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    Love Me Tender
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Love Me Tender

    No mundo de Seconda

    por Francisco Russo
    Uma dança abrutalhada, estrelada por uma mulher um tanto quanto desengonçada. O início do longa-metragem tanto surpreende quanto desperta curiosidade: quem é ela, que não sai de casa há nove meses? Como se dá este estranho relacionamento com os pais, que ora incentivam que deixe o lar ora a protegem no casulo? O novo filme dirigido por Klaudia Reynicke usa o mistério como narrativa, manipulando-o de forma a dar informações a conta-gotas. Desvendá-lo é o grande convite que Love Me Tender faz ao espectador.



    Diante de tal contexto, fica explícito o sarcasmo presente no título original. De ternura a vida de Seconda nada tem, em sua rotina prisioneira que faz com que salte do banho para a dança, da dança para a necessária alimentação, da alimentação para o banho. Sempre com a mesma roupa, o mesmo modo de agir, sem qualquer trilha sonora. Seconda está morta, presa em uma espiral kafkaniana onde não consegue deixar o mundo que criou para si mesma. Até que a vida, sempre ela, a obriga a agir.

    É interessante notar como, esteticamente, a diretora constrói esta súbita quebra de rotina. De início, pouco muda: Seconda apenas busca novos hábitos, dentro do ambiente que tão bem conhece, mesmo que precise se submeter às ligações telefônicas sempre ameaçadoras de um homem desconhecido. Confrontada a ir além, Love Me Tender encampa a música como meio de libertação, estabelecendo sua aparição ao abandono do bunker. Antes disto, pipocam aqui e ali coadjuvantes que são quase figurantes, mas que marcam presença pela composição da fauna local. É desta ambientação, no fim das contas, que sobrevive o longa-metragem.



    Com uma trama que lida com o psicológico e os traumas inerentes ao meio em que se é criado, Love Me Tender soa mais como um exercício de narrativa, tanto para a diretora quanto sua protagonista. A quase iniciante Barbara Giordano tem uma atuação bastante física, onde a estranheza no comportamento diz quase tudo sobre a personagem. Apesar de instigante a princípio, aos poucos o longa-metragem demonstra ser vazio de ideias, ao menos além de sua proposta inicial. Por mais que haja um interessante trabalho em relação ao modo como o silêncio é trabalhado, como elemento de narrativa, é pouco diante do que o filme entrega. Apenas razoável.

    Filme visto no Festival de Toronto, em setembro de 2019.
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