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How to Meet a Mermaid
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2,5
Regular
How to Meet a Mermaid

O canto da sereia

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Há 15 anos, a diretora Coco Schrijber viveu uma experiência traumática. Seu irmão Lex, mergulhador profissional, simplesmente desapareceu ao entrar em uma praia no Egito. O mais estranho é que Lex deixou na areia alguns pertences, entre eles sua faca de mergulhador, algo inaceitável para um profissional de seu gabarito. Deste detalhe nasceu a teoria de que ele na verdade teria se suicidado, por mais que não haja corpo nem testemunhas para provar. Ou seja, um imenso mistério.

How to Meet a Mermaid - Foto

Seguindo a linha de tantos documentários de cunho pessoal produzidos mundo afora, a diretora partiu desta tragédia familiar para atingir algo bem mais amplo: o fascínio que o oceano provoca nas pessoas. Para tanto, optou pelo uso de imagens panorâmicas (e paradisíacas), outras retratando a diversidade existente no fundo do mar e ainda pílulas um tanto quanto filosóficas, no sentido de que "voltar ao mar é voltar de onde viemos". No fim das contas, o resultado desta mistura é tão difuso que não atinge nenhum de seus ambiciosos objetivos.

Senão, vejamos: com uma trilha sonora que remete aos filmes de mistério, How to Meet a Mermaid tem início com a apresentação do caso envolvendo Lex Schrijber. Algumas pessoas são entrevistadas sobre o ocorrido, mas sempre sem trazer algo realmente novo - ao que a diretora já saiba, é bom ressaltar. O próprio desaparecimento é apresentado de maneira confusa, entremeado em falas de diversas pessoas, causando uma certa dificuldade de compreensão ao espectador que não conhece a história de antemão. Falta um certo didatismo e, mais importante ainda, o "fato novo" que justifique tal retorno.

How to Meet a Mermaid - FotoCom o gancho envolvendo o canto da sereia, que hipnotiza quem o ouve, logo o filme migra para outras experiências envolvendo o oceano. Só que, tirando a ligação com o mar, pouco há em comum com a história de Lex. Por mais que os outros dois casos até sejam interessantes, eles são tão desconexos em relação ao restante do exibido que o longa rapidamente se torna um punhado de histórias interligadas por um fiapo narrativo. Mais ainda: o desenrolar de cada uma delas aponta questões psicológicas e econômicas como os grandes motivos da tal afeição ao oceano, ao invés de seus atrativos naturais. Falta coesão e, acima de tudo, algo que justifique a escolha destas tramas aliadas ao tom contemplativo/reflexivo que assume em certos momentos.

Além disto, falta coragem ao documentário. Há dois momentos onde são insinuadas críticas mais contundentes, em relação à falta de confiança na polícia do Egito e ao modo como a Disney age em seus cruzeiros de forma a preservar a imagem da empresa, mas em ambos os casos a diretora prefere citar tal situação sem se aprofundar. Oportunidades desperdiçadas, onde, mais uma vez, nota-se a ausência do tino investigativo em um filme que, a princípio, deveria ser norteado por ele.

No fim das contas, How to Meet a Mermaid até prende a atenção pelas histórias apresentadas, mas fracassa de forma retumbante ao tentar dar a tais experiências uma amplitude maior, seja através da tal atração provocada pelo oceano ou até mesmo por supostas conexões entre elas. O retorno ao lado afetivo da diretora, já na reta final, é a demonstração maior de que este filme tem por objetivo muito mais a expiação de uma dor pessoal do que qualquer intuito mais abrangente, como insinua seu formato a la Terrence Malick. Correto, nada além disto.

Filme visto no CPH:DOX, em março de 2017.

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