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    Modo Avião
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Modo Avião

    Mais vida, menos likes

    por Barbara Demerov
    Não é exagero afirmar que Larissa Manoela possui uma das vozes mais influentes quando centramos no que o público infanto-juvenil gosta de consumir. A jovem atriz e influencer cresceu atuando e agora, mais do que nunca, conquistou um importante espaço dentro do streaming. Com novos filmes já confirmados pela Netflix no futuro, Modo Avião pode ser encarado como uma nova fase para Manoela. Este é um filme que não só fala sobre questões muito atuais como também é bastante centrado no talento de sua protagonista, que tem carisma de sobra para fazer com que o espectador se identifique com o que Ana, jovem viciada em celular, sente ao longo da narrativa.

    Contudo, nem mesmo a presença marcante de Manoela em tela, com uma personagem que evidencia algumas das maiores complicações desta geração – o consumo excessivo de redes sociais, a vontade de se mostrar sempre feliz e, claro, a busca eterna por likes e seguidores –, é capaz de se desvencilhar de clichês nada naturais. Em Modo Avião, após Ana se acidentar no trânsito de São Paulo por estar mais focada em seu celular, a garota é obrigada a fazer um detox digital promovido por seus preocupados pais. Ela, então, se afasta da cidade grande e da agência em que trabalha, que pouco se importa com seu bem estar, e finalmente conhece seu avô numa cidade do interior.



    Toda a composição deste cenário detox entra num dilema: de um lado, o avô, interpretado por Erasmo Carlos, é um dos pontos altos desta parte de personagens da pacata cidade, mas todo o restante não consegue alcançar outro nível que não seja dentro de estereótipos. É interessante ver a transformação de Ana, antes uma jovem mais preocupada com o exterior e que não ouvia suas próprias vontades de forma correta, até chegar numa jovem que enfim conhece suas raízes, seu passado e, por consequência, o melhor caminho a seguir no futuro. Porém, a realidade é que todos nós já vimos este tipo de história, e inevitavelmente o desfecho de cada componente do roteiro é muito fácil de ser decifrado ainda na metade do longa.

    É muito claro o esforço de Manoela em entregar uma personagem de várias camadas, seja por seu gosto por moda (diminuído pelo dia a dia como influencer) ou pela sutil inquietação ao lidar com sua chefe Carola (Katiuscia Canoro). Porém, o roteiro não tem como principal missão trabalhar melhor seus personagens – como a própria chefe da agência de influencers, que atua como roteirista da vida de seus clientes. A vilã tinha o potencial para ser ainda mais autêntica e trazer uma mensagem séria sobre a questão problemática que é a do fingimento e ilusão contida nas redes sociais – mas nada disso acontece, pois o roteiro foca mais no lado cômico de toda a situação, com frases que soam forçadas e situações que dificilmente aconteceriam na vida real.

    Com uma bela direção de arte e fotografia, que contrasta bem os dois "mundos" tão distintos na visão de Ana, Modo Avião se sobressai quando se atenta às questões familiares que envolvem a protagonista, especialmente na relação avô e neta. Os diálogos encontrados nestes momentos focados na importância de ser sincero com suas raízes e encontrar sua verdadeira motivação são bonitos, da mesma forma que é a mudança comportamental de Ana ao abrir os olhos para o mundo real, longe de aplicativos. A mensagem do filme de César Rodrigues acaba por nos distrair momentaneamente dos deméritos da história, sendo relevante para os dias atuais e ainda com um bônus: trazendo consigo uma mensageira que garante o valor de tal reflexão.
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