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Ma
Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
Ma

Quebrando expectativas

por Francisco Russo
Nos últimos anos, muito graças a sucessos do porte de Corra!Fragmentado e A Morte Te Dá Parabéns, a Blumhouse ganhou o status de "casa do terror contemporâneo", indo além da mera fábrica de sustos que assola o gênero para produzir algo que consiga, também, provocar (alguma) reflexão. O mesmo acontece com o suspense Ma, mas por vias bem distintas de seus antecessores.


Dirigido pelo errático Tate Taylor, do terrível A Garota no Trem e do questionável Histórias Cruzadas, Ma - abreviação carinhosa para "mother" - chama a atenção justamente pelo que não entrega. Explico. Se o espectador compra seu ingresso aguardando um típico filme de "jump scare", com uma Octavia Spencer vilanesca provocando horrores com um grupo de adolescentes assustados, tem grandes chances de se decepcionar. A proposta aqui não é bem esta, por mais que seja o caminho apontado pelo trailer.

Taylor está mais interessado em desconstruir os clichês do gênero ao apresentar uma história de certa forma simples e previsível, sem qualquer pressa - o que, inevitavelmente, traz ao filme um ritmo lento. A partir da chegada da novata Maggie (Diana Silvers, a mais desenvolta do elenco jovem), somos apresentados à intensa e súbita amizade com um grupo de adolescentes locais, que logo a levam para pedir a adultos desconhecidos que lhes compre bebida alcóolica - apenas jovens sendo jovens, em qualquer época, em qualquer lugar. Quem aceita a tarefa é a misteriosa Sue Ann (Spencer, esforçada), sempre acessível e cada vez mais convidativa... até que os próprios garotos, desconfiados de suas atitudes, passem a se afastar dela.


É a partir do comportamento habitual de adolescentes com os hormônios à flor da pele sempre em busca de farra que o diretor desenvolve a narrativa, dosando com alguma habilidade a expectativa sempre presente por algum rompante de tensão. Tal espera é o grande trunfo do roteiro escrito por Scotty Landes, por mais que também gere uma certa frustração devido ao que não acontece. Há ainda algumas pontas mal amarradas, como a intensa amizade nascente em um estalar de dedos e certos aspectos do desfecho - sem spoilers! -, claramente desleixos cometidos intencionalmente. A reflexão, aqui, é justamente a partir desta expectativa existente a quem vai assistir a um filme de suspense/terror, mais pelo aspecto formal da narrativa do que propriamente pelo que é exibido.

Por mais que estruturalmente seja interessante, é inevitável também uma certa decepção com Ma pela forma como sua história foi construída. Mesmo quando o filme enfim envereda de vez para o terror, a opção ora é por explorar gratuitamente ícones do gênero - a boca costurada, o aspecto visual demoníaco em torno da personagem-título - ora por uma certa covardia em ir além em sua jornada vingativa - o personagem de Luke Evans é o melhor exemplo. Ou seja, o filme insinua demais para entregar de menos e, por mais que estruturalmente isto seja intencional, também provoca um inevitável cansaço.
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