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A Juíza
Críticas AdoroCinema
3,5
Bom
A Juíza

Um sonho de igualdade

por Francisco Russo

De certa forma, é fácil rodar um documentário como A Juíza. Com uma personalidade tão rica quanto Ruth Bader Ginsburg em mãos, não é preciso ousar na narrativa ou mesmo no formato para entregar um longa-metragem que seja, no mínimo, interessante. Basta seguir adiante sua trajetória de vida e, especialmente, sua ideologia acerca da sociedade que já há material de sobra para qualquer produção.


Sem a menor pretensão de inventar a roda, as diretoras Betsy WestJulie Cohen dividem este documentário em quatro âmbitos intercalados: o início de carreira, o relacionamento com o marido, seu posicionamento político como advogada (e, posteriormente, como juíza) e sua explosão como ícone na internet. Cada um deles traz ensinamentos valiosos, seja ao refletir o passado ou mesmo ao apontar o presente, sobre a importância de se posicionar de acordo com suas crenças pessoais, por mais que o ambiente ao redor seja absolutamente hostil. No caso de RBG, em relação à defesa da igualdade das mulheres.

Após situar o machismo entranhado nos anos 1950, onde "os homens não gostavam que as mulheres tivessem um cérebro", o documentário aos poucos apresenta aquela que viria a ser a jornada de vida de sua homenageada. A partir da habilidosa inserção do áudio de seus dizeres em várias idas à Suprema Corte, pode-se perceber não apenas a força de suas palavras mas, especialmente, a personalidade ao defendê-las. É através da contundência e da eloquência que RBG, pouco a pouco, ganhou processos e seguidores.


Se tal trajetória é apresentada de forma linear, mesclando as tradicionais imagens (e áudios) de arquivo com entrevistas pinceladas com a agora octogenária homenageada, aos poucos pode-se compreender não apenas sua escalada no mundo jurídico como, também, compreender sua intimidade a partir do relacionamento com o esposo Marty, dono de saborosas declarações impulsionadas pelo sorriso farto. Tudo muito atraente graças à personalidade de RBG, mas também burocrático em relação à linguagem cinematográfica.

Mesmo quando investiga a súbita popularidade da juíza na era da internet, o documentário se contenta em apenas apresentar memes, tatuagens e paródias no Saturday Night Live, ao invés de investigar o porquê disto ter ocorrido. É claro que a grande motivação é a defesa de RBG a uma sociedade mais justa, ao ponto de torná-la uma "super-heroína da vida real", mas ainda assim o filme evita entrar nos meandros das redes sociais para entender tamanha disseminação. É como se o resultado fosse mais interessante do que os meios pelos quais se chegou a ele, ao menos para o enfoque dado a este documentário.


Ainda assim, A Juíza é um documentário atraente não só pelos ideais apresentados mas, especialmente, por relembrar a importância da existência de referências devido à excelência de seu trabalho, ainda mais em meio à habitual zoeira da internet. Pelo que fez, e ainda faz, RBG merece ser sempre louvada e agraciada - mas, como cinema, o documentário poderia ser ao menos um pouco menos dependente da personalidade de sua homenageada. Bastava querer investir um pouco mais na investigação, ao invés de se contentar meramente com sua história de vida.
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