Roberto Cunha, Colunista do Adoro Cinema - Nota
7:
"Adam
Sandler é um fenômeno. Pelo menos nos Estados Unidos, isso é
incontestável. O carisma que o ator exerce sobre o público é
mesmo impressionante a ponto de transformar filmes simples como esse, em um
mega sucesso. Se você ainda está na dúvida, basta olhar
os mais de US$ 125 milhões que o filme faturou por lá. Essa é
a segunda dobradinha de Sandler com o diretor Steven Brill. Os dois trabalharam
antes em Little Nicky, Um Diabo Diferente, mas os US$ 40 bilhões de Herança
de Mr. Deeds provaram ser mais atraentes.
Longfellow Deeds (Sandler) mora na
pequena Mandrake Falls onde é dono de uma pizzaria que é o point
local. O motivo: o cara é gente boa para caramba e ainda recita uns cartões
em forma de poema que fazem a alegria dos presentes. Essa iniciativa, na verdade,
é um sonho que o personagem quer realizar na vida, mas se transforma
mesmo num grande merchandising da tradicional Hallmark. Um belo dia, aparecem
na cidade dois figurões procurando por ele para comunicar que um parente
para lá de distante deixou uma fortuna em ações de um conglomerado
de comunicação. Até aí, tudo bem, mas o problema
é que Deeds não conhecia o tal milionário e nem se abala
com o tamanho da fortuna. É exatamente aí que reside o verdadeiro
sentido dessa fábula moderna e bem humorada.
Deeds se muda para Nova York com
o intuito de negociar suas ações com os dois figurões e
voltar para a sua vidinha - esse era o plano - na sua pequena cidade. Os executivos,
claro, são dois picaretas que estão de olho na grana que vão
ganhar ao passar a perna no caipirão. Era evidente que o jeitão
de Deeds iria encantar os funcionários do falecido milionário,
era evidente que isso poderia se transformar num problema para os vilões
e era evidente que os espectadores iriam aceitar isso tudo numa boa. Lembre-se:
é uma fábula. E estava faltando a presença de uma moçinha
até que surge Winona Ryder, na forma de uma vilã que trabalha
num programa sensacionalista da TV. Pronto! Os elementos estão todos
aí. O herói, os vilões e muita película para contar
essa história.
O que causa um certo espanto é
a maneira como o caipirão lida com a nova vida. Sempre de uma maneira
infantil, pura, Deeds assimila tão rápido o apartamento enorme,
saca tão facilmente US$ 20 mil toda hora para conseguir algo ou agradar
alguém, que chega a incomodar. Mas é pura diversão toda
essa brincadeira e o negócio é fazer rir e, se não der,
sorrir já está de bom tamanho. E ele consegue. A sequência
do salvamento do gatos é muito boa - puro desenho animado, a ponta do
polêmico astro do tênis, John McEnroe, também é legal,
e Crazy Eyes (Steve Buscemi), seu amigo de Mandrake Falls, é muito bizarro.
E o que dizer do pé preto gangrenado de Deeds e sua força sobre-humana?
Uma loucura!
Como era de esperar numa comédia
romântica, a moçinha/vilã acaba percebendo que Deeds é
muito bom e apaixonante. Encantada, essa nova "cinderela" vai ter
provar que suas matérias nada "cristalinas" foram fruto de
ingenuidade sua e que os vilões de verdade é que a convenceram
de tal atitude. Pobre moçinha. Tentando passar algum tipo de mensagem
politicamente correta, o filme aproveita para criticar o poder da mídia,
que pode deturpar informações e transformar bons em maus e vice-versa.
Enquanto isso, toma mais merchandising dos refrigerantes Pepsi e Dr. Pepper.
Claro que você já sabe como essa história termina e nem
precisa ser vidente para descobrir, mas o resultado agrada. Não pense
que o filme não vale sua presença na sala escura. Vale sim. Tem
uma boa trilha sonora - é moderninha - tem uma edição bem
feita e os atores estão todos muito bem em seus papéis. É
uma grata "surpresa" ver John Turturro, o mordomo Emilio, fazendo
um papel tão descomprometido. Pode acreditar. É um bom programa
assistir Adam Sandler.
Uma curiosidade fica por conta -
como era de se esperar - da ponta do compadre Rob Scheneider, de O Animal. Sandler
e Scheneider são amigos e costumam dar força um para o outro."