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    Francis Ford Coppola - O Apocalipse de um Cineasta
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    Francis Ford Coppola - O Apocalipse de um Cineasta

    O preço da ambição

    por Barbara Demerov
    Se você já se perguntou até onde um cineasta é capaz de chegar com seu próprio filme, o documentário Francis Ford Coppola - O Apocalipse de um Cineasta é perfeito para dar um bom panorama sobre a questão. Criado a partir de uma série de imagens registradas por Eleanor Coppola, esposa do diretor, no set de Apocalypse Now, o filme de 1991 comprova os comentários sobre as histórias conturbadas que aconteceram durante a produção - que foi idealizada para durar quatro meses nas Filipinas, mas acabou se estendendo para um ano e três meses.

    Se Apocalypse Now hoje possui o status de "um dos melhores filmes de todos os tempos", certamente tudo o que aconteceu de errado foi importante para pavimentar este caminho de sucesso. Afinal, o próprio Coppola parece um tanto desacreditado ao longo do filme ao observar tantos obstáculos em seu caminho, mas também sempre é possível ver a persistência em seu modo de falar ou agir com as pessoas no set. Se o diretor não tivesse persistido em seu sonho de adaptar o livro Heart of Darkness ou desmontado a produção nas Filipinas, o cinema não teria este grande clássico - enquanto Coppola não teria mergulhado tanto em uma ficção a ponto de isso transbordar em sua vida pessoal.



    Mas ele persistiu, como podemos ver em O Apocalipse de um Cineasta. Por isso é tão agridoce acompanhar os maus bocados de Coppola e sua equipe no set: nós sabemos que o final será feliz (comercialmente e profissionalmente falando), mas a que preço? Desde o infarto de Martin Sheen até o despreparo de Marlon Brando ao chegar às Filipinas, incluindo neste meio tempo desastres naturais e guerras acontecendo em meio às filmagens, é complicado saber ao certo o quão ultrapassado foi o limite em Apocalypse Now.

    O documentário expõe da forma mais transparente possível o quanto isso afetou a todos da equipe - incluindo a própria Eleanor e seus filhos, que viveram no país durante a produção inteira. Mas, no caso de Coppola, chega a ser até surpreendente observar que, quanto mais profundos eram os problemas, mais obstinado ele parecia estar. Não necessariamente para provar um ponto para o estúdio ou para não perder seus próprios milhões de dólares (o que quase aconteceu), mas para se encontrar enquanto cineasta. O fato de Coppola não saber qual seria o final de seu próprio filme até mesmo durante as filmagens reforça que o significado e a importância de Apocalypse Now se moviam da ficção para a realidade, e vice-versa.

    Uma vez que o cineasta parecia não distinguir a linha que separava ambos os mundos, talvez seja este o fator que mais ajudou a fazer com que o longa-metragem ganhasse um resultado tão intenso e vívido. Mesmo 40 anos após o lançamento de Apocalypse Now, tais sensações permanecem na experiência do espectador e engrandecem o significado que Coppola parecia antevir ainda naquela época conturbada. Nos dias atuais, o papel deste documentário não se limita apenas como registro do que é um set de cinema sem idealizações, mas também nos mostra até que ponto uma pessoa pode chegar para provar algo a si mesmo - mesmo se isso envolver milhares de fatores externos, incluindo uma equipe completa de profissionais e um período de tempo extremamente prolongado.
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