BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> Críticas - A Identidade Bourne
Carlos Massari, Leitor do Adoro Cinema - Nota 6:

"Em uma época na qual o gênero "thriller de espionagem" é definido, em sua maioria, por lixos execráveis como XXX - TRIPLO X, é louvável a atitude do jovem diretor Doug Liman (VAMOS NESSA) em criar algo que não se limite apenas a clichês e pessoas musculosas praticando snowboard em uma tempestade. A IDENTIDADE BOURNE pode não ter a elegância dos antigos filmes de 007, mas pelo menos consegue manter um ritmo coeso e que prende a atenção do espectador. Se antigamente os valores morais de cada personagem eram julgados de maneira impetuosa (Vide OPERAÇÃO FRANÇA), a obra de Liman é unicamente baseada na diversão através de situações menos batidas que no comum. Pois original o filme também não é. Sua seqüência de maior repercussão é uma perseguição de carros nas avenidas de Paris - Mas ao invés de possuir cinco centenas de batidas e manobras radicais, é uma coisa simples, que pode até (levemente) se encaixar na realidade. Um homem sem memória (Matt Damon, de GÊNIO INDOMÁVEL) é encontrado no litoral de Marselha, e tem como única pista sobre sua identidade o número de uma conta milionária implantada na Suíça. Após muito viajar, ele chega ao local e encontra uma incógnita imensa: Possui centenas de passaportes com nomes diferentes, armas, dinheiro e é perseguido pela polícia. Na luta para descobrir quem é, alia-se a uma mulher também americana (Franka Potente, de ANATOMIA) que teve seus bens confiscados. O principal mérito de A IDENTIDADE BOURNE é a direção segura de Liman. Sempre ele está mais preocupado em manter a estrutura do filme coerente que em filmar cenas de ação escandalosas. O diretor recebe ajuda gigantesca da brilhante fotografia de Oliver Wood (A OUTRA FACE), uma das mais lindas do ano. Infelizmente, o roteiro da produção é um pouco comprometedor. O principal problema é a velha mania de subestimar a inteligência do público. Em certo momento, Matt Damon, sozinho na sala, pega um documento escrito "Jason Bourne", com uma foto sua. Mesmo com todo mundo percebendo o que aquilo significa, ele tem que concluir em voz alta: "Meu nome é Jason Bourne!" Mas a principal intenção do filme prevalece: As doses de adrenalina são constantes, a cena que se sobressai é o tiroteio do final, que é filmada com uma precisão que remete aos tempos de OS INTOCÁVEIS. A semelhança com a cena na estação de trem no filme de Brian DePalma é incrível. No elenco, Matt Damon surpreende como astro de ação. Mesmo sendo pequeno, cai como uma luva no papel de "anão briguento". Já Franka Potente, que já salvou filmes como PROFISSÃO DE RISCO, segue demonstrando talento. Sua personagem é extremamente rasa, mesmo fugindo um pouco de clichês, permanece atolada apenas na presença física. É outra falha do roteiro, que ainda lota a produção de caracterizações desnecessárias. Aliás, difícil de entender o que Julia Stiles faz no filme, aparecendo em meia dúzia de cenas, limitando-se a dizer dois diálogos! Mas, no final das contas, A IDENTIDADE BOURNE é um thriller extremamente bem realizado, que prende a atenção por não ser apenas mais uma repetição do "ESPORTE ESPETACULAR", da Globo. Vale uma conferida para quem quiser ver perseguições de carros que não lembrem mais a Fórmula 1 que qualquer outra coisa."