Sabrina R. Baltor, Leitor do Adoro Cinema - Nota
5:
"Quando saí do cinema, não
sabia se tinha gostado ou não do filme. Uma experiência é
o filme ser montado depois que saímos do cinema, exemplos mais recentes
são: Amnésia, Planeta dos macacos e Cidade dos Sonhos. Outra experiência
é sair do cinema tentando decidir se o filme é bom ou ruim. Pois
é, eu passei por essa última. Mas o que me levou a esta dúvida?
Elementos extremamente contraditórios. O filme apresenta qualidades arrasadoras,
brilhantes e defeitos nojentos, repugnantes, odiosos. Vou discriminar bem os
defeitos e as qualidades, segundo a minha opinião. O que o filme tem
de pior? Fica difícil decidir entre o roteiro extremamente fraco e a
atuação cretina de Cameron Diaz. Um filme que dura quase 3 horas
não PODE ter um roteiro vazio daquele jeito... algumas falas são
boas, alguns dramas são bons, mas no geral, o roteiro é péssimo.
Agora resta saber se o livro é ruim, ou se esse trio de adaptadores é
incompetente. Cameron Diaz só interpretou bem uma vez na vida dela, foi
quando vez o papel da noiva em O Casamento de Meu Melhor Amigo. Ela tentou fazer
uma vigarista sensual em Gangues de Nova York, ela tentou... mandem-na assistir
Jodie Foster em Maverick e ela chorará sete dias seguidos de tanta vergonha...
Outro aspecto negativo são os pontos altos e baixos da direção
de Martin Scorcesse... ele que é um dos meus diretores favoritos. As
primeiras cenas são magníficas, as cenas de Bill são estupendas.
No entanto, no resto, a direção parece perder a mão por
causa do fraco roteiro e do desempenho de alguns atores . O que resta de bom
no filme? Qual essa qualidade brilhante, rara que me fez titubear na hora de
classificá-lo como bom ou ruim? A qualidade inquestionável tem
nome e o nome é Daniel Day-Lewis. Pobre DiCaprio, ele deveria ser o personagem
principal, o grande protagonista, mas Daniel Day-Lewis rouba todas as cenas...
ele era para ser o antagonista da história, mas o ator dá tanta
vida, honra, brilho ao Bill, açougueiro, que o espectador acaba se apaixonando
por ele e esquecendo que ele deveria ser o "mauzinho"da história.
Ele é tão bom, tão bom, tão bom, que a direção
perdida de Scorcesse se encontra nas cenas em que acompanha o líder dos
nativistas... sempre pensei como Hitchcock: "é um bom diretor que
cria um bom ator..." é lógico que tenho meus atores e minha
atrizes prediletas (com destaque para Anjelica Huston e Jack Nicholson), mas
tirando esses e mais alguns outros, eu não via a importância vital
de um ator para um filme e graças a Daniel Day-Lewis, eu descobri a importância
de um ator. Se algo me fez duvidar de que esse filme é uma grande porcaria,
foi ele. E todas as estrelas e metade de estrela que está na classificação
vai para ele. Assistam! Assistam! Só para ver essa atuação
brilhante. DiCaprio não é um ator ruim, ele só está
muito abaixo de Day-Lewis. Se o papel principal fosse feito por Liam Neeson,
todo o filme seria tão bom quanto a primeira cena, mas para lutar com
Daniel Day-Lewis só temos um DiCaprio fragilizado pela atuação
monstruosa do primeiro ator que já trabalhou com Scorcesse em A Idade
da Inocência. A fotografia também é bonita? É, mas
não chega aos pés de Caminho para a Perdição e As
Duas Torres. Enfim: vale à pena ir? Vale, vale pelo trabalho de Daniel
Day-Lewis que de ator coadjuvante, que deveria ser, concorre na categoria de
ator principal no oscar de tanto que roubou a cena e até ganhou o globo
de ouro concorrendo tb como ator principal. Eu decidi? Decidi: é ruim
e o pior: poderia ser bom, poderia ser ótimo. Mesmo assim, esta produção
foi muito importante para mim como apreciadora da sétima arte, eu finalmente
enxerguei o que o talento de um ator pode fazer por um filme."