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    Penguin Bloom
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Penguin Bloom

    Afeição que cura

    por Barbara Demerov
    Falar sobre um filme como Penguin Bloom, que possui a clara intenção de emocionar o espectador a partir do momento em que inclui "baseado em uma história real" nos créditos iniciais, é mais complicado do que pode parecer. Afinal, ao mesmo tempo em que a atriz Naomi Watts se destaca no papel de uma mãe que perde o movimento de suas pernas repentinamente, tudo o que está ao seu entorno não é tão bem delineado para criar um conjunto infalível no quesito comoção.

    Watts interpreta com dedicação a personagem real Sam Bloom, que passa a questionar seu papel como matriarca diante da impossibilidade de viver a vida da mesma forma que antes, e até mesmo levar seus filhos à escola, por exemplo. Apesar de não termos a chance de acompanhar a rotina daquela família antes do acidente acontecer, o impacto da mudança é visível. E é com bastante sutileza que a atriz ganha destaque em cena. Aliado à atuação, o ótimo trabalho de fotografia destaca sensações como alegria em espaços ensolarados ou isolamento nos cômodos escuros da casa onde Sam mora.



    Mas, fora a intensidade que Sam emana o tempo todo, com uma complexa e silenciosa luta interna e a dificuldade de tratar seus familiares como se nada tivesse acontecido, Penguin Bloom não atende as expectativas com relação a entregar o mesmo tratamento para seus filhos e marido Cameron (interpretado por Andrew Lincoln). O drama de Sam com seu filho mais velho (que toma o posto de narrador em algumas passagens) também não convence; não por conta das interpretações, mas do pouco espaço que eles têm para mostrar a dinâmica familiar.

    Aliás, a própria reclusão e negação de Sam não é totalmente justificada em momentos pontuais - como na cena em que se esconde para não atender uma amiga e colega de trabalho que está à sua porta. Mas, ao menos essa mesma reclusão é o que abre as portas para que o pássaro ferido, acolhido pelas crianças, ganhe um espaço cativo no coração (também machucado) da mãe. É na metáfora contida nesta "amizade" inusitada entre seres humanos e um animal que Penguin Bloom ganha traços mais agradáveis.

    Apesar de o espectador mais atento ser capaz de deduzir os desdobramentos da trama, Penguin Bloom não deixa de ser um filme agradável, fincado num solo seguro de emoções e dramas familiares. Contudo, ao contrário dos voos que o pássaro Penguin alça em momentos-chave, o drama não consegue fazer o mesmo, preferindo se ater à solidez que a boa atuação de Watts oferece e na sensibilidade contida em uma relação inesperada, mas que foi a responsável por efetuar mudanças reais e positivas em uma família que apenas precisava reencontrar seu rumo.

    Filme visto durante o Festival de Toronto, em setembro de 2020.
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