O último dia do Festival de Cinema de Berlim é coroado com os berlinenses invadindo os cinemas. A entrada custa 6 euros (aproximadamente 18 reais). Claro que preços populares atraem também aqueles fãs de baldes de pipoca XXL, chicletes, enfim, aqueles que adoram comer no escurinho.
O povo alemão, muito econômico para dizer o mínimo, tem como praxe trazer as iguarias de casa: biscoito, sanduíches, pão com salame, banana, tangerina e tudo o que a imaginação do cinéfilo-farofeiro permite. Este fato leva os assíduos do festival, acostumados com total concentração durante os filmes, à beira da loucura. Instiga instintos animalescos, já bem longe dos âmbitos da legalidade. Perigo de briga, clima pesadíssimo. A disputa pelo braço da poltrona pode virar caso de polícia. Sem falar nos outros freaks que ficam fungando o tempo todo. A outra decide tirar uma banana da bolsa, descascá-la lentamente num formato ritualístico em slow motion, sem ter qualquer resquício de preocupação em deixar a fileira toda empesteada de cheiro da fruta sagrada do Planeta dos Macacos.
A outra por sua vez inicia o seu programa domingueiro de beauty e começa a passar o creme nas mãos, contribuindo com a sua parte no quesito empestear a sala de cheiros inapropriados. O outro então, que já há tempos engoliu a bala, não conseguie de jeito nenhum se separar do papel que sobrou. Aquela partícula mínima de polietileno circula em cadência exata e precisa na palma da mão da criatura. Tudo isso torna impossível se concentrar na tela, que, por incrível que pareça, é o mais importante. Atrás de mim uma menina com uma sacolinha cheia de drops. De quando em quando ela tirava do colo um. Cada vez que isso acontecia eu tinha que me segurar na poltrona para não cometer uma loucura do tipo tirar o saquinho de plástico da mão dela e jogar ao léu, espalhando um monte de drops pelo cinema.
Depois do lindo filme Lili Marleen, do enfant terrible da sétima arte alemã Rainer Werner Fassbinder, seria exibido Central do Brasil. Muita inquietação no cinema, com pessoas chegando atrasadas, procurando lugares e discussão, porque a cabeça de um era grande demais. Este negou o pedido da alemã do meu lado, para abaixar a cabeça e "mergulhar no fundo da poltrona". Ele se via no direito dele. Pagou o ingresso e tem direito de estar ali. Cabeça pequena ou do tamanho do incrível Hulk. O resto não importa.
Enquanto os dois iniciavam um barraco, o trailer já rolava na tela e uma senhora, aparentemente responsável pelo cinema, apartava os dois como se tratassem de crianças de picuinha no jardim de infância. Ao meu lado, chegando atrasado, sentou um cara altão e quando vi o tamanho de sua mochila já imaginei a minha desgraça. Era um caso daqueles típicos piqueniqueiros de domingo. Ele começou a tirar a Coca-Cola em lata (sem deixar de fazer o show com o barulhinho de abrir), depois tirou o saco de biscoito e lá iniciou aquele barulho que faz vir à superfície instintos assassinos e até agora desconhecidos.
Enquanto isso já rolavam na tela as cenas da Central do Brasil. Abriam-se as portas dos trens, de onde saíam multidões, o movimento da estação filmado de cima, aquele burburinho. A Dora já molhava a mão do segurança da Central, vivido por Otávio Augusto.
A minha idéia de pegar essa rebarba do finzinho do festival foi me sentar na poltrona e viajar junto com Dora e Josué, mas o público inquieto não me permitia este prazer, mesmo depois de tantos dias exaustivos, intensos de trabalho e inúmeras entrevistas e muitos, muitos filmes. O clima no cinema era disperso, desatento. Ao meu lado um casal falava uma língua que eu não conseguia decifrar. Talvez húngaro ou uma língua daquelas redondezas.
Depois de um certo acalmo consegui, a trancos a barrancos, finalmente me concentrar na tela. Esse road movie faz a gente viajar, mas nada se iguala ao momento em que Fernanda Montenegro aparece em close na tela. É gigante! É fenomenal! Nem os filmes de Michelangelo Antonioni, nem os closes de Sergio Leone em Era Uma Vez no Oeste. Vale mencionar que a tradução deste filme em alemão é: Toca pra Mim a Canção da Morte.
Lembro-me de quando, em 1998, Central do Brasil foi exibido em Berlim. O redator de cinema do mais importante jornal da cidade, o Tagesspiegel, escreveu assim: "Eu me apaixonei pelos olhos esbugalhados dessa mulher". Não é para menos. Quando Fernanda aparece na tela é de tirar o fôlego, dar um frio na espinha, deixar boquiaberto.
A temática de Central continua muito atual, além de tratar de um tema muito presente em todas as seções do festival deste ano, aparentemente questões comuns do período pós-moderno em que vivemos: a procura da identidade, o auto-conhecimento em grande intensidade, as catástrofes do dia a dia. Fernanda é mais do que uma atriz numa tela de cinema. Ela é um vislumbre que deixa qualquer crítico sem palavras, abobalhado e atônito de ver como uma única expressão do rosto da nossa primeira dama da dramaturgia desvenda verdadeiras enciclopédias em histórias, sentimentos, passado, presente e futuro. Um verdadeiro banquete para os olhos, não fossem estes paladares mundanos com seus drops, bananas, tangerinas e cremes amaciantes para as mãos.
A alemã ao meu lado, antes do grandão chegar, não parava de falar um só minuto. Isso e aquilo. Minha amiga turca, sentada do meu lado direito, segurava o riso quando toda vez que a alemã se dirigia a mim eu virava a cabeça, como se estivesse procurando alguém. Para chegar a este ponto é que já cheguei ao meu limite e só não explodi porque senão ia sair foguete pra todo lado.
Esta mulher, com seus 50 anos, era magra, loura de cabelos ao ombro e tinha um ar amargo. Daquele tipo de pessoa que não vê a vida lá muito cor de rosa, para dizer o mínimo, já que o berlinense por natureza não é de galhofada, não é nada easy going e muito menos de jogar conversa fora. O berlinense reclama de tudo, não por um fato propriamente concreto mas como princípio, way of life. E ela também era assim. Reclamava que não havia conseguido ingressos, isso e aquilo. Graças aos deuses, vagou uma poltrona ao lado e ela se mudou. No seu lugar veio então o piqueniqueiro de domingos. Difícil dizer qual é o pior.
Ah! Quase me esqueci que descobrimos que ela tinha batatas fritas compradas no McDonald's e dizia estar com muita fome. Eu disse: "Tudo bem, mas come agora! Antes de começar o filme!" Vale mencionar que as batatas do McDonald's não são crocantes como as caseiras. Parecem mais uma borracha amarela, muito mole e, por consequência, não faz barulho, mas tem o maldito cheiro de gordura (fria!), que sai voando para debaixo do meu nariz. Ela ainda retrucou e disse: "Mas é proibido". Eu retruquei: "É proibido com a luz acesa e apagada. Não faz diferença. Come aí!"
Os meus olhos procuravam desesperados a cena em que ela finalmente abriria o saco do McDonald's. Foram uns três minutos de suspense, mas finalmente começou ela a degustar a borracha amarela. São nestas horas que você pensa que o mundo está todo equivocado. Claro que tem a cultura dos imensos baldes de pipoca e tudo mais. São estes fatores socializadores dos EUA que infectaram a maioria. Mas para que então ir ao cinema, me pergunto? Por que não ficar num barzinho tomando um chopinho e comendo o que quiser ou ir no shopping, onde de qualquer forma não se pode conversar, porque o barulho é insurporável. Este é o lugar ideal para comer, comer e comer. Cinema, penso eu, é um lugar de caráter quase religioso. Você entra ali para tomar parte da história de alguém, chorar com alguém, rir com e de alguém. Existe toda esta sintonia e cumplicidade e aí não há espaço para produtos mundanos e de altíssimo teor calórico!
Nem mesmo as cenas de Dora escrevendo a carta para Josué fizeram a mulher de cabelos pretos longos largar do maldito saquinho de drops. Maldito sim! Eu silenciosamente pedia a Deus para ela engasgar e por, assim, fim naquele suplício. (Olha aí o instinto assassino) Pensei também em algo que vi um alemão certa vez fazer. Ele, em dialeto berlinense, gritou: "Picknick machen wa erst später!!!" "Piquenique a gente faz mais tarde!" Não fui tão corajosa. Quando a ira é tamanha, como no meu caso, é provável jogar pra fora do gol e perder o jogo. Então fiquei na minha e tentava me concentrar no filme, ao mesmo tempo não querendo que ele chegasse ao fim.
Seria o fim do festival. O último filme e na segunda feira cairíamos (como em todos os anos anteriores) em um verdadeiro buraco vazio. Cadê os filmes? Cadê as coletivas? E o material de imprensa? E as conversas com jornalistas na seção prévia do filme? A segunda feira é sempre barra pesadíssima.
No desespero total, liguei então para um diretor brasileiro o qual no dia anterior, por questões de atraso, não tinha conseguido entrevistar. Liguei para o celular dele e o mesmo se encontrava no táxi, em direção ao aeroporto. Ainda tive a esperança que, devido à greve da Lufthansa, o voo tivesse sido adiado e pudéssemos nos encontrar, mas não. Mesmo com greve, aqui neste país, as coisas funcionam. Argh!
Depois de desejá-lo boa viagem, desliguei o telefone e entendi, com a mente e o coração, que a Berlinale acabou. Finito. Schluß. Aus. Aproveitei e fui comprar uma nova bicicleta, já que a minha durante o festival me deixava toda hora na mão. Depois de pensar bem a batizei de Firmina. Não sei porque, mas cai bem. Daqui há pouco já estarei de novo no cinema, às 13 horas, horário local, na exibição para a imprensa de um festival que inicia em março.
Depois de sair do cinema no domingo, estava tão zureta que pela primeira vez não conseguia me lembrar onde havia deixado a minha bicicleta. Depois de uns 15 minutos agindo como barata tonta, achei a velhinha que já está, desde segunda feira, aposentada. O cenário era de muita, muita névoa. Não se enxergava quase nada. Sem falar no frio misturado com pingos de chuva. Passei pela última vez frente ao Berlinale Palast, onde rolava a última exibição para o público, e mal conseguia ver o urso vermelho, tal era a quantidade de névoa. A única coisa que consegui ver foi o telão, que fazia propaganda do Blue Men. Lembrei que uma companhia telefônica no Brasil, a Tim, usa inflacionariamente esses três E.Ts. azuis como gancho em seus anúncios. Sorri sobre a agressividade de certos marqueteiros.
Atravessando aquele nevoeiro, vim pra casa repetindo baixinho: "Acabou... não acabou... acabou... não acabou..."
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Bruno
Carlos Eduardo da Silva
Eduardo Santiago
John Hammond
Marcio
Vanderlei Iluvatar
Bruno Tamburro
Rachel Lottia
Felipe Neto
Rodolfo
Édson Luiz Lauria
Lucas Birolli Abrahão
Ivo Pereira Tromm
Édson Soares
Urbano
Ronald Perrone
Marco Túlio Vilela
Christian Jafas
João Luiz
Marcelo Zerbes
Cristiano Dalpizolo
Adriana Camposa
Marcelo Meyer
Diego
Luciano
Miriana
Victor Fernandes
SERGIO
Leonardo Renan
Wesley Pereira de Castro
Jailton
○• Dan ! •○™
Fraco... pelos Efeitos Visuais... deixam a desejar as atuações...
Ivan Silva
Eu assisti a esse filme!
Ele não é uma obra prima dos quadrinhos adaptados, mas ainda assim comove os fãs do gigante esmeralda!
Caius
A intenção do filme é boa, mas não funcionou mt. As cenas de ação são legais, salvou o filme.
Paty
Fantastica produçao da UNIVERSAL mas uma vez ne?Filme maravilhoso,com muitos efeitos de se encher os olhos,o segundo da serie tambem e otimo.RECOMENDO.
Bizungo
'''HULK''' é um Filme Muito Bom e uma das Adaptações que eu mais gosto que é FIEL em Muitos Aspectos aos GIBIS do Hulk apesar de em outros não,Ang Lee faz um expecional Trabalho em Hulk mostrando rapidamente e sem enjoar os Eventos do Passado de Bruce Banner que envolvem as causas que envolvem As suas Transformações em Hulk e depois já vai para O Periodo Adulto do Bruce Banner onde ocorre aquele acidente no Laboratorio envolvendo A Explosão com Radiação Gama onde O Bruce alem de Infectado isso acaba liberando o que já tinha para ele se transformar alem de já possibilitar que ele Se Transforme em HULK por completo (e por falar nessa cena ela é Muito Bem Feita e Muito Parecida com Os Gibis O Filme todo é bem parecido com Os Gibis já que ele é feito e Dividido em formato das Histórias em Quadrinhos sendo assim áte Os Creditos Finais mais um Ótimo Trabalho de Ang Lee,e a Trilha Sonora esta Impecavel tambem representado bem O Filme e é uma das Melhores de todas ao lado das dos Filmes do Homem-Aranha e a do Homem de Ferro,Arquivo X entre outras,e o Elenco tambem estar Ótimo e de Parabens,e os Personagens tambem estão Ótimos e Muito Bem Interpretados Principalmente O Bruce Banner/Hulk,Betty Ross,David Banner e o General Thunderbolt Ross,e so Efeitos Especias são Muito Bons Tambem e O Final tambem é excelente como todo O Filme A
'''HULK''' é um Filme Muito Bom e uma das Adaptações que eu mais gosto que é FIEL em Muitos Aspectos aos GIBIS do Hulk apesar de em outros não,Ang Lee faz um expecional Trabalho em Hulk mostrando rapidamente e sem enjoar os Eventos do Passado de Bruce Banner que envolvem as causas que envolvem As suas Transformações em Hulk e depois já vai para O Periodo Adulto do Bruce Banner onde ocorre aquele acidente no Laboratorio envolvendo A Explosão com Radiação Gama onde O Bruce alem de Infectado isso acaba liberando o que já tinha para ele se transformar alem de já possibilitar que ele Se Transforme em HULK por completo (e por falar nessa cena ela é Muito Bem Feita e Muito Parecida com Os Gibis O Filme todo é bem parecido com Os Gibis já que ele é feito e Dividido em formato das Histórias em Quadrinhos sendo assim áte Os Creditos Finais mais um Ótimo Trabalho de Ang Lee,e a Trilha Sonora esta Impecavel tambem representado bem O Filme e é uma das Melhores de todas ao lado das dos Filmes do Homem-Aranha e a do Homem de Ferro,Arquivo X entre outras,e o Elenco tambem estar Ótimo e de Parabens,e os Personagens tambem estão Ótimos e Muito Bem Interpretados Principalmente O Bruce Banner/Hulk,Betty Ross,David Banner e o General Thunderbolt Ross,e so Efeitos Especias são Muito Bons Tambem e O Final tambem é excelente como todo O Filme A Luta entre Pai e Filho é Ótima e O Final é Muito Bom por mostrar que O Bruce Banner estar Fugindo e que continua sendo O Hulk e mostra como ficaram Os Personagens Betty Ross e o General Thunderbolt Ross e já deixa a ponta solta para uma Sequencia e mais outras e Enfim A Forma que O Ótimo Diretor Ang Lee desnvolveu a Trama foi Muito Boa e que áte o Fim ele Revelou todos Os Mistérios criando uma História bastante Profunda só não Ganha 5 Estrelas pelas Vezes que não foi Fiel aos Gibis mais Ganha 4 Estrelas e mesmo Assim esse Filme é Muito Bom e um dos Meus Favoritos.
Bizungo
CORRIGINDO O MEU COMENTÁRIO É SO ISSO AI:
'''HULK''' é um Filme Muito Bom e uma das Adaptações que eu mais gosto que é FIEL em Muitos Aspectos aos GIBIS do Hulk apesar de em outros não,Ang Lee faz um expecional Trabalho em Hulk mostrando rapidamente e sem enjoar os Eventos do Passado de Bruce Banner que envolvem as causas que envolvem As suas Transformações em Hulk e depois já vai para O Periodo Adulto do Bruce Banner onde ocorre aquele acidente no Laboratorio envolvendo A Explosão com Radiação Gama onde O Bruce alem de Infectado isso acaba liberando o que já tinha para ele se transformar alem de já possibilitar que ele Se Transforme em HULK por completo (e por falar nessa cena ela é Muito Bem Feita e Muito Parecida com Os Gibis O Filme todo é bem parecido com Os Gibis já que ele é feito e Dividido em formato das Histórias em Quadrinhos sendo assim áte Os Creditos Finais mais um Ótimo Trabalho de Ang Lee,e a Trilha Sonora esta Impecavel tambem representado bem O Filme e é uma das Melhores de todas ao lado das dos Filmes do Homem-Aranha e a do Homem de Ferro,Arquivo X,O Justiceiro,O Justiciero: Em Zona de Guerra, entre outras,e o Elenco tambem estar Ótimo e de Parabens,e os Personagens tambem estão Ótimos e Muito Bem Interpretados Principalmente O Bruce Banner/Hulk,Betty Ross,David Banner e o General Thunderbolt Ross,e so Efeitos Especias são Muito Bons Tambem e O Final tambem é excelente como todo O Filme A Luta entre Pai e Filho é Ótima e O Final é Muito Bom por mostrar que O Bruce Banner estar Fugindo e que continua sendo O Hulk e mostra como ficaram Os Personagens Betty Ross e o General Thunderbolt Ross e já deixa a ponta solta para uma Sequencia e mais outras e Enfim A Forma que O Ótimo Diretor Ang Lee desnvolveu a Trama foi Muito Boa e que áte o Fim ele Revelou todos Os Mistérios criando uma História bastante Profunda só não Ganha 5 Estrelas pelas Vezes que não foi Fiel aos Gibis mais Ganha 4 Estrelas e mesmo Assim esse Filme é Muito Bom e um dos Meus Favoritos.