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John Wick 3 - Parabellum
Críticas AdoroCinema
3,5
Bom
John Wick 3 - Parabellum

Mais armas, mais aliados e mais cachorros

por Barbara Demerov
"Parabellum" significa "prepare-se para a guerra", e é exatamente isso o que acontece no terceiro capítulo da franquia John Wick (iniciada no Brasil sob o título De Volta ao Jogo). Keanu Reeves retorna à pele do assassino que sai da aposentadoria para mais uma vez dar de encontro com um banho de sangue – especialmente após o desfecho do segundo capítulo, quando mata o antagonista Santino D'Antonio (Riccardo Scamarcio) dentro do Hotel Continental, território proibido para a Alta Cúpula. Ambientado a partir dessa atitude extrema, John Wick 3: Parabellum logo se inicia com a pressa de uma contagem regressiva; seja por sua vida que se encontra por um fio ou pela sua duradoura aliança com o submundo, reduzida drasticamente em questão de minutos.

Com Chad Stahelski novamente na direção, Parabellum não hesita em engrandecer ainda mais as já esperadas sequências de ação e lutas corpo a corpo, mas também procura dosar toda a pancadaria com uma linha narrativa que se costura entre esses momentos. Porém, por mais impactantes que sejam as cenas de combate, elas são em maior número e isso acaba enfraquecendo o enredo, especialmente no ato final – até mesmo com novos personagens e arcos incluídos, que dão ares frescos ao universo John Wick. Mais uma vez é a ação que dita a narrativa e não o contrário. Isso não chega a ser um grande problema (afinal, a ação continua sendo o chamariz da franquia) mas o filme se estende com mais de 2h de ritmo ora vigoroso, ora sem muita inspiração, o que acaba tornando a imersão ligeiramente mais rasa a cada luta introduzida, por mais sentido que ela faça.



O estilo neo-noir prevalece neste 3º capítulo, mais forte do que nunca. As cores vivas e os cenários bem diferenciados, aliados ao modo como as sequências de embates são conduzidas, dão uma vibe de videogame à medida que a trama avança, como se Wick estivesse passando por diferentes fases. De certa forma, é isso o que move o enredo: ele precisa unir forças com pessoas que já o ajudaram no passado, o que inclui Sofia (Halle Berry) e a Diretora (Anjelica Huston), peças-chave que lhe ajudam a abrir portas para sua redenção perante a Alta Cúpula, mesmo sabendo que elas poderão se prejudicar diante de seus adversários. A introdução destas personagens traz elementos bem significativos (como a ambientação em Casablanca e numa escola de dança em Nova York), mas a falta de background das histórias de Sofia e a Diretora se faz bastante presente, deixando claro que elas foram inseridas para serem desenvolvidas em possíveis futuros filmes da franquia.

Assim como a atmosfera neo-noir, o cuidado na composição das maiores cenas de combate (vide a de Casablanca com direito a Halle Berry e seus dois cachorros) eleva Parabellum a um nível tão divertido quanto surpreendente. A fluidez da montagem nessas passagens mais frenéticas é muito bem feita e, com a presença forte de Keanu Reeves junto da ótima coreografia, não importa qual ferramenta ele utilize: sejam facas, livros, cavalos, motos ou cachorros, todas serão companhias certeiras em cada conflito. A única questão negativa que envolve Reeves é a precariedade de falas que o personagem possui, tornando sua performance um tanto robótica; mas nada que uma boa e velha frase antes dita em Matrix não dê um pouco de mais vivacidade ao assassino em fuga. No caso de Wick, sua performance violenta consegue ser mais importante do que qualquer palavra dita.



Parabellum expande consideravelmente o universo que envolve a Alta Cúpula (destaque para Kate Dillon) e os mais diversos assassinos que atuam ao redor do mundo, mas se preocupa mais na urgência das situações do que necessariamente em explicar como certos personagens chegaram até o que nos é apresentado neste capítulo. O fio condutor é o fato de Wick ser o assassino mais procurado ao redor do mundo, e é através desta situação que tudo se desdobra. Os tons da história, apesar de serem um pouco exagerados em dados momentos, não soam megalomaníacos: como o roteiro cede o espaço que poderia ser do óbvio para mergulhar nas mais insanas lutas, existe equilíbrio e a facilidade em adentrarmos fielmente nesse cenário repleto de sangue, mas também de lealdade.
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