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Esse remake em especial me deixou curioso pela assinatura de Soderbergh na reimaginação de uma obra complexa de um diretor não menos. Infelizmente o que vemos mais uma vez é o registro do esvaziamento do conteúdo do original, capaz sim, de irritar entusiastas da filmografia de Tarkovsky e amantes de seus admiráveis planos-seqüência. A história do psiquiatra que é enviado em uma missão numa estação que orbita o planeta Solaris para lá reencontrar sua esposa, morta na Terra anos antes de sua partida, aqui aparece fria e isenta quase por completo de todo o aspecto humano e questionamentos subjetivos, verdadeiros focos da versão soviética. Fica a saudade do original em imagens que respeitam a estética registrada por Tarkovsky, mescladas a outras que me parecem homenagens ao revolucionário “2001, Uma Odisséia no Espaço”. O “mar de Solaris” caótico e assutador no cinza de 1972 volta lilás, tão psicodélico quanto sem graça! Clooney vive um Chris Kelvin mais superficial e exagerado. O exagero também prejudica Jeremy Davis, mas os fãs de Lost gostarão de matar saudades. Natascha McElhone contribui com sua beleza, mas sua Rheya é mais rasa que banheira de neném. Até respeitaríamos (entender nunca) o projeto pessoal de Soderbergh de revisitar a obra de um ídolo, verificada no respeito à cronologia dos eventos que se sucedem em Solaris, mas certamente o nosso respeito acaba ao depararmos com a garfada impediosa no epílogo da história e com o final açucarado e enlatado demais. O máximo de poesia que encontramos no filme são os poucos excertos lidos monocordicamente em determinadas cenas. Tarkovsky certamente está revirando no túmulo!
Adicionado em 30 de jul de 2010 às 08h28 Denunciar um abuso
Salvando...




