Carlos Massari (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 7:
"Tem
muita gente dizendo que "Harry Potter e a Pedra Filosofal" não
passa de uma mera cópia de outras obras fantasiosas... Pode até
ser, mas se for, é uma cópia original. E como isso pode existir?
Sim, é lógico que J.K. Rowling se inspirou em clássicos
para criar seu mundo fantástico, como, por exemplo, ela colou personagens
de "O Senhor dos Anéis" (prestem bastante atenção
nas semelhanças entre Alvo Dumbledore e Gandalf), mas ela ainda deu um
toque mágico raro e brilhante a história, conseguindo um estrondoso
(e merecido) sucesso, deixando claro que haveria uma adaptação
para o cinema.
Pois bem. Essa aguardada adaptação
finalmente chegou. Como era de se esperar, moveu multidões aos cinemas,
esperando um filme no estilo do livro. Para a direção, alguém
especializado em filmes infantis (um erro): Chris Columbus. No elenco, atores
mirins ingleses e totalmente desconhecidos para não tirar o toque britânico
da história. Milhares (ou milhões) de pessoas loucas para ver
o menino bruxo nas telas. E o resultado?
O resultado é um bom filme,
talvez um ótimo filme. "Harry Potter" leva um clima sensacional
às telas, com magia (em todos os sentidos). Faz com que as pessoas se
envolvam com a projeção, que, sim, é fraca em detalhes,
mas os efeitos são categóricos, a sequencia do quadribol (vaga
durante o filme) tem recursos que nem eram imaginados por várias pessoas,
velocidade e a precisão do "balaço" e a sutileza e,
ao mesmo tempo, notoriedade do "pomo de ouro" transformaram a cena
em uma passagem gostosa de se ver, que deixa todos apreensivos frente a disputa
errado
das casas.
Mas, como a maioria dos filmes na
atualidade, "Harry Potter" não é um mar de rosas...
Começa fascinante, com sincronia entre trilha, elenco, roteiro e mais
o que se possa imaginar... O problema é mesmo Chris Columbus, que começou
sua carreira bem, mas logo se afundou. A exemplo da carreira do diretor, a película
logo começa a ter várias perdas de ritmo. Quando a parte mágica
da descoberta de Hogwarts é deixada de lado para a total exploração
de "Potter x Voldemort" Columbus perde o controle da direção,
que mergulha em situações previsíveis e mal contadas. Chega
a cansar e arrancar alguns bocejos do espectador, só conseguindo a recuperação
quando apela para os efeitos, na ótima cena do jogo de xadrez. Depois,
o confronto final consegue uma boa surpresa, com tom de suspense, mas depois
que passa nós vemos o quanto foi precipitada a revelação
final.
O roteiro tem alguns erros, mas passa
sem furos, mantendo a história no conhecimento de todos, sem se tornar
complicado para quem não leu a obra de Rowling. Aliás, a história
fala sobre Harry Potter (lógico), um menino de onze anos que é
criado pelos tios e humilhado pelos mesmos. Um belo dia, ele recebe a notícia
de que é um bruxo e então parte para a escola de Hogwarts, onde
deve aprender a ser um bruxo de verdade, defender sua casa (a Grifinória)
e se preparar para voltar ao mundo diferente dos "trouxas". Junto
com dois colegas, Rony e Hermione, ele descobre que uma importante pedra, a
"pedra filosofal", que está escondida no colégio, está
correndo perigo: o terrível Lorde Voldemort quer roubá-la, para
então ter a juventude eterna. Harry tem que impedir o domínio
do maléfico ser sobre a pedra, que causaria um caos total ao universo.
Na parte técnica, "Harry
Potter" é perfeito. Os efeitos especiais são reais ao extremo
(o único que não convence é o nascimento do dragão
Norberto) e a direção de arte é impressionante. O castelo
de Hogwarts ficou com um toque especial, muito bem feito mesmo. Acho impossível
alguém não confundir com um castelo da realeza. O elenco mirim
também não decepciona - Daniel Radcliffe mostra que foi uma ótima
escolha e encarna o famoso bruxo sem tremer... Pior que Spielberg queria colocar
Haley Joel Osment no papel... Já ia estragar tudo. Rupert Grint e Emma
Watson são igualmente desconhecidos, mas também convencem com
seus papéis.
"Harry Potter e a Pedra Filosofal"
é um filme divertido ao extremo, com uma boa história, efeitos,
elenco, sem deixar a desejar para qualquer pessoa. Tem suas falhas, não
é um filme brilhante ou sensacional para ser aplaudido de pé,
mas, pelo menos, tem sua fórmula, que, mesmo não sendo totalmente
original, merece ser reconhecida. Foram US$ 93 mi em uma semana. Conclusão:
Sucesso merecido."