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    Lady Bird - A Hora de Voar
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    Lady Bird - A Hora de Voar

    Greta Gerwig voa alto em seu primeiro longa solo como diretora

    por Renato Hermsdorff
    Lady Bird é daquele tipo de filme que você assiste com um sorriso no rosto do início ao fim. Despretensioso, o longa de estreia na direção solo da atriz Greta Gerwig é um delicioso conto de chegada à maturidade (o famoso "coming of age"), centrado na figura de uma protagonista concebida com uma rara espontaneidade e, como consequência, involuntariamente carismática, perfil captado com precisão por Saoirse Ronan.

    Auto-rebatizada "Lady Bird", Christine McPherson (Saoirse, de Brooklin, excepcional) é uma típica garota comum de 17 anos. Estudante de uma escola católica na cidade de Sacramento, nos Estados Unidos (fora, portanto, do circuito hype), ela não é exatamente popular. E, em casa, vive às turras com a mãe, controladora, que cumpre uma dupla jornada de trabalho para compensar o desemprego do pai (Tracy Letts), a quem a menina idolatra. O filme se passa em 2002, período de dificuldades para a economia do país.

    E se você acha que já viu essa história antes, bom, o roteiro, também assinado por Greta Gerwig, é a comprovação de que é possível fazer "diferente" a partir de uma ideia "batida" (o original aqui não é o "o quê", mas o "como"). E, nesse sentido, "Lady Bird" não tem nada de ordinário (no sentido de "comum").


    Aqui, o viés do "coming of age" não é um verniz para conferir um falso ar de seriedade à jornada da protagonista. O texto de Greta oferece, sobretudo a partir de diálogos naturais (e hilários), elementos para que o espectador acompanhe de fato o desabrochar da maturidade de "Lady". De quando comia hóstia escondido com a amiga gordinha (Beanie Feldstein, uma revelação) à compreensão dos motivos da dureza da mãe (Laurie Metcalf, da série Roseanne, uma adorável megera), há um abismo a ser transpassado. O que é feito com leveza e sensibilidade.

    "Doidinha", a personagem é uma espécie de prequel de Frances Ha, delicioso papel que alçou a própria Greta ao mundo, no filme de Noah Baumbach. E a obra acerta em cheio em uma característica importante do cinema, que é a identificação com o público. Para isso, se evita o melodrama barato, principalmente a partir do uso de elipses curtas de tempo. O que significa dizer que o longa surpreende, provoca, a plateia.

    Para o bem ou para o mal, Greta Gerwig não quer inventar a roda. Trata-se de uma direção até mesmo convencional. Mas de uma condução honesta de um assunto do qual ela parece entender, na linha "fale de sua aldeia e estará falando do mundo". Com uma elogiada carreira como atriz, Greta passa a ser um nome a se ficar de olho também por seu trabalho atrás das câmeras, para o qual já se apresenta madura.

    Filme visto no 42º Festival de Toronto, em setembro de 2017
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    Comentários

    • Rafaela
      Fiquei bem contente com o filme, mas o final foi bem Fuen Fuen... Nem tinha percebido que já tinha acabado, fiquei tipo quê? Encerrar histórias não tem sido o ponto forte dos filmes atualmente. Gostei, eu sempre fui um pouco Lady BIRD, é impressionante como da pra se identificar... eu achei ela chata, mas eu sempre tive certeza de que era chata hahahah.
    • malu de maluca
      eu tava tão assim como se diz na expectativa para assistir esse filme que eu amei ate o ponto que ela vai pro aeroporto o resto não tem sentido nenhum o final e como se ele não soubesse termina o filme ele podia ter feito ela se arrependendo de ter ido pra lá e voltado mais não ele fez um sentido mó sem sei lá nem tenho palavra pra dizer do filme só sei que gostei do começo isso eu falo que o começo e perfeito fala das dificuldades da comunicaçoes entre mãe e filha etc
    • Alexandra Melo
      Exatamente. Mãe é mãe, e acredito que ela deu o melhor que podia oferecer.
    • Alexandra Melo
      Exatamente! Me senti revivendo a adolescência e todos os conflitos.Excelente filme.
    • MCemerson
      Nem eu nem milha filha de dezoito anos gostamos do filme. Ele é muito cheio de clichês e óbvio demais, com um final decepcionante.
    • Thiago Rocha
      Heheeheh, já me desapontei.
    • Iara
      vai se desapontar
    • Luiz
      Concordo com a maioria das opiniões aqui. Arrisco dizer que estamos vendo uma condescendência da crítica especializada com tantos filmes bons, mas que não saem de uma média que já foi bem ultrapassada. E o sentido das premiações não é destacar grandes filmes? onde eles estão?
    • Elaine Costta
      Achei um filme delicado.... e só. Não acho que mereça as cinco indicações ao Oscar. Meu preferido ainda é Call me by your name.
    • Franklim A.
      É um filme bom, com uma história sobre pessoas comuns.Não há nada de novo, nem nada negativo.Não acho que tenha cara de Oscar, mas tudo é possível.
    • Walterlina Brasil
      filme saco. forçar dizer que presta. talvez para algum exercício intelectual azedo.
    • Gabriel V.
      O grande mérito do filme é não estereotipar.No filme, temos uma família normal, ou seja, uma família com certo grau de neurose, problemas e disfuncionalidade.Como diria Neil Gaiman, não existe nenhuma família normal que não seja, ao menos um pouco, disfuncional.O pai sofre depressão, mas não é o foco trágico da narrativa - é muito mais uma figura gentil do que problemática. Sua depressão soa mais como um aspecto do que sustentáculo da sua existência.A mãe é controladora e desagradável a maior parte do tempo, mas não tem como não dizer que ela não ama sua família, que não é trabalhadora e digna de respeito e admiração.Boa parte do filme é construída na relação entre Lady Bird e sua mãe.A comunidade católica (que não se limita a escola) não é demonizada e nem colocada num pedestal de impecabilidade. O que é raro no cinema.E é nesse meio agridoce que temos Lady Bird. Uma garota que vive uma montanha russa de rebeldia e arrependimentos.Apesar de toda jornada de desprendimento, o filme é muito melhor definido na perspectiva do reencontro. Se fosse pra definir o filme em algumas palavras-chaves seria maturidade, saudade e nostalgia.No final, temos uma representação fílmica muito singela e delicada da parábola do Filho Pródigo, do reencontro às raízes - mostrando que o filme é muito mais do que a hora de voar, como sugere o subtítulo em português, mas sim de voar e voltar para o ninho.Ótimo filme.
    • Maria Flor
      Acredite que é possível sim conviver com uma mãe assim. E é dessa forma que vamos aprendendo sobre a vida, sobre as pessoas, principalmente as que mais amamos.
    • Cristiane Oliveira
      Que filme chato, não acredito que vai concorrer a algo, na vida real ninguém aturaria uma mãe como a dela. Estava esperando pelo menos um final bom, e nada.
    • Lucas Pires
      Czaz eu generalizei bastante, acho q pq eu fui muito Lady Bird na adolescência e minha mãe um pouco como a mãe dela, mas no fim também nos amamos bastante. Mas eu te entendo, pra quem não se identifica com a personagem, dá pra sentir repulsa mesmo pq é muita pretensão artística dessa menina ( coisa q eu nunca tive kkkk)
    • caz
      nossa eu senti como você mas totalmente ao contrario, Fiquei incomodado o tempo inteiro do filme, apesar de ter momentos engraçados eu nunca mais verei de novo, a personagem principal e a mãe meio que me causaram repulsa até a metade do filme, e foi o sentimento que mais me norteou até la, depois da metade meu sentimento mudou por que eu me vi no papel dela, vi como fazia e faço ( e todos fazem) aquilo que não querem para agradar os outros, ou não valorizam o que tem ou veem seus proprios sonhos frustrados por quem você ama, ele toca em muitas coisas desagradaveis e tem um final desagradável ( mas que pra mim foi perfeito ) que jogo o sentimento de arrependimento dela com todas as forças em cima de você . Pra mim não vai virar nenhum clássico do cinema, mas é muito bom no que propoe a fazer, mostrar nossa própria realidade.
    • Lucas Pires
      A direção é simples e segura mas o que ganha o filme, além das atrizes principais brilhantes e críveis, é o roteiro que é altamente identificável. Lady Bird é gente como a gente, com todos os anseios da adolescência (eu me vi na cena do primeiro sexo nao especial). Enfim, o time de filme que conversa contigo. Gostei muito. E o timing cômico também é ótimoooo, eu ri mt.
    • Iury Rezende
      Filme xarope e superestimado, assim como outro queridinho da crítica, Me Chame pelo seu Nome.
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