Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 7:

"Talvez o melhor filme do superestimado Brian De Palma, que faz um filme cheio de erros e acertos. Errou feio ao infantilizar o roteiro detalhista e intrigante escrito por David Mamet. Colocou no filme algumas situações típicas de comédia, e acabou fazendo um filme mais para divertir do que realmente para se levar a sério. O roteiro de Mamet (diretor de "Deu a Louca nos Astros") é praticamente brilhante, apresenta boas intrigas e ainda aproveita bem cada personagem. Uma pena De Palma não ter percebido a seriedade do projeto, e o filme ficou uma misturada sem personalidade.

O roteiro merecia cair em mãos de um diretor melhor e que sabe intrigar o espectador. Uma sugestão minha seria o Oliver Stone (Coppola e Scorsese não valem, pois eles já fizeram seus clássicos do mundo da máfia). Infelizmente De Palma deixa datada toda cena que deveria causar surpresa no espectador, parece que ele subestima por completo qualquer poder de dedução do espectador, deixando tudo muito claro e direto, sem dar ao espectador qualquer chance de usar o cérebro. Mas se o diretor se saiu mal, como o filme conseguiu ser bom? Fácil! Pelo roteiro de Mamet, pelo elenco fabuloso e pela produção que poucos diretores tem em mãos.

A história é passada na Chicago da década de 30, quando a lei seca está em rigor e o gângster Al Capone (De Niro) faz fortuna com trabalho ilegal de bebidas. Conforme tragédias vão acontecendo, como a dolorosa morte de uma garotinha de 10 anos, o agente Eliot Ness (Kevin Costner) então começa BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> a investigar e tenta flagrar o esquema armado para a venda, mas acaba falhando. Mas ele não desiste e forma uma equipe, que é apelidada de "os intocáveis". Essa equipe é formada por quatro membros que são insubornáveis e que farão de tudo para conseguir provas para conseguir incriminar Capone.

O filme é pouco marcante, existe uma cena apenas excelente, que é quando Jim Malone (Sean Connery) usa um cadáver para botar medo em um contador. O resto Brian de Palma calcula demais, cria um visual muito bom, mas peca em não conseguir transmitir tudo aquilo que o roteiro projeta. Para quem quer ver um filme realmente sério sobre o assunto, só que com uma visão mais crítica e real, assista o "Scarface, A Vergonha de Uma Nação" de 1934 (que teve uma refilmagem feita por De Palma em 83, com Pacino no elenco).

Não poderia em meu comentário deixar passar em branco um comentário particular sobre o elenco, que basicamente carrega o filme nas costas. Kevin Costner em boa fase carrega bem a trama, mas não chega a estar tão bem quanto o Sean Connery, que é o melhor entre o intocáveis. Andy Garcia chegou muito perto, mas seu personagem não tinha a mesma força na trama e Robert De Niro vivendo um Capone seguro e assustador, De Niro, seja vivendo o mocinho ou o vilão da história, sempre está perfeito. Produção merece destaque também, principalmente pela incrível trilha sonora de Ennio Morricone, que conseguiu se adaptar a irregularidade de Brian de Palma.

"Os Intocáveis" é um filme fácil de se assistir, a falta de precisão do diretor é compensada pelo carisma do elenco e contornada pela trilha sonora. Só que para um assunto tão sério esperava um filme mais sério também. Para quem procura filmes de gângsters provavelmente deve encontrar coisas melhores. É injusto comparar esse filme com "O Poderoso Chefão", mas se tratando de máfia, o Chefão domina fácil, fácil..."