Carlos Massari (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 5:

"Parece que depois do magistral "A Cor Púrpura" o diretor Steven Spielberg tomou gosto pelos dramas e filmes mais "adultos". Ele passou a fazê-los errado escancaradamente. Talvez fosse a necessidade de ganhar o Oscar, talvez fosse a maturidade cinematográfica, mas só uma coisa é certa: Spielberg se tornou um dos reis da pieguice mundial. E o excesso de pieguice desse filme chega a espantar o espectador, cenas desnecessárias, arrastadas (como aquelas nos caminhões) e onde a emoção dá lugar à melação e acaba ficando quase insuportável. Mesmo assim, "Império do Sol" não é um filme de se jogar totalmente fora.

O cenário é a China. O período, a Segunda Guerra Mundial. Somos apresentados à uma família rica inglesa que está na China durante a ocupação. Certo dia, o filho mais novo se perde dos pais e acaba sendo levado para um campo de prisioneiros, onde tem que superar todas as dificuldades e deixar a infância de lado para poder sobreviver à dura realidade. Logo ele conquista todas as pessoas do local e consegue um certo destaque.
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Não há como negar que o filme possui seqüencias antológicas. A perseguição no rio é muito boa mesmo. Mas Spielberg caiu na vala mais comum da sua carreira: o sentimentalismo exagerado e, em certas partes, desnecessário. Ele é um bom diretor, mas tem esse terrível problema. Não há dúvidas que "A Lista de Schindler" e "A Cor Púrpura" são geniais, mas são os filmes onde ele emociona sem ser piegas. Aqui, ele não consegue fazê-lo e torna algumas partes insuportáveis, porque o roteiro também é um pouco piegas. Baseado no livro auto-biográfico de J.G Ballard, contribui para o processo de Spielberg. Lamentável, pois como em todos os filmes do diretor, a parte técnica é perfeita, fotográfia, direção de arte, trilha sonora, tudo perfeitamente constituído. Acho que Spielberg tem esse único defeito, que pode muito bem ser contornado.

O elenco tem o ex-ator mirim Christian Bale, faendo o possível para uma grande interpretação e provando que Haley Joel Osment não é o pioneiro nisso (lógico que nem Bale é). O conhecido John Malkovich está bem como um amigo dos campos de prisioneiros. Todo o elenco está bem e Bale prova isso nas cenas de delírio com seus aviões, que eram a grande paixão do garoto.

"Império do Sol" está muito longe de ser o melhor filme de Spielberg. Peca por ser extremamente arrastado - a história dava para um filme de 100 minutos -, por ser também exageradamente piegas. Mas vale por ser bom tecnicamente. Se quiser assistir um filme sobre prisioneiros da Segunda Guerraé uma boa pedida, caso contrário pode ser um bom sonífero. Mas, sim, é um filme regular e assistível."