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    Me Chama que Eu Vou
    Críticas AdoroCinema
    3,5
    Bom
    Me Chama que Eu Vou

    O homem e o artista

    por Barbara Demerov
    O documentário Me Chama que Eu Vou possui um grande trunfo capaz de superar qualquer imperfeição de sua narrativa: seu personagem principal. Sidney Magal e Sidney Magalhães são suas pessoas completamente diferentes, fato este bem destacado ao longo da obra dirigida por Joana Mariani (Todas as Canções de Amor), que tem a intenção de mostrar ao público quem é o homem por trás do sucesso e de músicas como "Sandra Rosa Madalena".

    A boa montagem e o abrangente material de arquivo, com cortes de jornal, fotos, vídeos caseiros e vídeos profissionais com Magal, proporciona uma experiência leve e prazerosa acerca dos momentos mais marcantes de sua vida. Com a adição de entrevistas com sua esposa, Magali, e seu filho, Rodrigo, o contraste da imagem que todos têm do artista vai sendo deixada de lado para que o espectador possa conhecer seu outro lado: mais reservado, caseiro e muito mais ligado à família que à fama.



    Com isso, Me Chama que Eu Vou possui dois pontos que se complementam de forma natural, pois a obra sabe dosar os momentos de revisita à carreira de Magal, traçando todo um panorama desde sua infância - destacando o importante apoio de sua mãe para seguir o caminho da música - até chegar à fase adulta, com o sucesso de suas músicas, clipes e aparições na televisão. O legado do músico e ator ganha bastante espaço com mais materiais de arquivo, em que são apresentadas imagens de artistas e fãs imitando-o.

    Apesar de narrar os desafios da fama - como as lembranças de ser assaltado algumas vezes e de sua esposa e filhos não terem tanta privacidade diante da fama -, sendo este um elemento importante para trazer o mínimo de conflito e pontos realísticos, o entorno não sai muito do tom do tributo. Mas, como dito no início da crítica, o fato de o protagonista ser Sidney Magal não transforma isso em um defeito irreversível, já que a figura não só marcou o Brasil nas décadas de 70 e 80, como também o seu sucesso ainda é refletido nos dias atuais.

    Me Chama que Eu Vou é um documentário que visa homenagear e celebrar a vida de Sidney Magal, mas é interessante observar que quem vemos mais à frente das câmeras é Sidney Magalhães. Ao fazer um trabalho que desmistifica o lado que todos já conhecem ou ouviram falar, Joana Mariani consegue captar o verdadeiro lado de Magal, algo que reflete diretamente no carisma que a obra possui. Característica essa que apenas o homem, não o artista, é capaz de emanar com facilidade.

    Filme visto no 48º Festival de Gramado, em setembro de 2020.
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