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Carlos Massari, Leitor do Adoro Cinema - Nota 1:

"Qualquer cineasta que vá refilmar uma obra de Frank Capra deve ser extremamente cauteloso, ainda mais quando este cineasta é Steven Brill, responsável por atrocidades como LITTLE NICK - UM DIABO DIFERENTE e O PAIZÃO. Aqui, a intenção de trazer às telas uma nova versão de O GALANTE MR. DEEDS, uma das menos expressivas fitas de Capra, acabou da maneira que todos imaginavam: Absolutamente desastrosa. Como todos nós sabemos, o clima que Capra dava a todos os seus filmes era de fábula, onde a felicidade estava acima de qualquer coisa. Brill, por sua vez, tem um perfil totalmente contrário, onde sua principal característica é o exagero de humor baixo, situações constrangedoras, transformando qualquer roteiro bem intencionado em um mero filme pipoca voltado às bilheterias. Ainda assim, a coisa mais louvável nesse A HERANÇA DE MR. DEEDS é que podemos perceber uma mudança no perfil de Brill - Ele tenta, ao menos, passar um clima mais calmo, com cenografia elegante e sem piadas voltadas totalmente para o lado escatologista. Deeds (Adam Sandler, de O PAIZÃO) é um mero dono de pizzaria com tendência a escrever poemas de uma cidadezinha do remoto interior estadunidense, chamada Mandrake Falls. Um dia, ele recebe a notícia que seu tio, o homem mais rico de Nova York, morreu, deixando-lhe US$40 Bilhões. Deeds, sem a menor experiência em administração de empresas, achando que existe um mundo perfeito onde vai conseguir moças virgens para se casar (!!!!!! - Clima de fábula exagerado mantido da obra de Capra), cai em diversos golpes de interesseiros. Ente esses interesseiros, está a moça pela qual ele se apaixonará (Winona Ryder, de GAROTA INTERROMPIDA) - Uma jornalista que não tem nada de "virgem", muito menos "pura". A analogia sobre a inocência de Deeds é disseminada pelo novo roteiro. Infelizmente, o que presenciamos é uma interminável sucessão de clichês. Na exata evolução estética de filmes como O DIÁRIO DA PRINCESA (Um dos cinco piores deste ano), vemos a transição de "bobalhão" em "espertalhão", com direito a um grande amor, a muito sofrimento (Pieguismo digno de novela mexicana) e até mesmo à liçãozinha de moral no fim! Se ao menos funcionasse na parte das piadas, A HERANÇA DE MR. DEEDS poderia ser levado em consideração. Mas o limite que a inteligência dos roteiristas atinge é o de fazer piadas sobre o "amor" e o grau de ignorância de Deeds (Que, inevitavelmente, funciona de maneira inversa). Em certo ponto, o meio termo indeciso entre a comédia e a fábula torna-se tão irritante que o espectador pensa unicamente em abandonar a sala de cinema. O filme se transforma em um marasmo total, onde não existe graça e muito menos poder reflexivo. O momento mais relevante (Talvez o único) na parte cômica da produção é a participação do tenista John McEnroe, que se une a Deeds para "jogar pedras nos carros das ruas". Humor sarcástico inteligente e, proporcionalmente, necessário ao filme. A presença de Adam Sandler não é comprometedora. Aqui, ele não destila suas piadas ou caretas insossas para tentar parecer um novo Jim Carrey - Está mais humilde, o que é um sinal de avanço. Winona Ryder, por sua vez, aparece de maneira absolutamente inexpressiva. Nem mesmo a técnica, que pretendia alcançar uma cenografia cativante, chega a algum lugar. A trilha sonora de Teddy Castelucci (GIGOLÔ POR ACIDENTE) é inócua como sempre. Portanto, A HERANÇA DE MR. DEEDS é um tremendo erro. Filmografias como a de Frank Capra deveriam ser respeitadas e intocadas, para que não ocorram mais aberrações como esta. Apenas para fãs de Adam Sandler (!)."