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O Abraço Partido
Média
2,9
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1 crítica do leitor

SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR

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2,0Fraco
Enviada em 04/01/04

Mais um exemplo de que o cinema argentino está produzindo obras de grande qualidade. O protagonista do filme é Ariel (Daniel Hendler), um jovem de Buenos Aires, que abandonou a faculdade de arquitetura e vive às custas de sua mãe, Sonia (Adriana Aizemberg), que tem uma lojinha de roupas íntimas num centro de compras portenho. O pai de Ariel, Elias (Jorge D´Elia), separou-se da esposa em 1973 e mudou-se para Telaviv. Essa é uma questão que percorre todo o filme, pois Ariel não consegue aceitar o fato do pai tê-lo abandonado para ir lutar na guerra do Yom-Kippur. Essa rejeição à figura paterna também fica explícita no pouco conhecimento que Ariel tem do judaísmo. Face à crise que se abate sobre a economia de seu país, Ariel decide batalhar pelo passaporte polonês (seus avós eram poloneses) e, dessa forma, ter a possibilidade de entrar na Europa e viver com um seguro-desemprego. Engraçadíssima a cena em que o nosso protagonista vai ao consulado da Polônia, e quando inquerido sobre as razões que o motivavam a ter o passaporte daquele país, Ariel se diz admirador de Lech Walesa e do Papa Paulo II. Logo ele que mal consegue pronunciar os nomes dos alegados "gurus". Isso foi outro fato que me chamou a atenção, pois os judeus são conhecidos pelo seu grau elevado de inteligência, o que está longe de ser o caso de Ariel. O mais interessante são os personagens que trabalham na mesma galeria que a mãe de Ariel tem a sua loja. Ítalo-argentinos, coreanos (que tem uma loja de produtos de "feng-shui", sendo que eles nem sabiam do que se tratava quando fugiram da Coréia para casar), rabinos, uma bonitona, dona de um quiosque de internet que é sustentada por um velhinho, apesar de manter um caso amoroso com Ariel. O microcosmo do protagonista é desvendado pouco a pouco. A visão que ele tem do pai se modifica por completo quando ele descobre que foi a traição de sua mãe que motivou a separação do casal. E viva o cinema Argentina que a despeito da crise econômica tem suas histórias emocionantes cada vez mais bem contadas.

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