| Ler suas 3 críticas |
Uma das razões que faz do cinema uma arte (a "setima") é ser tão imprevisível quanto as demais. Longe de ser uma ciência exata, na arte não basta juntar genialidade, técnica, orçamento alto e outras boas qualidades... nunca se sabe se a mistura irá realmente funcionar. A Vida Marinha com Steve Zissou (2004) é um caso típico de bons atores, boa fotografia, roteiro, direção, trilha sonora etc simplesmente desperdiçados. Se a intenção era juntar bizarrice com algo profundo do ser humano bastava seguir a escola de mestre Almodovar, talvez já não fosse tão original mas é certo que teria sido mais digno. Da escola européia vem também o exemplo de Fellini com "E la nave vá" (1983) e da americana o maravilhoso "Nau dos insensatos" (1965) de Stanley Kramer, para ficarmos no modelo "viagens de navio". Se o objetivo era permanecer no genero comédia-aventura para entreter, então teria sido melhor ver os filmes de Roberto Carlos dirigido por Roberto Farias (tipo O diamante Cor de Rosa de 1968) ou "meter o pé na jaca" de vez, como fez Fito Paez em ¿De quién es el portaligas? (2007): acreditem, custou bem menos, me divertiu mais e me fez refletir mais profundamente sobre a vida e os sentimentos humanos. Devo confessar que nunca fui fã de Bill Murray, acho que seu tipo humor-ironico se tornou cansativo e sofrivel logo após os Caça-fantasmas (1984), mas não é por isso que A vida Marinha... é ruim. O filme errou feio na esquisitice elevada a enesima potencia dos altos custos e talentos desperdiçados. Mesmo assim recomendo: vale a pena ouvir Seu Jorge tão prestigiado e afinadissimo em Hollywood.
Adicionado em 29 de dez de 2010 às 04h43 Denunciar um abuso
Salvando...




