SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
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2 - Fraco
Roberto Benigni finalmente acertou a mão e os nossos corações após "A VIDA É BELA", que lhe rendeu 3 Oscars no ano de 1997. A abertura do filme é soberba: Tom Waits ao piano tocando a balada "You can never hold back spring" enquanto Atillio (interpretado pelo próprio Benigni) adentra vestido de cueca e camiseta para o local do seu casamento e ouve a maior declaração de amor que um homem poderia receber. Na verdade, Atillio estava sonhando (aliás, este é um sonho recorrente do personagem). A soma de lirismo e humor, esse é o território em que o diretor e ator italiano sabe trafegar como ninguém. Atillio é um professor de poesia que ensina aos seus alunos que é necessário estar apaixonado pela vida para se poder escrever. E a sua aula deveria servir de exemplo a qualquer professor, tamanho a lição de amor pela matéria que ele está tentando ensinar. Quando Atillio vai falar com um poeta árabe seu amigo, Fuad (Jean Reno), ele se depara com a mulher com quem ele sonha todos as noites: Vittoria (Nicolleta Braschi, esposa de Benigni na vida real). Atillio passa a perseguí-la com o objetivo de conquistá-la, porém, Vittoria desaparece. Eis que no meio de uma madrugada, Atillio recebe um telefonema de seu amigo Fuad, dizendo que Vittoria estava internada num hospital de Bagdá, vítima de um bombardeio por parte do exército norte-americano. Atillio enviou suas duas filhas de volta para casa e partiu rumo ao aeroporto para pegar o primeiro vôo para Bagdá. Lá chegando, Atillio se depara com a situação crítica dos hospitais no Iraque. A sua amada estava inconsciiente num local nada propício para qualquer tratamento médico, sem medicações e repleto de moscas. É o próprio Atillio que tem de ir atrás de oxigênio, de suplementos médicos junto às tropas da Cruz Vermelha internacional para que Vittoria permaneça com chance de sobreviver. Ele faz das tripas coração. Aí surgem situações engraçadíssimas como quando ele consegue um camelo como meio de transporte na periferia de Bagdá, ou quando ele compra um tubo de oxigênio de um ladrão de objetos que são deixados pra trás durante os bombardeios (engraçadíssima a cena em que Vittoria com a máscara de mergulhadora e o oxigênio ligado à sua boca). O amor e a boa vontade movem montanhas para Benigni, mas com humor, pois sem ele a vida perde uma de suas essências. A cena em que Atillio e Fuad conversam sobre o passado de glória do Iraque, que a Torre de Babel havia sido construída a poucos quilômetros de onde estavam e que a partir desse fato os seres humanos não mais se entenderam, tudo isso olhando o céu de Bagdá com aqueles pontos iluminosos que denotavam um ataque aéreo dos norte-americanos, é tocante. Enquanto o ser humano acreditar que o impossível pode ser viável, como uma chuva no deserto, políticos não corruptos, ou até mesmo um tigre na neve na capital da Itália, vale a pena a jornada humana neste planeta. Belíssimo manifesto humanista de Benigni.
Adicionado em 03 de jan de 2005 às 00h00
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