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    Silêncio no Estúdio
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Silêncio no Estúdio

    Olhar parcial

    por Francisco Russo
    Com apenas quatro longas no currículo, a diretora Emilia Silveira já fez uma clara escolha por personagens contestadores em sua filmografia. Assim foi em Setenta e Galeria F, apresentando facetas do combate à ditadura militar no Brasil, e até mesmo em Callado, já que o foco acerca do escritor Antonio Callado aponta mais ao seu lado inquieto em relação ao país. Em Silêncio no Estúdio o alvo está em Edna Savaget, ou melhor, em seu pioneirismo como mulher não só no jornalismo mas, especialmente, no nascimento da televisão no Brasil.

    Silêncio no Estúdio - FotoPor mais que a presença feminina em um ambiente masculino seja ressaltada, aliado ao preconceito por ela sofrido em relação à beleza, chama a atenção a forma como a diretora não esmiuça tal status quo. A entrada de Edna neste mercado é apresentada brevemente, a partir de uma historieta sobre sua primeira cobertura jornalística, e só. Seu trabalho literário, inclusive, é quase sempre colocado em segundo plano em detrimento ao televisivo, talvez devido ao apelo midiático e o vasto conteúdo disponível. O resultado é um documentário que informa sem jamais se aprofundar, cumprindo sua função pela metade.

    Diante de tamanha fragilidade narrativa, o que sustenta de fato o longa-metragem é a riqueza do material de arquivo. Mesmo sob o olhar contemporâneo, impressiona ver uma mulher de meia idade denunciando a roubalheira do governo em rede aberta, em plena ditadura militar, ou ainda pedindo demissão ao vivo, por discordar da forma como seu programa era conduzido pela emissora. Situações que dizem muito sobre quem era Edna Savaget e, de certa forma, também explicam o modo como era tratada pelos executivos ao seu redor - nem sempre é fácil lidar com alguém de personalidade.

    Silêncio no Estúdio - FotoEntretanto, em meio a tais preciosidades, o filme se arrasta a partir da preguiçosa fórmula envolvendo depoimentos de conhecidos, familiares e ícones do meio. É neste terceiro caso que se encaixa Arthur Xexéo, por exemplo, que assume que sequer a conheceu pessoalmente e tem sua presença sustentada apenas pela reverência de uma geração posterior. A própria inserção das filhas de Edna soa deslocada, com uma estranha quebra de formato envolvendo diretora e entrevistados. Os únicos depoimentos que despontam são do ex-marido, pelo afeto existente, e os de Haroldo Costa e Fernanda Montenegro, ex-companheiros de trabalho.

    Por mais que Edna Savaget seja uma personalidade bastante interessante, não só pelo pioneirismo mas especialmente pela coragem em tomar partido em épocas obscuras, Silêncio no Estúdio aparenta estar mais interessado em superficialidades do que em realmente compreender seu objeto de estudo e o ambiente ao qual estava inserida. O melhor exemplo é o destaque dado à pouca afeição dela e seu marido às bebidas alcóolicas, culminando no curioso merchandising de um remédio contra o alcoolismo. Em um filme com tanto a abordar, por que se ater a uma minúcia tão fútil?
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