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    Terra em Transe
    Média
    3,8
    38 notas e 6 críticas
    distribuição de 6 críticas por nota
    1 crítica
    3 críticas
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    6 críticas do leitor

    Caio R.
    Caio R.

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    4,0
    Enviada em 31 de janeiro de 2013
    Genial! Não é sobre a ditadura militar como imaginava. É sobre política, políticos e o povo oprimido. Cheio de metáforas, poemas e pensamentos fortes e verdadeiros, todos deveríamos ver e cultuar isso, pois diz muito sobre nós mesmos e como somos governados. Os políticos reacionários, de direita, a cruz ao lado da bandeira negra da guerra, os políticos de esquerda reunidos em um banquete, se embriagando enquanto discutem o melhor para o povo faminto e rindo.... as cenas do povo nas ruas logo silenciado pela diplomacia dominadora, o faminto indignado sendo repelido "extremista, extremista!". É realmente maravilhoso, vale a pena assistir de mente aberta, se desprender da estética perfeccionista vigente. Gláuber é anárquico e racional. Dá uma lição de moral nos moralistas. O filme tem quase meio século!! É impressionante como não evoluímos nada nesse sentido. ASSISTAM!
    Igor Emanoel
    Igor Emanoel

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    4,5
    Enviada em 20 de janeiro de 2020
    O senador Porfírio Diaz (Paulo Autran) detesta seu povo e pretende tornar-se imperador de El Dorado, um país localizado na América do Sul. Porém existem diversos homens que querem este poder, que resolvem enfrentá-lo. Enquanto isso, o poeta e jornalista Paulo Martins (Jardel Filho), ao perceber as reais intenções de Diaz, muda de lado, abandonando seu antigo protetor. Terra em Transe é uma obra que data do ano de 1967, dirigida por Glauber Rocha, e considerada como uma das grandes produções do cinema nacional. Trata-se do auge do Cinema Novo, movimento cinematográfico ocorrido no Brasil, do qual o roteiro reflete em inúmeras alegorias sócio-políticas relacionadas ao contexto da época. Isto é notável principalmente nos diálogos, rebuscados e com grande carga crítica, mas também, são ainda mais perceptíveis nos incessantes voice overs, que floreiam o enredo lhe dando ares filosóficos e possuindo opiniões contundentes escondidas dentro de sua subliminaridade, ainda que alguns momentos possam soar auto-indulgentes. A narrativa é ousada, iniciando-se com o uso de muitas alegorias, algo que dificulta, a princípio, o entendimento, porém sem demora a trama deslancha, e com isso, o diretor demonstra todo o seu domínio sobre tal, apresentando muitas camadas em seus personagens e diversos pontos de vista. Em determinado momento, o longa-metragem passa a contar sua história através de flashbacks, provando, mais uma vez, a total sapiência de Rocha para com a sua obra. No entanto, seus méritos não se limitam a isto, ele ainda denota ótimo controle sobre a câmera, buscando sempre angulações perspicazes e movimentos inesperados. Sua direção emprega muita energia, promovendo certo senso de urgência ao filme, o que é enfatizado pela trilha sonora hiperativa e diversificada, possuindo canções folclóricas, batidas nervosas de jazz, e também música clássica, retratando a efervescência cultural da segunda metade dos anos 60’s. A produção, mesmo limitada, conseguiu dar vida a El Dorado, fazendo parecer uma nação de terceiro mundo contrastando natureza selvagem com a arquitetura imperialista, o que agrega muita personalidade ao país retratado. Mesmo com seus valores imagéticos, o longa possui problemas com grande parte da mixagem de som, que é precária, principalmente no que se refere à sincronização das falas com o movimento da boca dos atores, mesmo Glauber Rocha utilizando bastantes planos abertos para tentar disfarçar a situação e tornar isto menos evidente. Por outro lado o elenco é espetacular, todos os atores estão completamente à vontade em seus personagens e também estão muito bem dirigidos. Com destaque para Jardel Filho que transmite de seu personagem dilemas, incertezas, e constante conflito consigo mesmo. Também há de se destacar Paulo Autran e José Lewgoy, que dão vida a políticos detestáveis em suas características distintas, e também a atriz Glauce Rocha, que é uma espécie de bússula moral para Paulo Martins. Terra em Transe é uma jóia do cinema nacional, frenético, enérgico e insinuante, apresenta não apenas um amontoado de alegoria sócio-política, mas também constrói um cenário próprio como forma de crítica e opinião, valendo-se pela sua qualidade e legado, tornando-se uma obra que mesmo com dificuldades técnicas, é grandiosa e atemporal.
    Gabriel E.
    Gabriel E.

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    2,0
    Enviada em 11 de abril de 2014
    O que pra muitos é o melhor filme de Glauber Rocha, pra mim não é tão bom assim. Por diversas vezes cochilei durante o filme, e por fim desisti. As cenas, são muito confusas, o que cria no espectador uma dificuldade pra entender "quem é quem". Além disso, não fica bem claro a problemática do filme, em diversos momentos se discute os rumos de Eldorado, mas eu, particularmente, não entendi o que aconteceu pra se discutir assim. Tecnicamente, o filme peca um pouco na edição de som, as vezes, percebe-se que o som ambiente está mais alto que a música, o que torna um chiado chato que atrapalha a emoção que a trilha sonora tem que passar. O filme pode ter um excelente roteiro, e até algumas cenas memoráveis, mas não é um filme que atrai a atenção, ou que trata dos problemas sociais tão explicitamente como em Barravento ou Deus e o Diabo. Definitivamente, não é o melhor filme de Glauber Rocha.
    Rafael V
    Rafael V

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    2,5
    Enviada em 9 de fevereiro de 2012
      Terra em transe: Marco do Cinema Novo Brasileiro. Clássico do cinema nacional, do consagrado e polêmico diretor Glauber Rocha. "Terra em Transe", procura criticar a então vigente Ditadura Militar Brasileira, de forma indireta, por causa da censura, então, em virtude desta mesma, Glauber tem uma idéia original, em vez da trama se passar no Brasil propriamente dito, se passa num lugar fictício, que o cineasta denomina de Eldorado, que fica às margens do Oceano Atlântico, uma espécie de metáfora do Brasil, pois também nesse país fictício existe vários problemas políticos, inclusive há, em Eldorado, governos totalitários, além de existir muita pobreza e miséria, que eram as características do nosso país naquela época e continua sendo até hoje. Um filme poético, lírico e bastante crítico. Com atuações antológicas de Jardel Filho, Hugo Carvana, Mário Lago, Paulo Autran e Paulo Grancido. Ótimo! O título do filme se explica por causa do caos, desordem e distúrbios que o país vivia durante a Ditadura. Nota: dez!
    Adriano Côrtes Santos
    Adriano Côrtes Santos

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    5,0
    Enviada em 12 de abril de 2019
    Com o Golpe Militar de abril de 1964 e os 25 anos da funesta ditadura, a ativa esquerda brasileira uniu-se em torno de meditações profundas e movimentos necessários sobre política e artes, incluindo notavelmente a sétima. Glauber Rocha foi sem dúvida um brilhante defensor dos direitos civis, destacando-se com Terra em Transe. Um espetáculo poético, uma catarse sobre o transe político que passavam os países da América Latina. Contado em retrospectiva é uma mistura prenuncio do Cinema Novo, indo do teatro à ópera, passando por Villa-Lobos a cultos afro-brasileiros. Uma incompreensão de todos estes arquétipos fundidos por Glauber viria da crítica tanto da direita, quanto da esquerda. Somente mais tarde foi condecorado como uma obra-prima de todo o cinema latino-americano. Magnífica fotografia de Luiz Carlos Barreto, música de Sergio Ricardo e um elenco precioso, singular e memorável: Jardel Filho, Paulo Autran, José Lewgoy, Glauce Rocha, Paulo Gracindo, Hugo Carvana, Danuza Leão, Jofre Soares, Mário Lago, Francisco Milani, Paulo César Peréio. Foi censurado, obviamente como subversivo e liberado com a condição que se desse um nome ao padre interpretado por Jofre Soares, Porfírio Diaz, ditador mexicano por 31 anos. Coisas do genial Glauber, que driblou muito bem o fascismo.
    Rodiney
    Rodiney

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    4,0
    Enviada em 30 de agosto de 2017
    Nada como estar no futuro de uma geração que o pensou no passado e ver que acertaram muito, mesmo explorando o óbvio, mas a crítica mordaz e certeira de Glauber não se limitava a uma ideologia, ao contrário, fluía de forma livre e alcançava todos os segmentos políticos e sociais. Tratou como poucos a linguagem do cinema para expor seus sonhos e pesadelos. Capaz de reunir um elenco primoroso, com um texto forte e impactante. Em resumo, Glauber mantem-se lúcido para revelar desde ontem até hoje o transe de nossa terra.
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