Carlos Massari (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 6:

"Acredito que muita gente já ficou fascinada pela história que o Dr. Seuss criou. Destinada às crianças, marcou a infância de muita gente por trazer a importante mensagem de ajuda ao próximo com diversão, sem apelar para lições de moral patéticas ou besteiradas. Tudo isso deixou claro que, um dia, haveria uma adaptação para o cinema. E essa adaptação foi feita, com muita gente em dúvidas quanto ao grau de diversão infantil que a adaptação traria. O filme foi um sucesso estrondoso, levando milhões de pessoas ao cinema, deixando todos curiosos para ver se tamanha bilheteria é merecida.

"O Grinch" (ou, literalmente, "Como o Grinch roubou o Natal") é a história de uma criatura verde, peluda e fedida que vivia em uma caverna na Who-lândia, uma vila que adorava o natal. O Grinch, como era conhecido, foi humilhado na época da escola, se recolhendo então para morar na caverna, que fica muito próxima de um depósito de lixo, onde ele consegue tudo que acha necessário. Ele tem como únicas companias o cachorro Max e o eco de sua voz, produzido pelas paredes da caverna. Um belo dia, o Grinch resolve deixar a moradia e ir estragar o natal, atazanando todos os whos, que eram viciados no mesmo, pelo fato da iluminação da cidade ou troca de presentes. Nessa ida à cidade ele conhece Cindy Lou, uma menina que fica morrendo de dó do Grinch, e resolve indicá-lo para um prêmio natalino chamado jubilar, entregue anualmente para a mais necessitada pessoa de toda a vila. Quando o Grinch recebe o convite fica apreensivo, mas resolve ir, pensando que realmente seria homenageado. Só que, ao chegar na cidade, ele é humilhado por todos e volta com o rabo entre as pernas. É aí que ele resolve se vestir de Papai Noel e sair pelas casas assaltando e roubando todos os presente e banquetes, e também desligar o sistema de iluminação da vila. Quando ele cumpre sua tarefa, recebe uma visita de Cindy Lou e decide rever o mal que fez, mostrando que há bondade até nos lugares mais improváveis.

Desde o prmeiro momento todos nós sabemos perfeiamente que se trata de um filme infantil. Ele assume isso e então não usa piadas sujas, transformando-se em um filme simples ao máximo, agradável de se ver. O roteiro consegue transmitir diversão, embora pareça em várias passagens vazio quanto a mensagem. É o final que consegue tirar o defeito que poderia assombrar o filme, quando o Grinch e Cindy conseguem fazer o que todos esperavam, deixando os mesmos com um largo sorriso no rosto.

Mas o problema apresentado no roteiro é a repetição ao extremo, várias cenas são coladas de um lugar para o outro durante o filme, e ainda temos algumas partes em que o filme parece um pouco mais adulto (ou menos infantil), e costura cenas de "O Maskara" (talvez tenha ficado aparente pela presença dominante de Jim Carey). Não que isso estrague a projeção, aliás, totalmente pelo contrário, até ajuda no quesito diversão, que é tudo que é proposto ao espectador. Ron Howard, saído de bons filmes, além do péssimo sucesso "Apollo 13", mostra que é sim um bom diretor e leva todos os 104 minutos do filme com a simplicidade proposta pelo roteiro, sem usar nenhuma cena pesada ou que possa estragar a película, tendo o máximo cuidado em não usar material que possa ofender as crianças, no caso, o público-alvo.

Ainda temos uma maquiagem primorosa, vencedora como total justiça do Oscar, que deixou Jim Carrey irreconhecível. Trata-se de um trabalho feito por um profissional anteriormente prmiado por cinco vezes pela Academia, que faz a melhor coisa do filme. Talvez quase a melhor coisa do filme. Jim Carrey está hilário na pele do Grinch, nem as toneladas de maquiagem tiraram a graça de suas expressões faciais ou de seu modo de se comunicar. Está perfeito. E ainda a narração de Anthony Hopkins (o doutor Hannibal Lecter) dá o tom correto de leveza a história, assim como tudo o que já foi citado.

Ou seja: "O Grinch" é um filme recomendado para toda a família, tem muito mais graça do que certos besteiróis teens apresentados nos últimos anos. Não é brilhante, não vai mudar a vida de ninguém, mas entretém perfeitamente por durante 104 minutos, além de trazer uma lição sobre amor, ajuda e solidão necessária para as crianças. Sim, pode parecer infantil demais, mas essa é a alma do filme: ser infantil. Foi assim que o Dr. Seuss conquistou o mundo (ou pelo menos os Estados Unidos) e também é assim que Ron Howard conseguiu adaptar a obra para a telona."