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Moacir - O Santista que Conquistou os Argentinos
Críticas AdoroCinema
3,5
Bom
Moacir - O Santista que Conquistou os Argentinos

A arte encontra a vida

por Barbara Demerov
Moacir dos Santos é uma figura, no mínimo, muito interessante. Sua história de vida é composta por diversos desafios, entre eles sua migração para Buenos Aires em 1982 a fim de realizar o sonho de se tornar cantor em outro país, mas que acabou se transformando em uma experiência bem diferente. Seu destino foi uma clínica psiquiátrica na Argentina, onde foi diagnosticado com esquizofrenia - mas como a vida sempre acaba encontrando a arte, foi lá onde conheceu Tomás Lipgot, diretor que posteriormente faria três filmes completamente baseados em sua vida e sonhos.

Moacir - O Santista que Conquistou os Argentinos mistura ficção, realidade e depoimentos do protagonista com esmero, fruto de um carinho mútuo nutrido entre o diretor e seu personagem. Tal relação se entrelaça com os bastidores das gravações, que constroem as fantasias de Moacir, sempre influenciadas e admiradas por quem os rodeia. A montagem, entreposta com momentos ficcionais e apresentações de Moacir nos palcos (seja dublando e focando na interpretação corporal ou realmente cantando), facilita no entendimento dos traços psicológicos e peculiaridades do protagonista.



A figura principal nos leva para uma jornada de loucura que, no fim do dia, não soa tanto assim como loucura. A palavra certa que compõe o espírito de Moacir é criatividade, pois tudo o que diz ou expressa através de seu corpo não deixa de ser arte. Ele sabe muito bem o que quer fazer e isso fica explícito no retrato que Lipgot faz, o que só torna seu protagonista ainda mais carismático e encantador.

Por mais que a relação com o diretor seja um dos destaques do filme, há também um grande aproveitamento do que se passa na mente de Moacir. Sempre educado e alegre, é interessante observar sua presença nas gravações de suas ficções e como ele conversa com todos, sem pestanejar no que se refere à realização de suas ideias. O mais bonito é ver como todos (equipe e elenco) entram em seu universo e realizam os momentos de ficção, que são tão intensos quanto os "reais".

"A vida é uma fantasia. É uma fantasia que precisamos saber como desfrutar." É assim que Moacir define sua jornada em determinado momento de seu terceiro filme sobre sua trajetória. Contrariando o diagnóstico obtido clinicamente e focando na direção que sempre quis para montar sua própria história, o santista não conquista somente os argentinos: qualquer pessoa que dedicar um tempo para conhecê-lo através do cinema vai entender o quanto a arte é poderosa e vital no que se refere a como ela pode definir quem você é em essência.
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