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    Sylvie’s Love
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    Sylvie’s Love

    Um amor de época

    por Barbara Demerov
    Em uma Nova York dos anos 50 e 60, em meio ao jazz e às realizações pessoais de seus protagonistas, Sylvie's Love se desenrola com leveza e sensibilidade. Graças ao forte protagonismo de Tessa Thompson, o filme dirigido por Eugene Ashe estende o "amor" do título para algo além do que se concentra nos relacionamentos amorosos. Assim, ele entrega uma personagem autosuficiente que não se limita a ser uma dona de casa - mesmo em um período que influenciava fortemente as esposas e mães a serem apenas isso.

    Mas é claro que o amor faz parte desta narrativa. Entre o vai e vem do casal Sylvie (Thompson) e Robert (Nnamdi Asomugha), o romance intercala momentos de muito melodrama com um cenário de fundo tão agradável quanto fantasioso; afinal, os protagonistas negros vivem uma vida que não tem como principal obstáculo o racismo, mas sim os desafios pessoais e profissionais que marcam a vivência de qualquer pessoa de classe média neste mundo. É muito bonito como a história evolui com base nas conquistas de cada um, ainda que enquanto casal eles precisem se alinhar frequentemente.

    Apesar de contar com uma encantadora atmosfera em Nova York, os conflitos do filme não possuem tanta emoção

    Essa simples observação feita com relação ao tratamento despretensioso que o roteiro faz aos personagens negros já mostra que o filme de Ashe se baseia em uma realidade mais leve, e não com a mesma abordada em tantos outros filmes de época, que fala muito sobre as dificuldades em meio ao racismo estrutural da sociedade norte-americana. Por isso, Sylvie's Love é um filme que possui certa fantasia ao abordar esta e outras questões. Mas, longe de ser uma fantasia que não encanta, a história ganha força através da dupla de atores principais.



    A história de amor entre Sylvie e Robert pode até remeter à de La La Land pela ligação de desejos profissionais com música, mas um exemplo que se encaixa mais naturalmente, caso haja comparação, é O Diário de uma Paixão. Na verdade, algumas cenas parecem até remontar toda a atmosfera de época, com uma certa repressão da família de Sylvie, o desejo de Robert em provar que é merecedor do sucesso e o crescimento de Sylvie em sua independência e maturidade. Além disso, há uma passagem praticamente igual a do filme com Ryan Gosling e Rachel McAdams, em que o jovem casal dança sozinho em uma rua molhada pela chuva.

    Porém, os bons momentos de Sylvie's Love se perdem após a metade da narrativa, pois é aí que a história entra em um nível não tão intenso quanto a introdução e a apresentação do casal. Por já conhecermos aqueles personagens, as surpresas simplesmente param de aparecer. Até quando Sylvie e Robert se separam pela primeira vez o filme está em seu ponto mais elevado, pois trabalha os problemas de cada um enquanto indivíduo. Como destaque, a atmosfera clássica de NYC certamente ajuda nos momentos mais contemplativos, assim como na dinâmica de uma cidade - e de uma época - de constante transformação.

    Mas quando o casal parece se reencontrar de uma vez por todas, o roteiro entra uma espiral de fatos extremamente convenientes: como o segredo sobre a filha de Sylvie, a resolução do primeiro casamento da protagonista e os próprios problemas do casal. Parece que tudo foi previamente alinhado para que a história seguisse o caminho mais fácil, pois até mesmo quando o espectador observa os conflitos, é impossível sentir que Sylvie não ficará junto de seu grande amor. O ponto positivo é que, mesmo em uma jornada que pode parecer antiquada, o lado profissional, da independência, possui menos pedras no caminho que o do amor.
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