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    Annabelle 3: De Volta para Casa
    Críticas AdoroCinema
    3,5
    Bom
    Annabelle 3: De Volta para Casa

    Museu de assombrações

    por Barbara Demerov
    Boa parte da razão pela qual a franquia Invocação do Mal se sustenta tão bem não se dá apenas pela produção de um terror que distribui entretenimento dentro de sustos bem construídos, mas também por conta do aproveitamento das entidades que nos são apresentadas através do casal Lorraine Warren (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson). Dentre todas que vimos nos filmes, passando pela Freira, Crooked Man e a Chorona, é Annabelle quem mais se destaca – especialmente pelo fato dela ser um canal para outros espíritos alcançarem nosso mundo. Contabilizando três filmes (tendo já ultrapassado os próprios filmes de Invocação do Mal), a boneca maligna retorna para uma história que pouco fala sobre si, contentando-se em servir o público de uma atmosfera sombria, sustos e algumas entidades para assustarem em seu lugar.

    Da névoa persistente que cerca a casa dos Warren até o cenário no qual a história se desenvolve – com o casal longe e sua filha Judy (McKenna Grace) sozinha em casa com a babá Mary (Madison Iseman) e a amiga Daniela (Katie Sarife) –, é inevitável constatar como este spin-off acaba por se isolar de todos os filmes da franquia. A boa notícia é que tal quebra na dinâmica funciona ao aproveitar a intrigante Sala dos Artefatos, fazendo de Annabelle 3: De Volta para Casa um filme decente, ainda que sem muitas novidades tratando-se de como expõe os atos sobrenaturais.



    O diferencial neste terceiro capítulo surge de um ponto inesperado, mas gratificante: com a pequena Judy e seus traços cativantes graças à atuação de McKenna Grace, atriz que definitivamente merece atenção. O fato da filha de Lorraine e Ed também ser médium é bem inserido na história, mas a clareza para com seu "dom" e o discernimento com que lida com a fama dos pais não só é interessante de ver como também dá um ar maduro à personagem, sem nunca sair do tom. Na verdade, a mais nova do trio é justamente a mais coerente e corajosa, sendo também o ponto firme quando o terror se instaura em seu lar.

    Porém, não é como se Mary e Daniela foram inseridas na narrativa apenas para tapar buracos e serem as vítimas da vez. Ambas vão descobrindo a maldição que envolve Annabelle aos poucos e, com destaque para Katie Sarife, suas motivações são claras e sobretudo convincentes, segurando bem as pontas de uma história que, se tomasse qualquer outro rumo, poderia ser apenas mais um combo de elementos sobrenaturais há muito tempo já conhecidos pelo público. Apesar de a história de Annabelle 3: De Volta para Casa ser sustentada majoritariamente pela atmosfera carregada e os arcos dos personagens secundários são serem amplamente trabalhados, há de se reconhecer que a direção de Gary Dauberman dá conta de manter a coerência dentro do contexto.



    Além de se passar na década de 70, a vibe do filme se aproxima de filmes de horror de décadas passadas por se passar basicamente em um local e usufruir do ambiente para criar todo o suspense. Neste caso, o local é apenas o palco para as criaturas liberadas terem seu momento – tornando a casa dos Warren um verdadeiro museu de espíritos. Mas, por mais assustadora que seja a ideia de se ter tantas ameaças à solta, praticamente um ou dois espíritos são apresentados mais a fundo e têm a chance de efetivamente aterrorizar. Annabelle, como sempre, assusta mais do que todos, mesmo atuando como coadjuvante desta vez, vendo o circo pegar fogo.

    No mais, Dauberman – que também escreveu o roteiro – segue, em partes, o estilo que James Wan carimbou e tornou a franquia tão elogiada. Seja com alguns planos diferenciados (há uma cena em que a câmera, como se estivesse no teto, rapidamente acompanha Mary pelos corredores) ou com o aproveitamento de cores para criar tensão em cenas mais longas (como na apresentação da "verdadeira" Annabelle), o diretor faz um bom trabalho. Se o clima fúnebre de A Freira é interrompido pela narrativa que enfraquece, em Annabelle 3 vemos o crescendo da tensão e um desfecho que não procura ser mais do que é de fato, sem se ater a soluções rocambolescas a fim de uma conexão tão direta. Diante de um universo como este, essa há de ser uma escolha corajosa.
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