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    Nova Ordem
    Críticas AdoroCinema
    2,0
    Fraco
    Nova Ordem

    Provocação sem equilíbrio

    por Barbara Demerov
    O novo filme de Michel Franco, premiado no Festival de Veneza 2020, introduz rapidamente seus personagens principais para, então, retirá-los de forma ainda mais abrupta de sua zona de conforto. Há apenas uma gradação em Nova Ordem, e essa gradação vai da ordem ao caos em questão de poucos minutos. Não há nada de muito complicado na narrativa para que o espectador possa compreender o que se passa na história. Uma festa de casamento é uma breve distração para o que está acontecendo lá fora: um golpe de Estado.

    No início do longa, o diretor fragmenta cenas que apontam o que acontecerá nos próximos minutos. Um hospital lotado de feridos e pessoas mortas, estiradas no chão, abrem Nova Ordem. E, ao que tudo indica, isso poderá demorar a acontecer - afinal, o espectador logo é levado a uma luxuosa festa de casamento na propriedade de uma rica família mexicana. Mas não é bem isso o que acontece. Como Franco quer destacar a desarmonia de dois mundos tão diferentes, logo a festa se transforma em um palco de extrema violência, conflito e vingança.



    O golpe de Estado que começa a infiltrar a barricada dos abastados é um tanto apressado, e isso acaba por contrastar tanto o primeiro terço de Nova Ordem com o restante que a única mensagem legível é a de que o diretor quer causar choque. O pulso de Franco é firme na intenção de causar impacto visual com mudanças de ritmo a partir da invasão de alguns mexicanos na propriedade da família da noiva. E existem símbolos que preparam o terreno para o caos: a cor verde, que faz parte da bandeira mexicana, aparece por diversas vezes na festa. Seja no pesçoco de uma convidada, ao sair como água na torneira ou no carro de convidados, ela também serve como indício de que a realidade da elite não continuará a mesma.

    O problema é que, na escolha de causar algum tipo de incômodo ou qualquer reação infortuna no espectador, Nova Ordem se perde na própria intenção inicial de explicar, através da ação, onde o diretor quer chegar. O intuito de mostrar até onde a população é capaz de chegar quando se vive em uma sociedade tão injusta e desproporcional é evidente, mas tudo isso se perde quando Franco se "esquece" de desenvolver os personagens que apresenta no início.

    Não tarda para que a noiva, o pai da noiva e o antigo funcionário sejam deixados de lado para que cenas permeadas por violência tomem conta da narrativa. Eles mesmos tornam-se vítimas do sistema - e isso faz sentido. O ponto é que tudo é desenvolvido de forma artificial, como se estes personagens fossem apenas peças que não fazem a diferença em um tabuleiro. Mas elas fazem, e a primeira meia hora de filme mostra isso. Porém, a diferença entre como elas estão posicionadas no início e no fim é discrepante demais para trazer algum tipo de reflexão. A história do filme perde espaço para que um ciclo de repetições hostis, que culminaram da insatisfação pessoal e social, tome conta de tudo.
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