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    Encontro Fatal
    Críticas AdoroCinema
    1,5
    Ruim
    Encontro Fatal

    Repetição de um gênero

    por Barbara Demerov
    Nos moldes de Mulher Solteira Procura - com a diferença de que a pessoa perigosa da história quer tomar a protagonista para si, não necessariamente matá-la - e até mesmo de Atração Fatal, Encontro Fatal é um filme que se rende às fantasias mais clichês do gênero de terror psicológico. O filme de Peter Sullivan até poderia ser um produto apropriado para entreter o espectador que gosta do estilo, mas absolutamente tudo o que é apresentado se apoia no que ele tem de negativo.

    A começar pela motivação da protagonista, Ellie (Nia Long). As cenas e diálogos iniciais expõem o máximo que podem para o espectador conhecer sua família em questão de minutos, o que torna tudo artificial demais. Somos apresentados à sua maior frustração (a falta de carinho no casamento de 20 anos) ao mesmo tempo em que a vemos organizando sua nova casa longe da cidade junto de seu marido, um homem afetuoso e aparentemente ainda se recuperando de um acidente.

    COM TRAMA INCOERENTE, ENCONTRO FATAL RESSALTA A FRAGILIDADE DO GÊNERO DE SUCESSO DOS ANOS 80/90

    Não é como se o problema de Ellie seja diminuído aos olhos do espectador, mas o fato de o marido tomar muitos remédios e até aparentar estar um pouco aéreo é insuficiente para justificar uma traição. Mas ela quase acontece em menos de meia hora de filme, quando chegamos ao encontro visto no título. Assim que David (Omar Epps), antigo colega de faculdade de Ellie, retorna à sua vida através do trabalho, a protagonista simplesmente desabafa questões íntimas num piscar de olhos. É algo extremamente incoerente, tendo em vista que Ellie possui amigas - sendo muito mais lógico ela partilhar suas dores com alguém que a conhece de verdade, não com um estranho que sumiu de sua vida há décadas.



    É preciso citar essa inconsistência (apenas uma delas) para explicar que Encontro Fatal abre todos os caminhos a favor do antagonista e em prol do teor sexual visto no encontro da dupla. É muito conveniente por parte do roteiro inserir um período de insatisfação de Ellie para depois convertê-lo em um breve momento de "insensatez", como se seus sentimentos fossem ilegítimos. Apesar de o espectador ver traços superficiais de sua vida e não conseguir entendê-la completamente, a história em si acaba sendo injusta com a mulher.

    Sendo assim, a partir do encontro na boate que quase terminou em uma grande traição, a culpa torna-se mais de Ellie do que de David - que surge de forma cada vez mais recorrente e assustadora na vida pessoal da advogada. A transformação de homem normal para um maluco possessivo acontece abruptamente, sem cuidado algum. E, além disso, a verdadeira razão pela qual David foi atrás de Ellie só aparece graças a outro diálogo constrangedor em que uma outra colega de faculdade conta à protagonista o verdadeiro passado do vilão.

    Em meio a twists narrativos que não fazem o menor sentido - como na sequência em que Ellie entra no apartamento de David e este não se dá conta, mesmo sendo um assassino frio -, Encontro Fatal ainda introduz uma briga entre amigas que se resume ao assassino. Não bastasse a maneira fantasiosa na qual o filme desenvolve a trama e suas consequências, os diálogos revelam a fragilidade do roteiro em trabalhar os personagens como peças de xadrez, deixando o sentido de lado. Não é como se os filmes citados no início da crítica fazem total sentido, mas, visto os pontos negativos que se repetem, talvez este gênero já tenha se tornado um tanto ultrapassado nos dias atuais.
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