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    Étangs Noirs
    Críticas AdoroCinema
    2,0
    Fraco
    Étangs Noirs

    Entrega para você

    por Barbara Demerov
    Tudo o que sabemos sobre o protagonista de Etangs Noirs, Jimi (Cédric Luvuezo), resume-se à sua breve aventura em busca da dona da encomenda que chegou por engano em sua soleira. Toda a narrativa se resolve no momento presente, sem pontas soltas que poderiam ser capazes de nos fazer pensar sobre quem ele é, o que faz e como chegou até ali. Esta é a beleza e a estranheza que compõe o longa de Timeau De Keyser e Pieter Dumoulin, cuja narrativa não se propõe a apoiar-se a nada além do que o pacote que o jovem tem em mãos.

    A breve duração do filme não o torna limitado em questões de até onde a história pode chegar, mas ainda assim há certas limitações dentro da mesma que a impedem de encontrar um tom mais forte do que a seguinte premissa: Até onde a curiosidade pode nos levar? Ao tomar atitudes um tanto extremas para chegar até o destinatário correto, Jimi acaba vendo um pouco mais do mundo afora – especialmente no metrô, local onde o filme se passa boa parte do tempo. A câmera subjetiva dos diretores observa pessoas conversando, a movimentação no subsolo e a rotina que permeia a todos ali; o que acaba por contrastar bastante com a vida do protagonista, que vive em um imenso condomínio de apartamentos onde são todos similares e de cores opacas.



    Contudo, todo e qualquer início de reflexão imposta pelo roteiro é cessada, pois o conflito maior acaba sendo o de Jimi lutar contra seu receio e vergonha e, finalmente, ter a capacidade de entregar o resultado de um simples engano. Ele poderia deixar o pacote na porta da mulher misteriosa (como bem sugere uma vizinha), mas se existe alguma mensagem em Etangs Noirs é justamente a de que, às vezes, podemos nos esforçar imensamente para algo e, no fim, o resultado pode não ser exatamente tão emocionante quanto a jornada. O trajeto de Jimi até a mulher é intrigante, mas falta um gancho que realmente o torne significativo para com sua vida. 

    Talvez seja essa justamente a intenção da dupla de diretores; afinal, não há como pedir por respostas sendo que nenhum background do garoto é entregue a não ser sua frívola relação com uma vizinha idosa. Como se fosse um fantasma, Jimi se espreita pelos corredores do condomínio e pelos túneis do metrô – tudo para tentar buscar alguma forma de contato diferenciado com alguém que não faz ideia de quem seja.

    "Etangs noirs", em tradução livre, quer dizer "lagoas negras". Não existe qualquer tipo de alusão entre o título do filme e o protagonista. No sentido figurativo, a lagoa negra pode ser um local novo no qual Jimi adentra aos poucos, além de ser um local que imediatamente já emana uma sensação de mistério. O problema é que o mistério é mantido do início ao fim sem resultar em qualquer ação necessariamente impactante, que faça o espectador compreender seu verdadeiro ponto como filme. Quando isso aparenta estar prestes a acontecer, os créditos começam a rolar.

    Filme visto no 8º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba, em junho de 2019.
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