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Sou suspeita para falar de filmes onde o gênio Hitchcock dirige. "Notorious" não é o meu filme preferido de sua obra, mas vale salientar que é um filme com um grande elenco e uma tomadas de camêra feita como ninguém por esse mestre. Vale a pena assistir." |
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Já disse o Falcão: "Homem é homem, menino é menino... E eu digo, mestre é mestre. Tem caras que deveríam ser eternos. Destes por certo faríam parte o velho Hitch e a magnífica Ingrid Bergman. Pena que ele teve seu ostracísmo na Itália. O Cary Grant tinha uma cara de sonso, mas dava seu recado. Bom filme, além de falar na cidade maravilhosa. |
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Considerado um dos melhores de Hitchcock, não por acaso. Lembra bastante Casablanca, tanto por ser também uma mistura de romance com política e guerra (embora este seja mais um thriller), quanto por ter 2 de seus atores no elenco, Rains, que naquele intepretava o cínico capitão Renault de maneira perfeita, tem outro grande desempenho como Sebastian, o chefe das operações nazistas, um homem vulnerável e dominado por sua mãe (como Norman Bates, embora de maneira bem diferente). É o 3° componente do triângulo amoroso, e é irônico que, se em Casablanca o que impedia que a personagem de Ingrid Bergman e seu misterioso e taciturno amado ficassem juntos era, além da função do marido dela, líder da resistência nazista, a personalidade admirável deste, aqui é justamente isso que estimula ainda mais o romance dos protagonistas, afinal ninguém se importa muito com o coração de um nazista (embora este não seja retratado como um cão raivoso, o que é freqüente), e o que dificulta a relação do casal principal é o trabalho de Alicia e sua própria personalidade. É difícil pensar em outro papel feminino tão complexo, controvertido e liberal na época, auge do domínio do código de produção em Hollywood, que não permitia qualquer referência explícita a coisas `imorais` de qualquer forma que não fosse negativa (em alguns casos, nem assim): Alicia é notória pelo alcoolismo e promiscuidade (essa última, só sugerida). Impulsiva, acaba se apaixonando pelo agente que a recrutou e é usada por este para obter informações. A interpretação da atriz sueca, a maior estrela do cinema mundial naquele momento, é muito boa, uma das melhores de sua carreira, e ela também se mostra tão sexy quanto era possível para o período. O polêmico código, que também proibia beijos que durassem mais de 3 segundos, é burlado aqui de maneira inteligentíssima em uma seqüência que se passa num quarto de hotel. Misturando diálogos e contato visual entre eles, faz com que a seqüência de beijos dure não 3 segundos, mas 3 minutos(!) O principal tema do filme é a confiança: Devlin ama Alicia, mas não confia nela, e apesar, ou talvez por isso, a manipula sem hesitação para obter o que deseja, ainda que sua amada tenha que manter relações sexuais com outro. Já Alicia nunca tem dúvidas do homem pelo qual está apaixonada, e por isso não percebe que é um instrumento para que este descubra o que deseja de outro homem que a ama e este sim, acredita nela, mas também está sendo usado,e não dá crédito à sua mãe, que o alerta para o perigo. Ambos confiam na pessoa errada e não em quem confia neles. Hitchcock mostra mais uma vez seu domínio da técnica, com tomadas brilhantes, como o close na mão trêmula de Alicia segurando uma chave e outro num café que a personagem descobre estar envenenado. Merece também destaque a cena em que Devlin, tentando convencê-la a trabalhar como espiã, colocando uma gravação que mostra como ela é patriótica, apesar de negar; no início da gravação, ela está na sombra; conforme continua, Alicia vai avançando e no fim da está na luz, numa seqüência inteligente e até poética. Os últimos minutos parece um tanto inverossímeis, mas a última cena do filme é tão bela e triste que compensa. O diretor demonstra aqui, como também faria posteriormente em outros filmes, principalmente na sua obra-prima maior, Um Corpo que Cai, que a alcunha de mestre do suspense não lhe faz jus: ele é um gênio de sua arte e, acima de tudo, um grande conhecedor do comportamento e das relações humanas. |
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Mais do que bom, Hitch é simpático. Ao assistir, "Interlúdio" eu não julguei como ruim, ou bom, ou muito bom. E sim, como um programaço, sem qualqer vestígio de alienação. E, eu acho que isso é muito importante, você querer agradar o público, assim como Hitch faz. Ainda mais mostrando o Rio de Janeiro, fiquei muito orgulhoso de morar aqui no Brasil. |
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Muito bom. É difícil enterder como um filme de 1946 pode ter planos tão originais e inteligentes. Gosto muito do plano em que Alicia (Ingrid Bergman) está deitada e vê Devlin (Cary Grant). Devlin aparece no ponto de vista de Alicia e conforme ele vai se aproximando, a câmera vai girando e ele fica de cabeça para baixo e em seguida, a câmera completa os 360° e Devlin volta à posição normal. Também adoro o fato de o filme passar no Rio de Janeiro. Um filme no qual a história se passa num país como o Brasil é uma grande ousadia para a época. |
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