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    I Am Mother
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    I Am Mother

    Nada sobre minha mãe

    por Sarah Lyra
    Por mais leve e despretensioso que um filme se proponha a ser, falar sobre extinção e repovoamento da espécie humana sem adentrar temáticas mais complexas, como ética e moral, acaba gerando algumas lacunas no desenvolvimento da trama. I Am Mother parece ciente do desafio de ir além do entretenimento, e até se dispõe a abordar algumas dessas questões, mas tropeça diante das possibilidades, resultando em uma obra que pouco entretém ou faz pensar.

    Em sua cena inicial, o longa rapidamente contextualiza o cenário que iremos acompanhar pelas próximas duas horas. Por meio de dados extraídos de computador, acompanhamos uma unidade altamente tecnológica entrando em funcionando com o propósito de repopular a Terra, que parece estar passando por algum tipo de contágio, a partir de embriões congelados. Logo em seguida, notamos o passar dos anos através das imagens de um robô ensinando uma criança a dormir, comer, andar, estudar etc. Ao se tornar uma adolescente, a protagonista, identificada apenas como Filha (Clara Rugaard), começa a questionar a natureza daquela unidade e o porquê de ser a única de sua espécie. Inquietações que são prontamente acalmadas pelo robô, agora apresentada como Mãe (com a voz de Rose Byrne e movimentos de Luke Hawker).



    O filme avança no tempo, mas não no engajamento entre as duas figuras centrais da trama. Embora o roteiro de Grant Sputore, que também dirige o longa, tente sugerir uma profunda intimidade entre elas, a sensação é de que se trata de duas pessoas sem nenhum histórico prévio, como se se conhecessem apenas superficialmente. As nuances da relação entre mãe e filha, assim como as barreiras de uma interação robô-humano, são pouco exploradas, e na maior parte do tempo são evidenciadas apenas pelo nome sugestivo dado às personagens. E não dá nem para argumentar que trabalhar as problemáticas de um robô é algo difícil de fazer, porque o Cinema já nos provou em diversas ocasiões que droides podem ser tão ricos e cheio de contradições quanto os humanos.

    Outro problema que chama atenção em I Am Mother, e que não costuma ser o caso em filmes do gênero, é que pouco vemos da estrutura física da unidade de repovoamento. Ao mesmo tempo em que parece ser um espaço grande, de cômodos largos, apenas três ou quatro ambientes são apresentados no decorrer da trama, o que contrasta principalmente com a tomada externa do local, que passa a impressão de ser um prédio ostensivo e impenetrável. Por isso, quando Filha tenta adentrar uma área proibida, por exemplo, a tensão pretendida pela cena não fica tão evidente para o espectador, criando uma sensação de confusão mais do que de medo.



    Um ponto interessante de I Am Mother é que o filme até busca fazer um comentário mais aprofundado sobre a maternidade, mas frases como “mães precisam de tempo para aprender, criar um bom filho não é algo fácil” soam mais condescendentes do que desconstruídas, e a figura autoritária do robô, associada à mensagem de que mentir e manipular são artifícios válidos usados para proteger um filho, apenas reforçam estereótipos sobre o tema e nos confundem quanto às intenções do roteiro.

    Por fim, é válido ressaltar que a trama ganha uma certa força nos momentos finais, se mostrando inteligente em um desfecho que, até então, parecia óbvio. É uma pena que essa força não tenha vindo mais cedo, e que I Am Mother, no fim das contas, passe batido diante da infinidade de opções abrigadas por sua mãe Netflix.
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    Comentários

    • Gilmar
      Ratificando, não foi falta o total de dias... Passaram 50 anos, obvio que haviam sido criadas outras crianças.
    • Gilmar
      Realmente a parte que mostra o total de dias após a extinção foi uma falta, mas o filme no geral foi excelente... Merece uma continuação, só tenham atenção aos detalhes.
    • Xanda d.
      Concordo totalmente com vc. Fazia tempo q ñ assistia a um filme tão instigante pra dizer o mínimo. Suspense do início ao fim. A gente nunca sabe em quem confiar, quem está certo ou errado... valeu cada minuto e nos leva a refletir sobre nossa tosca natureza humana.
    • Fred
      2.5???? ta ae por isso desconsidero totalmente qualquer critica, em relação a jogos, filmes ou qualquer assunto, prefiro ver, jogar, ler e tirar minhas próprias conclusões e depois passar pela critica apenas para continuar a não dar importância para elas... excelente filme, prendeu a atenção durante todo tempo alem de surpreender no final, o filme inteiro explora ética e moral; alias é inteiramente sobre isso e fica mais evidente com o final, sugiro assistir novamente e avaliar ações, motivos e intenções da mãe, principalmente a ultima cena em que ela aparece,praticamente elucida todo o filme. 5\5. Cumpre o que um filme se propõe a fazer, prender a atenção do espectador durante todo o tempo surpreende com algumas boas reviravoltas, mas só não indicaria a vcs que querem e apenas gostam de tiro porrada e bomba.
    • Sergio Alves de Souza
      Já quero uma continuação... nem sempre dá para atender as expectativas de todos, como quem fez essa crítica e deu essa nota nada ver, sei que em diversas partes do filme surge muitos questionamentos que são impossíveis para 1,2 ou 3 horas de filme, isso leva a possibilidade de uma continuação... que passe batido para aqueles que só consegue ver o que está no seu nariz.
    • Jackson A L
      Me surpreendi positivamente com a produção Netflix. Tenho receio e por isso acabo assistindo a poucos filmes com produção Netflix, porém esse é bem produzido, mas com algumas falhas bobas. Clara Rugaard e Hilary Swank apesar de aparecer menos, fazem uma boa atuação!Ex. Aquele cachorro de papel inerte naquela ventania (vide roupas e cabelos balançando). O cachorro também simplesmente desapareceu.
    • Will Hernane Pereira Costa
      2,5? Ahh..gostaria de saber os criterios...
    • JORGE LUIZ ALVES DE OLIVEIRA F
      Para mim a parte que me decepcionou foi logo no inicio que mostra quanto tempo passou desde o início da extinção...
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