Frankenstein

Frankenstein 2010-05-22 Francisco

Título original: (Frankenstein)

Lançamento: 1931 (EUA)

Direção: James Whale

Atores: Colin Clive, Mae Clarke, John Boles, Boris Karloff.

Duração: 70 min

Gênero: Terror

Status: Arquivado

5           10 1 5

(1 votos)

                   

Sinopse

Henry Frankenstein (Colin Clive), um cientista louco, vagueia à noite pelo cemitério na companhia de Fritz (Dwight Frye), um anão corcunda que é seu assistente. Frankenstein procura mortos e costura partes de diversos cadáveres para fazer um único homem, mas para "dar" a vida a este ser monstruoso um cérebro é necessário. Assim, ele manda Fritz para o departamento médico de uma universidade próxima, onde o corcunda esquadrinha vários jarros nos quais foram mantidos cérebros vivos para estudos. Fritz seleciona um cérebro e está rumo à porta quando se assusta com um carrilhão, fazendo-o derrubar o jarro. Ele rapidamente pega outro, sem reparar que no rótulo está escrito "cérebro criminoso". Frankenstein, desconhecendo o fato, coloca o cérebro em sua criatura e espera uma tempestade elétrica, que ele precisa para ativar a maquinaria que construiu para eletrificar o corpo da sua criatura. Durante esta experiência estranha Dr. Waldman (Edward Van Sloan), um tutor de Frankenstein no passado; Elizabeth (Mae Clarke), a noiva de Frankenstein; e Victor (John Boles), seu melhor amigo, tentam fazê-lo desistir deste experimento. Mas o cientista está frenético e logo infunde vida na criatura dele, mas as conseqüências de tal ato serão trágicas.

 

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Elenco

  • Colin Clive (Henry Frankenstein)
  • Mae Clarke (Elizabeth)
  • John Boles (Victor Moritz)
  • Boris Karloff (Monstro)
  • Edward Van Sloan (Dr. Waldman)
  • Frederick Kerr (Barão Frankenstein)
  • Dwight Frye (Fritz)
  • Lionel Belmore

Comentários

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Renato Rosatti em 02/01/2001Nota: 5     

Clássicos absolutos do cinema de horror, "Frankenstein" (1931) e "The Bride of Frankenstein" (1935), dirigidos por James Whale e estrelados pelo lendário Boris Karloff como o monstro, merecem ser revisitados sempre. Exibidos há não muito tempo atrás na televisão brasileira pela TV Cultura de São Paulo em versão original legendada, para o fascínio dos fãs, esses filmes fazem parte da galeria imortal das obras primas do fantástico e nada mais oportuno do que uma homenagem aos mesmos através desse artigo."Frankenstein" foi um filme que teve diversas importâncias. Em termos financeiros, foi um dos maiores sucessos na temporada de 1931-32 e mostrou aos executivos da Universal que o horror era um gênero que podia agradar ao público. E muito mais do que "Drácula" (do mesmo ano e com o também lendário Bela Lugosi), este filme foi o modelo para o tratamento subsequente de Hollywood aos thrillers de horror. Foi largamente imitado, tanto na época como principalmente nos anos posteriores. A novela que o inspirou, "Frankenstein, or a Modern Prometheus" de 1818 e de autoria de Mary Shelley, já havia sido adaptada desde 1832, inicialmente com a peça teatral "Presumption! Or, the Fate of Frankenstein", do autor R. B. Peake e com o ator T. .P. Cooke interpretando o monstro. Em seguida veio uma peça musical em 1887, de Richard Henry e Meyer Lutz. No cinema, começou em 1910, numa produção de Thomas A Edison, dirigida por J. Searle Dawley e com Charles Ogle no papel da criatura. Infelizmente, nenhuma cópia dessa rara película sobreviveu ao tempo. E em 1915, "Life Without a Soul", de Joseph W. Smiley e com Percy Darrell Standing como o monstro de Frankenstein, sendo considerado na época pela crítica como uma criatura pavorosa, mas nunca grotesca.No clássico de 1931, o ator escolhido para o papel do monstro foi Boris Karloff, na época um ator inglês pouco conhecido de 44 anos de idade. O papel magnificamente interpretado projetou sua carreira ao estrelato, chegando a fazer cerca de 140 filmes, sendo boa parte deles do gênero fantástico, até falecer em 1969 aos 82 anos.A história do filme gira em torno de um cientista, Henry Frankenstein (Colin Clive), que é obcecado com a ambição de criar vida artificialmente. Ajudado por um anão corcunda, Fritz (Dwight Frye), ele rouba cadáveres dos cemitérios para completar a sua criatura. Na procura por um cérebro, Fritz vai até a faculdade de medicina de Goldstadt e erradamente pega um cérebro de um criminoso em vez de um normal, dando uma personalidade agressiva ao monstro. Preocupados com o exílio do cientista, que se refugiou numa torre abandonada para fazer suas experiências, sua noiva Elizabeth (Mae Clarke), seu melhor amigo Victor (John Boles) e seu antigo professor Dr. Walman (Edward Van Sloan), vão procurá-lo. Enquanto isso, o jovem cientista se aproveita da energia elétrica criada por uma forte tempestade e em seu laboratório, ajudado por um maquinário bizarro, ele dá a vida a uma criatura inanimada (Karloff).O monstro de Frankenstein é então mantido preso numa velha masmorra na torre e atormentado pelo anão Fritz. Ele acaba se despertando para o ódio e estrangula o ajudante do cientista. Após muita dificuldade, o monstro é controlado e Henry Frankenstein sofre um colapso nervoso indo para sua casa descansar, deixando a sua criatura nas mãos do Dr. Waldman. No dia do seu casamento com Elizabeth, o cientista é avisado que o monstro havia matado o Dr. Waldman e escapado, circundando os arredores do vilarejo. Depois de afogar acidentalmente uma menina, filha de um agricultor, ele desperta a fúria dos aldeões que passam a caçá-lo, e o jovem Frankenstein junta-se a eles. Chegando num velho moinho, o cientista se confronta com sua criatura, perde a consciência mas consegue escapar momentos antes dos aldeões atearem fogo. O moinho se queima presumivelmente destruindo o monstro e Frankenstein salva-se para casar com Elizabeth.O estúdio filmou dois finais diferentes, um feliz e o outro não. Segundo uma previsão, eles decidiram usar o final em que o cientista sobrevive, rejeitando um final infeliz. É uma pena pois os finais felizes geralmente estragam os filmes, mas no caso dessa obra prima a gente até acaba se esquecendo desse detalhe. Um corte que foi feito temendo uma reação negativa do público foi a sequência célebre da criação do monstro onde o cientista fascinado exclama: "Agora eu sei o que é ser Deus!". Essa frase foi censurada e na cópia exibida pela TV Cultura, o som foi temporariamente cortado. Ridículo!As passagens mais antológicas do filme certamente são aquelas no estranho laboratório do cientista, com máquinas elétricas com grandes alavancas de acionamento e enormes eletrôdos e transformadores de energia. O laboratório foi criado e operado pelos especialistas Frank Grove, Kenneth Strickfaden e Raymond Lindsay. A fantástica maquiagem da criatura ficou a cargo de Jack Pierce, que precisava de quatro horas diárias para a maquiagem do ator. Pierce repetiu seus trabalhos em todos os filmes de horror produzidos pela Universal na década de 30, continuando seu trabalho até 1947 e vindo a falecer em 1968.Quem pensou que o monstro havia morrido no final do filme de 1931 se enganou, pois ele retornou em 1935 no também clássico "The Bride of Frankenstein", que é considerado pela crítica mais fiel às suas origens, com um roteiro melhor, cenários mais impressionantes, belíssima música e um alegre e fino senso de humor.O filme começa com a escritora Mary Shelley (Elsa Lanchester), seu marido Percy (Douglas Walton) e seu amigo Lord Byron (Gavin Gordon) conversando reunidos em volta de uma lareira. Eles discutem a novela de Mary Shelley, "Frankenstein", e expressam o seu desapontamento com o final. A escritora é então persuadida por Lord Byron a continuar a história, seguindo da suposta morte da criatura num moinho em chamas.Depois dos pais da garota afogada no primeiro filme descobrirem que o monstro havia escapado do fogo, refugiando-se num lago embaixo do moinho, eles caem nas suas garras e são assassinados. Logo após, ele encontra uma velha senhora de voz irritante, empregada do castelo do cientista Henry Frankenstein, assustando-a numa cena muito engraçada, estabelecendo aí o tom humorístico.Procurando companhia, a criatura parte para a floresta, salva uma pastora (Anne Darling) que conduzia ovelhas, do afogamento, mas é capturado pelos aldeões. Escapando da prisão da vila, ele aterroriza a região matando várias pessoas, até encontrar um velho ermitão cego (O P. Heggie) com o qual faz amizade e aprende a falar. Mas dois caçadores chegam (um deles é o grande John Carradine, aqui numa pequena ponta) e revelam a identidade da criatura, que foge.Enquanto se recupera de seu recente e fatal confronto com o monstro que criara, Henry Frankenstein (Colin Clive) é visitado por um antigo professor, Dr. Pretorius (Ernest Thesiger). Ele revela a Henry suas experiências na criação de vida: pequenos seres humanos dentro de jarros de vidro. Nesta sequência vemos excelentes efeitos visuais de miniaturização, principalmente para um filme de 1935. Ansioso para criar uma companheira para o monstro, o Dr. Pretorius convence a força o cientista a ajudá-lo, raptando sua esposa Elizabeth (Valerie Hobson). Repare que no filme anterior, Elizabeth foi interpretada por uma outra atriz, Mae Clarke. Depois que o ajudante de Pretorius, Karl (Dwight Frye, o mesmo anão corcunda que interpretou Fritz em 1931), assassina uma jovem mulher para utilizar seu coração humano, a criação dos cientistas vem à vida durante uma violenta tempestade elétrica. A criatura, vivida também por Elsa Lanchester, é uma mulher normal com exceção do estranho cabelo com enormes mechas brancas, que foi inspirado em antigas esculturas da rainha egípcia Nefertiti.Quando chega o momento do monstro requerer sua companheira, ela se afasta e grita horrorizada. Agoniado, ele se destrói e a todos puxando uma alavanca que aciona uma explosão no laboratório, depois de permitir que Frankenstein, seu criador, fugisse com sua esposa Elizabeth.Novamente aqui o final foi alterado. Originalmente o cientista e sua esposa morreriam na explosão do laboratório, mas um novo final feliz foi colocado no lugar, no qual eles escapam em cima da hora. Entretanto, uma cena sobrou onde observadores mais atentos (quem tiver o filme gravado em vídeo, congele a imagem) podem localizar Henry sendo morto no laboratório (no canto esquerdo da tela), esmagado por escombros derrubados na explosão. Algum material de sobra do filme foi ainda mais tarde utilizado em sequências de "Ghost of Frankenstein" (1942) e "House of Dracula" (1945). Existem muitas outras curiosidades e detalhes de bastidores do filme.Durante a concepção do roteiro, os escritores consideravam a morte da esposa de Frankenstein, assassinada pelo ajudante Karl, para que seu cérebro pudesse ser insertado no crânio da companheira do monstro, mas a idéia foi rejeitada pela Universal. Originalmente o filme se chamaria "The Return of Frankenstein", mas o título escolhido acabou sendo "The Bride of Frankenstein", o que criou o famoso erro no público que Frankenstein é o nome do monstro em vez de seu criador.Inicialmente, o papel do Dr. Pretorius seria do ator Claude Rains (o fantasma da ópera do cinema na versão de 1943), mas outros compromissos tornaram isso impossível e o escolhido foi Ernest Thesiger, que teve uma performance excelente e que entre outras, foi o autor da seguinte frase numa conversa com Henry: "Enquanto você estava brincando com carne morta, eu vinha com a semente original".Cerca de quinze minutos da versão inicial foram cortados. Entre eles, as sequências onde a investigação de um médico legista é interrompida pela repentina chegada do monstro, que mata violentamente o burgomestre da aldeia (E. E. Clive); a cena onde um aldeão, Karl Glutz, mata seu tio para roubar-lhe as economias e põe a culpa no monstro; um diálogo entre um amargurado Dr. Pretorius e Henry Frankenstein, onde o primeiro acusa o cientista de utilizar erradamente suas teorias de criação da vida e de levar a culpa por isso; a cena onde o monstro fugitivo esmaga um aldeão; e aquela onde ele acaricia o rosto de uma garota morta cujas partes do corpo seriam utilizadas na criação de sua companheira.Entre as sequências antológicas, destaca-se aquela em que o monstro, triste por ser rejeitado por sua companheira, e revoltado com o criador Dr. Pretorius, diz com uma lágrima escorrendo pelo rosto, "Nos pertencemos aos mortos", e puxa a alavanca que iniciaria uma explosão no laboratório e que os destruiria. A música de Franz Waxman foi um sucesso tão grande que a Universal utilizou-a em sequências de "Flash Gordon", "Buck Rogers" e inúmeros outros filmes "B". Enfim, apesar dos cortes e finais felizes, são dois clássicos imortais do cinema de horror da década de 30, juntamente com "The Mummy" e "King Kong", ambos de 1933.

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