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Unicorn Store
Críticas AdoroCinema
2,0
Fraco
Unicorn Store

Tudo pode ser? Se quiser será?

por Renato Hermsdorff
Sabe aquele momento em que você está zapeando a TV, sem forças para levantar depois de passar por um aborrecimento e tudo - todos os programas, qualquer anúncio - parece falar diretamente sobre o seu problema? É assim que Kit (Brie Larson) se sente depois de levar pau na escola de artes.

Nesse ponto (e estamos bem no início do filme), há um exagero proposital, que é o que, aparentemente, vai dar o tom de Unicorn Store ("Loja de unicórnio", em tradução livre), primeiro longa dirigido pela atriz vencedora do Oscar por O Quarto de Jack, a partir do roteiro escrito por Samantha McIntyre. É uma boa sacada, que não se sustenta, no entanto.

Kit é uma menina mimada e sonhadora, que sempre viveu na bolha de um mundo (literalmente) colorido, fruto do trabalho "motivacional" de seus irritantes pais, Gladys (Joan Cusack) e Gene (Bradley Whitford). Quando descobre a rejeição, ela decide dar uma guinada na vida, e acaba empregada como estagiária fotocopiadora de páginas de revista em uma "grande companhia".


No ambiente corporativo, a pobre garota sofre, sem perceber, investidas do vice-presidente da empresa, o estranho Gary (Hamish Linklater, da série Legion, o melhor ator/ personagem do filme). Até que ela recebe uma misteriosa carta a convidando para conhecer a tal loja do título. Samuel L. Jackson vive o vendedor da loja. E parece desconfortável no figurino carnavalesco proposto pela colega de elenco da Marvel Studios.

O primeiro terço de Unicorn Store aponta para dois caminhos que, estranhamente, o filme rejeita ao longo do percurso. O primeiro seria o da crítica à "América" que cria seus filhos sem preparo para enfrentar os problemas do mundo (esqueça); a segunda possibilidade seria a suspensão da realidade, a partir do retrato de um mundo verdadeiramente fantasioso à la Michel Gondry (que ela descarta).

O que se vê é uma tentativa desesperada do filme de se mostrar "gostável", apelando para o sentimentalismo da plateia, a partir de uma mensagem cafona de autoajuda embalada em uma estética supostamente lúdica. "Tudo pode ser, se quiser será" - é como se Larson parafraseasse Xuxa. Como filme de amadurecimento ("coming of age"), o resultado é um tiro no próprio pé. Afinal, como diz a mãe de Kit em um raro lampejo de sabedoria: "a coisa mais adulta que você pode fazer é falhar".

Filme visto no 42º Festival de Toronto, em setembro de 2017.
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