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    A Festa de Formatura
    Críticas AdoroCinema
    3,5
    Bom
    A Festa de Formatura

    Essa festa virou um caos

    por Katiúscia Vianna
    Ryan Murphy é um sujeito que gosta de trabalhar, basta ver como ele se envolve em diversos projetos ao mesmo tempo. Mas A Festa de Formatura é o primeiro filme dirigido pelo famoso produtor para a Netflix. A escolha de tal projeto é ousada: trata-se da adaptação do musical The Prom, que ficou apenas um ano em cartaz na Broadway, apesar dos elogios da imprensa.

    A história gira ao redor de Emma (Jo Ellen Pellman), jovem lésbica cujo baile de formatura é cancelado quando um grupo de pais conservadores descobrem que ela deseja levar sua namorada para a festa. Tal polêmica chama a atenção de quatro atores da Broadway — vividos por Meryl Streep, Nicole KidmanJames CordenAndrew Rannells — que decidem ajudá-la, a fim de ganhar boa publicidade e revitalizar suas carreiras.

    The Prom lembra os tempos áureos de Glee



    Essa não é uma premissa que se ouve todos os dias, não é mesmo? The Prom é uma obra que sabe o quão louca é (apesar de ser levemente inspirada em fatos reais), então abraça o humor de absurdo. Chega então Ryan Murphy, que não é conhecido por sua sutileza. Quem viu Glee vai reconhecer algumas características da série neste filme, seja em enquadramentos fechados, montagens ou exageros de suas performances.

    Quem não é fã do gênero pode ficar incomodado com a falta de "respiros" dentre os números musicais, ou algumas conveniências clichês do gênero. Pelo lado positivo, a ostentação colorida de Murphy funciona para a história, cheia de canções animadas escritas por Chad Beguelin e Matthew Sklar. Ele sabe fazer grandes sequências elaboradas como "Tonight Belongs to You" e "Love Thy Neighbor", mas também traz algo criativo para uma performance intimista como a tocante "Unruly Heart".

    Outra coisa que o diretor sabe fazer é reunir um bom elenco: Jo Ellen Pellman e Ariana DeBose são revelações que entregam humanidade no meio de uma história tão purpurinada. Andrew Rannells é hilário, Keegan-Michael Kay surge com uma nova faceta, e ver Nicole Kidman num papel tão ridiculamente livre é um sopro de ar fresco. Mas nada se compara à ela: Viva Meryl Streep e sua paixão por musicais. Vivendo uma atriz completamente narcisista, Meryl claramente se esbanja na personagem, com uma presença magnética e divertida.

    Os exageros superfíciais de The Prom podem incomodar



    Se os exageros funcionam para dar brilho à história, eles pecam em outros aspectos. Apesar dele tentar fazer um esforço, a escalação de James Corden é um equívoco, com um personagem gay superficial, algo que não precisamos mais ver em pleno século XXI. Principalmente, considerando que o papel de Barry Glickman é o coração do filme, junto com Emma —ainda mais na versão de Murphy, que adiciona um arco dramático para o ator, envolvendo Tracey Ullman numa peruca estranha.

    Apesar disso, é inegável a importância de The Prom com sua mensagem de aceitação, mostrando as consequências do preconceito em duas jovens que só querem dançar juntas. No final das contas, A Festa de Formatura é um filme divertido para os fãs de musicais, mesmo que a sutileza seja jogada para escanteio por 90% de sua duração. E nunca podemos reclamar de um filme que traz Meryl Streep cantando e dançando.

    É sério. Sua performance de "It's Not About Me" é uma das melhores coisas de 2020.
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