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Demolidor - O Homem Sem Medo
Críticas AdoroCinema
3,0
Legal
Demolidor - O Homem Sem Medo

JUSTIÇA SEJA FEITA

por Roberto Cunha

Para quem conhecia um pouco - ou muito - da história desse herói mais obscuro da Marvel, é uma grande satisfação vê-lo transportado para a telona. Mesmo sabendo que o orçamento (cerca US$75 milhões) foi mais modesto do que o dos outros heróis, a sensação não é de decepção quando se senta na sala escura para assistir Demolidor - O Homem Sem Medo. Só não dá para comparar com o recente Homem-Aranha, que além de mais popular, ganhou um filme primoroso.

Para o espectador que não o conhece, vale a explicação de que o Demolidor nunca teve sua imagem muito explorada. E quem já passou dos 40, pode lembrar que os desenhos animados exibidos na TV aberta eram os do Capitão América, Hulk, Homem de Ferro, Namor, Thor e Homem-Aranha. O Demolidor era mais conhecido mesmo por quem colecionava gibis. Uma das características que podem diferenciá-lo é o fato de ele ser um vingador no melhor estilo Charles Bronson na saga Desejo de Matar. Demolidor não tem super poderes oriundos de alguma mutação. É um ser humano que desenvolveu de forma mais intensa os outros sentidos de seu corpo (que apanha muito de seus inimigos) cheio de marcas. Mas nada o impede de seguir em frente na luta pela justiça, mesmo que seja a sua. Matt Murdoch (Ben Affleck), de dia representa a justiça na figura de um advogado idealista, mas à noite ele é um justiceiro que ficou cego por acidente, tendo perdido a visão quando confrontado com uma dura realidade: seu pai não era o herói que ele imaginava.

O maior problema do filme é o roteiro fraco. A paixão repentina do herói pela misteriosa Elektra (Jennifer Garner), por exemplo, incomoda. E eles se conhecendo através dos golpes de artes marciais foi dose para leão. Surreal. Uma cena de um assalto, embora clichê, ficaria mais aceitável do que os tapas trocados na frente de um monte de crianças querendo ver briga. Mais politicamente incorreto impossível. Algumas situações criadas para gerar conflito foram ruins, como a do vilão Mercenário (Colin Farrell) colocando Elektra e Demolidor, um contra o outro, numa situação totalmente inverossímil. E fica pior ainda quando, mais adiante, sem um diálogo esclarecedor, a bela boa de briga pede desculpas por ter descoberto o seu verdadeiro amor. Coisas do cinemão americano que poderiam ser mais elaboradas. A escolha do elenco foi feliz, optando por nomes já conhecidos como Affleck, e outros em plena ascenção como Farrel e a exótica e sinuosa Garner. Entre as curiosidades, as participações do criador de personagem, Stan Lee, no filme e também do ator/diretor Kevin Smith, outrora roteirista do próprio herói nos gibis, fã declarado do gênero.

Apesar de ter algumas sequências violentas para o tipo de filme, o humor está presente em toda a produção. Os figurinos de couro lembram até o universo sadomasoquista, mas isso deve passar despercebido do grande público que quer mesmo é outro tipo de diversão. Para quem se incomodar com o fato do filme se passar grande parte do tempo no escuro, vale o registro de que o herói só "trabalha" a noite e a escuridão faz parte de sua vida. Destaque para as bonitas e bem resolvidas sequências em que ele "enxerga". Um bom exemplo de efeitos especiais a serviço da criatividade. Não tenha receio, Demolidor - O Homem Sem Medo é um bom programa. Que venha a sequência!

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