SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
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2 - Fraco
A primeira coisa que chama a atenção no filme é a linguagem, ou seja, português do século XVI, o que torna os diálogos difíceis de serem entendidos sem as legendas. O livro de Ana Miranda deu origem ao roteiro do filme que retrata o Brasil inóspito do início da colonização. Como os portugueses que habitavam nosso país varonil começaram a desposar indígenas, o senhor rei da metrópole lusitana achou por bem enviar jovens brancas, portuguesas e órfãs para evitar que a miscigenação se tornasse regra. O Brasil era um desmundo, daí só fugitivos ou desesperados se decidiriam por mudar-se para cá. Oribela (Simone Spoladore) era uma órfã que foi escolhida por Francisco de Albuquerque (Osmar Prado) para ser sua esposa. Como não poderia ser diferente, Francisco era um ser rústico. Ela não se sujeitou às vontades do seu esposo e tentou fugir. Foi caçada e mantida em "cárcere privado" por ele. A distância entre os dois aumentou, apesar dela tentar disfarçar o seu desprezo pelo marido. O sonho de Oribela era voltar para Portugal e trabalhar como ama numa casa de família. Para tanto ela recorre à ajuda de Ximeno (Caco Ciocler), um novo cristão espanhol, que vive do comércio. A paixão dos dois, que pode ser antecipada desde as cenas iniciais do filme, se consome. Porém, o "carma" de Oribela não era ser feliz para sempre como nos contos de fada. A reconstituição de época, a fotografia e a edição são excelentes. No elenco quem se destaca é Osmar Prado. O mais importante é a visão feminina que temos dos primórdios da colonização. Alain Fresnot acertou na mosca para nossa sorte.
Adicionado em 15 de jan de 2003 às 00h00
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