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    Monday
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Monday

    Vivendo sempre o mesmo dia

    por Barbara Demerov
    Monday é um filme que começa despretensioso e termina da mesma forma. O que o espectador acompanha entre o início e o fim desta história são as nuances de um romance que começa da forma mais colorida possível, com toda a expectativa e paixão envolvidas, para então seguir um caminho que ameaça entrar em níveis mais sóbrios, permeados por planos sérios e a rotina tomando cada vez mais espaço na vida dos dois personagens principais.

    Sebastian Stan e Denise Gough são Mickey e Chloe, duas pessoas que tentam fazer com que suas diferenças não sejam uma pedra no caminho de um relacionamento tão leve. Com o belíssimo cenário de Athenas ao fundo, repleto de praias e lugares coloridos, o romance de Monday se desenrola com bastante informalidade. A partir de quando se conhecem em uma festa por intermédio de um amigo, Mickey e Chloe se aventuram em momentos de pura diversão - seja desafiando a polícia, festejando em todos os lugares possíveis ou simplesmente agindo por impulso.

    É assim que a trama se desenrola sem muita complexidade, puramente nos levando para aquela rotina aparentemente despojada do casal. Mas o que o título Monday implica é uma metáfora, ainda mais por sempre inserir "Friday" para entregar passagens de tempo sutis. É como se Mickey e Chloe estivessem vivenciando uma sexta-feira eterna na vida e no relacionamento amoroso - algo que nenhum casal sério consegue se ater diante das mudanças e surpresas da vida a dois. Por isso, após a segunda ou terceira repetição do "mesmo dia", é inevitável pensar que, uma hora ou outra, algo negativo poderá abalar aqueles personagens.



    Sebastian Stan e Denise Gough mostram-se muito confortáveis em seus papéis e especialmente um com o outro, elevando a força deste casal apaixonado que possui as mesmas chances de ficar junto e de não ficar. Talvez seja por isso que acaba por ser interessante acompanhar o conjunto de insignificâncias que acontece entre um dia e outro, porque o que importa nesta experiência é se divertir observando os altos e baixos de um romance que nunca tira seus pés no chão.

    Porém, o mesmo não pode ser dito com relação ao desenvolvimento de Mickey e Chloe de forma individual. Enquanto o homem é mais misterioso e parece ter uma forte insegurança em suas relações, Chloe acaba abrindo mão de seu trabalho para juntar-se a Mickey. Além disso, em uma das passagens que menos se conecta com todo o resto, um ex-namorado de Chloe ressurge para causar conflito no casal - fruto da já citada insegurança de Mickey.

    Fora isso, nada é aprofundado para expor que tipos de problemas poderiam separar o casal eventualmente. Em uma série de momentos divertidos, porém muito soltos, sem fazer com que a narrativa evolua com mais consistência, Monday acaba não exibindo tantos altos e baixos como o esperado. A cena final, que parece não encerrar o filme da maneira mais apropriada, destaca este problema.

    Filme visto durante o Festival de Toronto, em setembro de 2020.
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