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    A Metamorfose dos Pássaros
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    A Metamorfose dos Pássaros

    Um tributo universal

    por Barbara Demerov
    Documentários cujos diretores focam a atenção para suas próprias famílias andam em uma linha tênue. Afinal, até onde pode-se garantir a eficácia de uma mensagem tão singular, pertencente a um universo particular que pode não conversar com o mundo exterior? Até que ponto é possível cruzar o limite deste mundo interior e, ao mesmo tempo, entregar uma experiência cinematográfica que alcance o coletivo também? Chegar até este resultado pode ser complexo, mas a diretora Catarina Vasconcelos alcança isso com maestria.

    A Metamorfose dos Pássaros se encontra em tantos lugares que é impossível distingui-los às vezes, de tão complementares que se mostram dentro da narrativa, construída aos poucos. Há a visão de Jacinto, pai de Catarina, com relação à sua mãe (Beatriz, avó da cineasta), há a visão de Catarina com relação à própria mãe e há a conjunção de duas gerações tão diferentes e ao mesmo tempo conectadas por um ponto: a perda da figura materna na adolescência.

    Utilizando imagens ficcionais e vozes que ora são de seu pai, ora são de atores, Vasconcelos dá sentido a cada cena e a cada palavra dita independente do mensageiro ou receptor. Desde a primeira cena, que já remete a sensação de luto e saudade, o espectador é transportado para uma história que fala majoritariamente sobre amor, sem depender da figura exata dos personagens narrados. O que importa de fato é o sentimento que cada um deles evoca através de frases sortidas entre distância, a formação de uma família e de imagens que se aproveitam da natureza e da metáfora sobre os pássaros para criar coesão.

    Ao transformar a trajetória de uma família comum em um exemplar de como o cinema pode ser um espaço (e ferramenta) de acolhimento, Vasconcelos entrega uma análise vívida e pessoal sobre como é importante acessar nossa ancestralidade e herança familiar para compreender e unir-se ainda mais àqueles que dividem essa jornada. Através do duplo olhar como personagem e diretora, é possível encontrar a poesia de sua mensagem particular e a ótima condução narrativa de forma equilibrada, sem que uma anule a outra.

    Pelo contrário: as duas formas se encontram e se completam. Aqui, as memórias de um círculo de pessoas saem do imaginário e encontram sentido mundo afora, pois falam sobre questões universais. A Metamorfose dos Pássaros é um filme-tributo e também uma documentação de nossa própria existência.
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