Bruno Salama Herszage (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 7:
"Dr. Hannibal Lecter está
de volta e mais faminto do que nunca no mais novo filme de Ridley Scott (de
"Gladiador"): "Hannibal", onde Anthony Hopkins volta a intepretar
o famoso médico canibal que ganhou fama em "O Silêncio dos
Inocentes".
A história agora se passa sete anos depois que o
Dr. Lecter ajudou a agente do FBI, Clarice Starling (Jodie Foster, de "Contato"
e "Anna e o rei"), a prender um temível serial killer e, logo
depois, escapou da prisão. Agora ele está em Florença,
trabalhando como curandeiro numa biblioteca de uma nobre família italiana.
Porém, seus dias estão contados. Na América uma das vítimas
do Dr. Lecter ainda vive (Mason Verger, interpretado por Gary Oldman, que não
colocou seu nome nos créditos), porém completamente desfigurada
e disposta a fazer de tudo para que o exímio doutor pague o preço
certo por sua desgraça: sua vida. Paralelamente ao Dr. Lecter, a agente
Starling (agora interpretada por Julianne Moore, de "Fim de caso"
e "O mundo perdido") passa por uma má fase em sua carreira,
após realizar uma batida desastrosa a um traficante de drogas, que resultou
na morte de um amigo seu. Enquanto Starling trava uma batalha com seus superiores
para se manter no FBI, Mason Verger começa a agir, oferecendo uma grande
soma em dinheiro por qualquer informação sobre o paradeiro do
Dr. Lecter, para poder capturá-lo e aplicar nele seu plano maquiavélico.
E assim o filme se desenrola: Mason Verger perseguindo Hannibal enquanto a agente
Starling, ciente das ações de Mason, tenta ao mesmo tempo manter-se
na polícia e salvar seu... amigo.
O filme em si é muito é belo, as locações
onde o filme é rodado são muito bonitas, principalmente em Florença
(onde aparece o famoso Palazzio Vecchio). Fora isso, é muito bom ver
Anthony Hopkins atuando com tanta naturalidade em um personagem que foi montado,
de certa forma, por ele. Julianne Moore também está muito bem
no papel da "nova" Clarice Starling. Deixando os personagens e locações
de lado, falemos do filme em si. Primeiro, quem estiver indo para o cinema esperando
ver um filme da mesma qualidade de "O Silêncio dos Inocentes",
vai se decepcionar. Não que "Hannibal" seja ruim, porém,
se comparado ao anterior, perde feio. A questão psicológica, abordada
abusivamente no primeiro, mal se repete no segundo. "Hannibal", de
certo modo, é um filme mais policial, menos psicológico, há
mais ação e sangue (e nojeiras) que o primeiro, e nisso o filme
perde, porque a trama psicológica montada em "O silêncio dos
inocentes" entre o Dr. Lecter e a agente Starling foi a base para o sucesso
do filme, que deixava os nervos à flor da pele. Em "Hannibal",
os dois mal se encontram, apenas nos 15, 20 minutos finais que ficam cara a
cara. No restante do filme apenas se comunicam por carta... o que não
causa o mesmo efeito. Além disso, o filme peca por possuir um final que
deixa a desejar. Quando fui ver o filme, ainda estava lendo o livro "Hannibal"
e, por isso, nao podia deixar de comparar ambos. Após ver o filme, terminei
o livro e tenho que dizer que o final do livro (final que Ridley Scott considerou
"infilmável") é bem melhor que o do filme, pois desponta
mais o lado que os dois filmes (" O Silêncio.." e "Hannibal")
deixam de lado: o ponto de vista emotivo dos dois personagens principais.
Para finalizar, mesmo com tantos pontos fracos (que não
chegam a ser negativos, pois se fossem melhor trabalhados estariam ótimos)
o filme é uma boa diversão: ver Hopkins e Moore na telona é
muito bom, ainda mais quando eles são Hannibal e Starling, dois personagens
já conhecidos. Por isso, vá ao cinema, aproveite as coisas boas
que o filme tem a oferecer e sempre pense duas vezes antes de pedir comida para
o carinha que está ao seu lado no avião."