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Vidas à Deriva
Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
Vidas à Deriva

O amor vive

por Taiani Mendes

O cineasta islandês Baltasar Kormákur fez seu nome internacionalmente com a comédia dramática 101 Reykjavík, um achado gelado estrelado pela excelente Victoria Abril, mas posteriormente construiu carreira especializada em suspenses e trágicas histórias reais. Depois de Evereste e Sobrevivente, ele volta a investigar o instinto de sobrevivência em situação extrema neste Vidas à Deriva.


Não espere testemunhar intensa agonia marítima no longa-metragem, que privilegia a história de amor entre os protagonistas Tami Oldham e Richard Sharp, vividos por bem escalados Shailene Woodley e Sam Claflin. Carismáticos como nunca, com bronzeados de veleiro bastante críveis e confortáveis nos personagens, os dois são o que o filme tem de melhor, navegando apropriadamente entre sequências que exigem emoções frequentemente opostas. É óbvio à primeira vista que o viajante britânico trintão e a aventureira sem destino estadunidense viverão uma grande paixão nos minutos subsequentes, porém toda a previsibilidade do relacionamento dos sonhos e até os clichês de personalidade inversa (ele cauteloso e sensível, ela maconheira e corajosa) não jogam contra o casal. Pelo contrário, reforçam o tom de irrealidade que tem tudo a ver com o drama.

São ótimas as cenas de amorzinho de Tami e Richard, uma delas tocante especialmente aos brasileiros por ser embalada pelo clássico "Manhã de Carnaval", no entanto a forma como Kormákur e o montador John Gilbert (vencedor do Oscar por Até o Último Homem) estruturam a trama, num vaivém entre passado e presente, felicidade e desgraça, acaba por enfraquecer o aspecto trágico. Adorável no início, a representação da relação dos dois se aproxima perigosamente da repetição conforme a narrativa não linear avança em direção à “revelação” de como se deu o fatídico acidente, mas a maior vítima da edição é mesmo a tensão do estar à deriva, que jamais tem tempo de se estabelecer o bastante para atingir o espectador.


Gauguin, Bob Ross e debates sobre cores conectam o filme à pintura e a sensação de assistir sem grande aflição aos eventos retratados (e paisagens dignas de catálogo de viagem) é semelhante à posição de observação passiva diante de uma obra artística pouco perturbadora pendurada na parede. Mesmo com a abertura sendo totalmente imersiva e a abundância de imagens subaquáticas fazendo o público se sentir molhado como um marinheiro, Vidas à Deriva desperdiça parte do seu potencial de “drama de sobrevivência” por não conter riscos iminentes e não transmitir com eficácia o horror de permanecer sem rumo no mar por semanas – culpa da quebra de ritmo constante para situações anteriores.

Tudo bem que o interesse legítimo do cineasta é o poder do amor e a força gerada por uma admirável relação saudável, mas se ocorreu a decisão pelo mistério em torno do quase naufrágio, que ao menos a cena tivesse melhores efeitos (a parte do passarinho é ainda pior), sem apelar para o velho truque da pouca iluminação. Há um plot twist que certamente não pegará de surpresa os mais atentos e ainda assim tudo é explicado e reexplicado nos mínimos detalhes. Baltasar Kormákur faz duas exigências: que os espectadores entendam que o amor é importante e que saiam da sessão chorando. Sim, há um clipe dedicado inteiramente a isso na reta final, ao som de Tom Waits para ninguém escapar, e a missão concluída com sucesso.

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