Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 9:
"Talentoso,
engraçado, singular e cativante. Esses são alguns adjetivos que
podem ser apresentados para dar uma idéia do que é esse "Hannah
e Suas Irmãs", do ótimo Woody Allen. Um dos mais bem sucedidos
filmes do diretor no Oscar, onde levou três (Melhor Ator Coadjuvante (Michael
Caine), Melhor Atriz Coadjuvante (Dianne Wiest) e Melhor Roteiro Original) e
ainda levou mais 4 indicações. Woody Allen faz temas sérios
virarem uma comédia de uma maneira bem peculiar e não deixa de
ser crítico e inteligente, como os outros filmes do diretor.
O começo do filme é
estranhamente confuso. Por isso é preciso ser paciente para começar
a se envolver com a história das irmãs. A grande qualidade do
filme é abrir discussões e ser imparcial com os termos. Jamais
o filme quer dizer que "isso" é certo ou "aquilo"
é errado. Ele deixa tudo isto a cargo do espectador, que pode tirar as
conclusões que quiser. Mas, é claro, Woody Allen não deixa
de criar suas situações engraçadas criticando claramente
uma certa hipocrisia.
O filme narra a história de
três irmãs. Hannah (Mia Farrow), que adora ajudar as outras pessoas.
Tem dois filhos e está entrando em crise do casamento. Lee (Barbara Hershey)
mora com um homem mais velho, que nem pensa em casar. Ela casualmente começa
a ter um relacionamento com o marido de Hannah, o indeciso Elliot (Michael Cane).
Já Holly (Dianne Wiest) não consegue se firmar, ou melhor, montar
uma vida, não consegue um bom relacionamento.
Temos ainda o personagem Mickey Saxe
(Allen), atualmente um produtor de tv, que foi casado com Hannah e vive cheio
de paranóias, principalmente quando acha que tem um câncer no cérebro.
Depois deste "susto", ele começa a procurar um sentido para
a vida. E o estilo Woody Allen toma conta, com cenas hilárias, como ele
procurando uma religião para acreditar (e deixar de ser judeu) e ainda
relembrando um momento da vida em que saiu com a irmã de Hannah, a Holly,
que acabou não dando certo pelas discordâncias musicais (ela Punk
e ele Jazz). Só as partes em que temos o Woody Allen o filme já
vale uma conferida, mas o restante faz por merecer também.
"Hannah e Suas Irmãs"
ganha mais força ainda pelo simpático, carismático e envolvente
elenco que marca fortíssima presença. Michael Caine está
numa atuação plausível, suas cenas são por vezes
engraçadas e sentimentalistas, mas emocionantes. Dianne Wiest transmite
com clareza a incerteza da personagem, que não se firma em nada mas esta
sempre tentando. Mia Farrow como sempre bastante discreta, mas eficiente. Agora,
Woody Allen mesmo interpretando ele mesmo pela milésima vez (sempre gago),
consegue fazer uma criação de personagem fascinante. Um encanto
de elenco.
"Hannah e Suas Irmãs"
aparenta ser um dramalhão como "Maridos e Esposas", mas na
realidade é mais comédia do que propriamente um drama. Lógico
que comédia para Woddy Allen não deixa de ser algo de muita discussão
e assuntos sempre muito bem colocados. O filme discute traição,
religião, gostos e estilos sem jamais ofender ou ser presunçoso.
Para quem gosta de refletir e rir ao mesmo tempo e gosta dos filmes do Woody
Allen, "Hannah e Suas Irmãs" não chega a ser um "A
Rosa Púrpura do Cairo", mas quase chega lá. Em suma: imperdível."