. Em 1963 o diretor reuniu um elenco estelar de comediantes e atores dramáticos na super-comédia "Deu a Louca No Mundo/It's a Mad, Mad, Mad, Mad World" (63), recebendo um único Oscar por melhores efeitos sonoros. Dois anos depois foi a vez de "A Nau dos Insensatos/Ship of Fools" (65) concorrer ao Oscar de melhor filme, ator principal Oskar Werner, atriz principal Simone Signoret e ator coadjuvante Michael Dunn, sendo premiado apenas por melhor fotografia. Mas o "canto dos cisnes" de Kramer foi "Adivinhe Quem Vem Para Jantar/Guess Who's Coming to Dinner" (67), indicado em 1967 para as sete categorias principais do Oscar, como melhor filme, diretor, ator principal Spencer Tracy (postumamente), atriz principal Katharine Hepburn, ator coadjuvante Cecil Kellaway e atriz coadjuvante Beah Richards, além do roteiro original. A premiação saiu para Katharine Hepburn e para o melhor roteiro. Stanley Kramer ainda continuou trabalhando até 1979, executando bons filmes, mas que de nada se comparavam aos elaborados na década anterior. Este excepcional diretor e produtor faleceu aos 87 anos, no dia 19 de fevereiro de 2001, vítima de pneumonia, em Woodland Iills, Califórnia EUA, deixando um legado de obras que indiscutivelmente enriqueceram o mundo cinematográfico e cada indivíduo que teve a oportunidade de apreciá-las.
Diário de um Jornalista Bêbado
O filme é bem feito, bem dirigido, mas não é nada interessante mesmo baseado numa histór...
por Renan, 14/02/2012 às 20:26
É um bom filme.
por Otávio, 14/02/2012 às 19:33
Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor
Filme recomendado. Análise: roteiro bom, atuações boas, fotografia boa, trilha sonora reg...
por NEO, 14/02/2012 às 18:55
...Muito bom o filme! Está entre os melhores na minha opinião!
por Gustavo, 14/02/2012 às 18:35