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    Te quiero, imbécil
    Críticas AdoroCinema
    2,0
    Fraco
    Te quiero, imbécil

    Receita de romance genérico

    por Barbara Demerov
    É estranho pensar que, em pleno 2020, um filme do gênero romance ainda prefira se apoiar na obviedade e artificialidade do clichê "manic pixie dream girl", termo que define uma personagem perfeita que só aparece para melhorar a vida de um protagonista (de preferência solteiro e solitário). Mas é exatamente isso o que acontece em Te Quiero, Imbécil, comédia romântica espanhola recentemente lançada pela Netflix. Ao invés de contornar este estereótipo para lá de ultrapassado, é praticamente só isso que movimenta a trama.

    ROMANCE PAUTADO POR CONVENIÊNCIAS E CLICHÊS

    Quando Marcos (Quim Gutiérrez) sai de um namoro de oito anos, repentinamente finalizado durante um pedido de noivado, ele logo se dá de encontro com sua antiga amiga do colégio, Raquel (Natalia Tena). Com cabelos coloridos, estilo despojado e altamente segura de si, a moça entra na vida de Marcos da forma mais espontânea e perfeita possível. É muito conveniente para o roteiro contar com uma personagem no padrão de Raquel: ela está sempre sorrindo, acaba por ser a melhor companhia que Marcos pode ter em um momento difícil e tem bons conselhos para dar sempre que possível.



    E, apesar de já ser altamente incômodo ver uma personagem sem camadas mais complexas ser inserida na história de um homem solteiro à procura do amor verdadeiro, Te Quiero, Imbécil não se contenta apenas com este "auxílio" narrativo. Absolutamente tudo em volta de Marcos possui características já retiradas de outras comédias românticas: desde quando ele entra no mundo dos aplicativos de encontros, muda o estilo de se vestir e até chega a se reencontrar com a ex, todas as decisões do protagonista e seus resultados não saem do cenário esperado.

    Por outro lado, o carisma de Natalia Tena é o que mantém tudo mais leve ao longo do filme - ainda que sua presença nunca seja exibida como a de uma pessoa normal, com defeitos e qualidades atuando em conjunto. Como alguém que está disponível para ser apoio e companhia de Marcos, Raquel vai perdendo seu próprio brilho a partir do momento em que o protagonista está confortável com tal fato. Ele sabe que Raquel estará lá e, por isso, está tudo bem. A partir deste ponto, a atenção do roteiro se volta às necessidades do homem em se provar independente e de se libertar da ex (que continua aparecendo de modo exaustivo, servindo apenas para ser vilanizada cada vez mais em sua participação caricaturesca).

    Te Quiero, Imbécil não passa de um romance água com açúcar que prefere agradar seu público com o aproveitamento de inúmeros padrões, passando longe de entregar uma história inspiradora sobre mudanças e escolhas certas. Isso se estende a personagens, situações, diálogos e plot-twists, que nunca saem da caixinha e apenas servem para que Marcos entre em um cenário cada vez mais cômico e voltado para seu próprio desenvolvimento pessoal. Seu arco funciona em partes, mas é uma pena que todos à sua volta, especialmente Raquel, não ganhem a devida atenção para formar um elenco mais harmonioso.
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