Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
"Uma
sátira impecável em cima do mercado hollywoodiano, brincando com
a maneira Hollywood de se fazer cinema. Robert Altman conduz o excepcional roteiro
de Michael Tolkin com uma maestria incrível, que é pouco encontrada
hoje em dia. O sarcasmo do filme é notável em cada diálogo
e situação, fazendo uma crítica pesada no modo com que
produtores se comportam perante a idéia de fazer um filme e mexer em
toda a criatividade de um roteiro, destruindo até sua idéia central
do roteirista, para agradar o público. Uma sátira engraçada
e séria ao mesmo tempo, onde ninguém é poupado.
A história é centralizada
em Griffin Mill (Tim Robbins), um produtor mesquinho, mentiroso e picareta.
Ele começa a receber cartões de ameaças, o que acaba lhe
perturbando um pouco. Intrigado em saber quem é que está lhe mandando
aqueles cartões, ele acredita ser um roteirista rejeitado e começa
a pesquisar fundo para tentar descobrir. Quando ele supostamente descobre quem
é o correspondente misterioso, acaba matando o roteirista. Adivinha?
Ele errou! Agora as ameaças continuam e a polícia está
em sua cola, e ele ainda se envolve com a ex-namorada do roteirista morto.
O roteiro de Michael Tolkin (baseado
em sua própria obra) é magnífico por uma mera razão:
o seu grande conhecimento cinematográfico! É impressionante o
número de citações sobre os clássicos do cinema
mundial. Só no começo do filme, discute-se "A Marca da Maldade",
de Orson Welles, passa por "Festim Diabólico", de Alfred Hitchcock,
entre tantos outros. Em um momento de grande importância do filme, o cinema
está passando o clássico italiano "Ladrões de Bicicleta".
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O engraçado é alguns pequenos diálogos que se envolvem
na saída do cinema, o produtor discutindo com o roteirista em fazer uma
refilmagem do filme... É bem engraçado notar o sarcasmo da cena.
A criatividade do roteiro não
barra apenas em citações e sátiras. Ele vai fundo em suas
idéias, criando uma trama intrigante e deliciosa de se acompanhar. Com
o excelente roteiro e com o Altman na direção, o resultado não
poderia ser mais satisfatório. Este filme vai muito além de uma
crítica ou uma sátira, é no geral uma aula de como se fazer
cinema com ousadia sem se regular no que pode estar por vir. Um raro filme completo.
"O Jogador" recebeu três
indicações ao Oscar, mas por infelicidade não ganhou nenhum.
Já em Cannes o filme se deu muito bem. Não dá para falar
tudo o que "O Jogador" pode render ao espectador, pois é um
filme que pode ser visto de diversas maneiras, mas todas chegam ao mesmo veredicto:
"O Jogador" é umas das maiores obra-primas da década
de 90."