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O Manicômio
Críticas AdoroCinema
1,5
Ruim
O Manicômio

A Bruxa de Blair encontra youtubers

por Barbara Demerov
É inevitável que o terror A Bruxa de Blair chegue a passar pela sua mente ao assistir a O Manicômio. Seja pela abordagem que insere jovens em um local sombrio e isolado ou pelo estilo de filmagem com câmera na mão e a perspectiva de quem está filmando (conhecido como found footage, que tomou forma com o horror Holocausto Canibal), o filme de Michael David Pate toma a forma de um jump-scare com bons sustos, mas que desenvolve sua trama de maneira muito superficial - diferentemente do longa de 1999, que inovou o estilo e ainda aterroriza a muitos pela simplicidade e força do roteiro.

O Manicômio possui uma atmosfera que de fato ajuda o espectador a adentrar naquela realidade em que um grupo de criadores de conteúdo para o YouTube desafiam a si mesmos a enfrentarem situações de risco e/ou bizarras. Tudo por likes e comentários. O diretor até inicia uma discussão (lê-se: uma crítica) àqueles que fazem isso na vida real e acabam esquecendo-se de seus princípios para se tornarem simplesmente figuras virtuais, mais como personagens; contudo, não há aprofundamento desta questão que até se torna mais interessante que o mistério que cerca o manicômio em si.



A composição dos elementos aterrorizantes não são tão diferentes do que já vimos em filmes do gênero: ali se encontram o local perfeito para que os sustos aconteçam, os personagens diversificados que vão integrando a mensagem que o diretor tenta passar e a mitologia que permeia a trama. Estes três componentes normalmente são perfeitos para criar uma história crível e, sobretudo, digna de assustar o tempo todo, mas aqui eles não são eficientes no modo geral, pois o que falta é justamente o principal: o entrosamento entre o lugar, as pessoas e o mistério.

A assombração que vaga pelo manicômio é apresentada de forma preguiçosa e os jovens youtubers ocupam bastante espaço na trama só por suas introduções e motivações. É curioso observar a integração entre eles (ou a falta dela) em dados momentos, mas ainda assim não é criada uma identificação para que exista certa aproximação. Se a crítica pelo comportamento superficial dos jovens da atualidade é cortada pela metade, o mesmo acontece com a intenção de ganhar terreno e empatia com o grupo de personagens.



Como a mitologia de O Manicômio é mal trabalhada, o que resta é a garantia de que os sustos sejam intensos. Não é isso que acaba acontecendo. Por muitas vezes, graças ao estilo utilizado, é fácil sentir certo incômodo por não saber o que irá aparecer daqui um tempo, mas estes mini-sustos tornam-se apáticos após certo tempo – e não agregam quase nada à narrativa.

Com um primeiro plot-twist até que esperado, mas ainda assim intrigante, o filme encontra em seu terceiro ato um gancho para se tornar um verdadeiro slasher, saindo brevemente da estrada do found footage. O problema é que, próximo dos créditos, existe outro plot-twist – este extremamente preguiçoso que não só vira a trama de cabeça para baixo, como também a faz regressar sem explicação alguma. O Manicômio utiliza muitos artifícios já conhecidos pelo público para entreter a mesma audiência fã de bons sustos, mas não mergulha no que busca vender em seu início: o puro e simples terror.
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